Estudo revela disseminação do Mexilhão-Verde em praias do litoral de SP
Mexilhão-verde asiático ameaça biodiversidade no Brasil: estudo revela 41 locais de ocorrência e necessidade urgente de manejo eficaz.
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 25/04/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
A espécie de mexilhão-verde asiático, nativa das águas tropicais e subtropicais do Indo-Pacífico, tem sido identificada em 41 locais ao longo da costa brasileira, conforme um estudo realizado pelo Instituto de Pesca de São Paulo em colaboração com a Universidade Federal de São Paulo e a USP. Os dados foram divulgados pelo jornal da USP.
Desde sua introdução em 1995, o aumento da população do mexilhão-verde gera preocupações devido aos potenciais impactos ambientais, econômicos e de saúde pública fora de seu habitat natural.
Os registros da espécie foram encontrados em diversas localidades do litoral paulista, incluindo a Praia da Cocanha em Caraguatatuba, a Praia das Cigarras em São Sebastião, Ponta das Furnas em Ilhabela, Saco da Ribeira em Ubatuba e na Enseada da Baleia no Parque Estadual da Ilha do Cardoso, além de áreas como a Reserva Extrativista do Mandira em Cananéia, Iguape e as praias de Ilha Comprida, Peruíbe, São Vicente e Santos.
Um ponto crítico levantado pelos pesquisadores é que 12 dos registros ocorreram dentro de unidades de conservação, como parques nacionais e reservas ecológicas. Essas áreas são ecossistemas delicados que abrigam espécies ameaçadas e recursos naturais valiosos.
As espécies invasoras, como o mexilhão-verde, têm a capacidade de competir com as nativas por espaço e recursos, podendo prejudicar a biodiversidade local. As espécies nativas frequentemente não possuem defesas naturais contra esses invasores, os quais também podem introduzir doenças.
A introdução do mexilhão-verde pode ser atribuída ao descarte de larvas contidas na água de lastro de embarcações ou à sua fixação em plataformas petrolíferas. A poluição também pode ser um fator contribuidor para sua dispersão.
Os achados do estudo enfatizam a necessidade urgente de implementar estratégias eficazes de manejo e políticas conservacionistas que visem prevenir a propagação da espécie invasora e garantir a sustentabilidade dos ecossistemas costeiros e estuarinos.
As colônias mais densas foram observadas no estuário Cananéia-Iguape e na Praia de Aparecida em Santos. Novos registros também foram documentados nas praias do litoral norte paulista, abrangendo Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba.
A plataforma iNaturalist desempenhou um papel crucial na documentação desses registros exóticos, ampliando o entendimento sobre sua distribuição. No entanto, é essencial que haja curadoria dos dados por especialistas, visto que a identificação inicial é realizada por cidadãos com apoio do algoritmo da plataforma.
Ainda existem limitações quanto à validação científica das informações obtidas; imagens georreferenciadas não substituem a coleta de amostras e investigações em campo. Apesar disso, os pesquisadores reconhecem o valor da ferramenta para o monitoramento contínuo das espécies, ressaltando a importância dos metadados coletados para facilitar a identificação de novas espécies na região.