Estudo revela que 64% das escolas nas capitais brasileiras enfrentam calor excessivo e falta de áreas verde
O estudo identificou que cerca de 370 mil estudantes em 20.635 escolas públicas e privadas estão em zonas de risco climático
- Publicado: 27/11/2024 14:09
- Alterado: 27/11/2024 14:09
- Autor: Redação
- Fonte: Agência Brasil
Um recente estudo conduzido pelo Instituto Alana, intitulado “O Acesso ao Verde e a Resiliência Climática nas Escolas das Capitais Brasileiras”, revelou dados alarmantes sobre as condições ambientais nas quais estão inseridas as escolas de educação infantil e ensino fundamental das capitais brasileiras. Divulgado nesta quarta-feira (27), o levantamento apontou que 64% das instituições analisadas encontram-se em locais onde a temperatura é, no mínimo, 1 grau Celsius superior à média da região. Ademais, 37,4% dessas escolas carecem de áreas verdes, 11,3% estão localizadas em favelas e 6,7% situam-se em áreas suscetíveis a desastres naturais.
O estudo identificou que cerca de 370 mil estudantes em 20.635 escolas públicas e privadas estão em zonas de risco climático. Esse cenário representa uma ameaça direta à continuidade da educação básica, devido a possíveis interrupções causadas por eventos como incêndios florestais, tempestades e deslizamentos de terra. Maria Isabel Barros, especialista do Instituto Alana, destaca que tais situações podem resultar em longos períodos sem aulas, com potencial para aumentar os índices de abandono escolar.
A pesquisa, desenvolvida em parceria com o instituto Mapbiomas, também revelou que a Região Norte do país apresenta as maiores concentrações de escolas com temperaturas acima da média urbana. Manaus (97%), Macapá (93%) e Palmas (91,5%) lideram essa lista. Em contrapartida, Belém registrou apenas 33,2% das escolas nessa condição.
Além disso, a carência de vegetação nas escolas foi outro ponto crítico destacado. Apenas 26,6% da área total das instituições é composta por vegetação. A especialista Maria Isabel Barros sublinha os benefícios do contato com áreas verdes para o desenvolvimento integral das crianças e ressalta a importância da aplicação intencional desses espaços para fins educacionais e de resiliência climática.
Quando analisados os arredores das escolas, constatou-se que apenas 1,9% dos espaços num raio de 500 metros são ocupados por praças e parques. As capitais da Região Norte novamente se destacaram negativamente nesse aspecto, com Porto Velho (0,6%) e Macapá (1,2%) apresentando os menores índices.
A desigualdade social é outra preocupação evidenciada pelo estudo. Nas capitais do Norte, como Manaus e Belém, há uma maior concentração de escolas em favelas. Enquanto isso, Boa Vista não possui escolas nessas áreas. Já no Centro-Oeste, apenas 1% das escolas em Goiânia e Campo Grande estão em favelas.
Por fim, o estudo revelou que as capitais do Nordeste têm as maiores proporções de escolas em áreas de risco para desastres naturais. Em Salvador, metade das instituições encontra-se nessa situação. Um recorte racial indicou que 51% das escolas nessas áreas possuem maioria de estudantes negros.
Os dados apresentados evidenciam as desigualdades territoriais e socioeconômicas presentes nas cidades brasileiras e seu reflexo no ambiente escolar. As instituições educacionais acabam por espelhar essas disparidades já existentes na sociedade.
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