Estudo revela impacto do Bolsa Família na redução da tuberculose no Brasil
Pesquisa publicada na Nature Medicine mostra que o programa de transferência de renda tem impacto na saúde pública, principalmente entre os mais vulneráveis
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 06/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Uma pesquisa publicada na prestigiada revista Nature Medicine nesta sexta-feira, 3 de janeiro, trouxe à luz a significativa influência do Programa Bolsa Família (PBF) na diminuição dos casos e mortes por tuberculose no Brasil. Conduzido por uma equipe internacional de especialistas, o estudo avaliou dados de mais de 54 milhões de cidadãos brasileiros entre os anos de 2004 e 2015.
De acordo com informações fornecidas pelo ISGlobal (Instituto de Saúde Global) de Barcelona, um dos principais colaboradores da pesquisa, a redução nos registros de tuberculose superou 50% entre as populações em situação de extrema pobreza e chegou a mais de 60% entre os povos indígenas. A investigação focou especificamente em indivíduos com renda per capita inferior a R$ 218 mensais, abrangendo uma amostra representativa da população de baixa renda.
Dentre os 54,57 milhões de brasileiros analisados, aproximadamente 23,9 milhões (equivalente a 43,8%) eram beneficiários do Bolsa Família, enquanto 30,66 milhões (56,2%) não recebiam o auxílio. A pesquisa utilizou dados do Cadastro Único (CadÚnico), além de cruzar essas informações com registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), confirmando a queda nos casos e nas fatalidades associadas à tuberculose entre aqueles que participam do programa.
Os pesquisadores destacam que o Bolsa Família não apenas favorece a saúde pública ao reduzir a incidência da tuberculose, mas também melhora as condições gerais de vida dos beneficiários. Fatores como acesso à alimentação saudável, habitação digna e educação são fundamentais para fortalecer o sistema imunológico e garantir melhores resultados no combate à doença.
A pesquisa contou com a colaboração do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fiocruz Bahia e da Fundação “La Caixa” de Barcelona.
Os autores ressaltam que a melhoria das condições socioeconômicas proporcionadas pelo Bolsa Família é crucial para a prevenção e tratamento da tuberculose. Priscila Pinto, pesquisadora do ISC e co-autora do artigo, declarou à Folha de S. Paulo: “Este estudo reafirma a relevância dos programas de transferência de renda não apenas no enfrentamento da pobreza, mas também na promoção da saúde pública”.