Estudo revela desigualdade no acesso à saúde bucal no Brasil
74% preferem a rede privada e 32% não visitaram dentista em um ano
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Um recente estudo realizado pela ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos) em colaboração com o Conselho Federal de Odontologia (CFO) revela uma preocupante disparidade no acesso aos serviços odontológicos no Brasil. Os dados mostram que 74% da população prefere a rede privada para atendimento dentário, enquanto apenas 23% recorre aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo a pesquisa, que analisou o período de dezembro de 2023 a dezembro de 2024, cerca de 32% dos brasileiros não visitaram um dentista nos últimos 12 meses. Essa estatística expõe uma lacuna significativa na atenção à saúde bucal entre os cidadãos.
O levantamento indica que o acesso aos cuidados odontológicos está intrinsecamente relacionado ao nível de renda e escolaridade dos indivíduos. A análise revela que 75% das pessoas com ensino superior buscaram atendimento odontológico, em comparação a apenas 54% dos que possuem educação básica. Em termos de renda, a discrepância é ainda mais acentuada: 80% das pessoas com rendimentos superiores a dez salários mínimos tiveram acesso regular aos serviços odontológicos, em contraste com 59% da população que vive com até um salário mínimo.
Esses dados evidenciam a carência de acesso a tratamentos essenciais, especialmente entre as camadas mais vulneráveis da sociedade. Projetos sociais têm surgido como resposta a essa realidade, destacando iniciativas como o Projeto 32, idealizado pelo dentista Manoel Eduardo de Lima Machado. Este projeto anual seleciona 60 pessoas para receberem tratamentos odontológicos completos, incluindo próteses, restaurações e implantes, sem qualquer custo.
A execução do Projeto 32 é viabilizada pela Associação Paulista dos Cirurgiões Dentistas e seu nome alude aos 32 dentes que todos possuímos, simbolizando um esforço para restaurar a saúde bucal integralmente. Além de melhorar sorrisos, a iniciativa promove uma maior conscientização sobre a importância da saúde bucal, um direito assegurado pela Lei da Política Nacional de Saúde Bucal.
O impacto do Projeto 32 na qualidade de vida dos beneficiados é inegável, uma vez que muitos deles não teriam condições financeiras para acessar tratamentos odontológicos essenciais. A pesquisa do CFO também destaca a necessidade urgente de uma mudança cultural no Brasil, onde a procura por atendimento odontológico muitas vezes ocorre apenas em situações críticas, como dores intensas ou fraturas.
Educação preventiva e conscientização sobre a importância de cuidados regulares com a saúde bucal são aspectos fundamentais para reverter esse quadro alarmante.