Estudo revela crise na saúde mental dos influenciadores digitais
Levantamento aponta aumento de ansiedade, depressão e risco de suicídio entre influenciadores, revelando um cenário de exaustão profissional e emocional
- Publicado: 06/11/2025
- Alterado: 09/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Live Nation
Um novo estudo internacional acende um alerta máximo sobre a saúde mental dos influenciadores digitais. O levantamento, conduzido pela Creators 4 Mental Health e a Lupiani Insights & Strategies, revelou que creators têm o dobro de chance de desenvolver pensamentos suicidas em relação à população geral.
Metade (52%) dos creators relatam sofrer de ansiedade, 35% de depressão e 62% enfrentam burnout ocasional ou frequente. O dado mais alarmante é a incidência de pensamentos suicidas relacionados ao trabalho, atingindo 10% dos influenciadores, quase o dobro da taxa de 5,5% observada na população adulta dos EUA.
A combinação de fatores que eleva o risco de suicídio

A psicóloga Maria Eduarda fala que o aumento desses números já era perceptível.
A raiz do problema reside no excesso: excesso de trabalho, de comparação, de cobrança social e interna.
“Vivemos uma cultura que glorifica a produtividade extrema e desvaloriza o descanso,” explica a especialista. “Essa combinação cria um ciclo de desgaste: muito trabalho, pouca pausa, muita cobrança. O influenciador entra em um ritmo onde tudo gira em torno de entregar, conquistar e performar, o que leva ao esgotamento.”
O desgaste se aprofunda com o tempo de profissão. A pesquisa indica que a percepção de saúde mental como “excelente” cai de 11% entre creators com menos de dois anos de experiência para apenas 4% entre aqueles com oito ou mais anos. As taxas de burnout sobem de 49% para 74% no mesmo período.
“Com o tempo, a exposição contínua e a necessidade de performar geram ansiedade, sintomas depressivos, dependência da tecnologia e uma sensação profunda de desconexão de si mesmo,” afirma a psicóloga. “O indivíduo passa tanto tempo se moldando ao que o público quer ver que, muitas vezes, perde contato com sua própria identidade.”
Como diferenciar cansaço de adoecimento
A pressão é agravada pela percepção equivocada de que o trabalho do influenciador é “fácil” ou “divertido”, o que minimiza o esforço real. Essa desvalorização leva a uma autocobrança excessiva e à dependência da validação externa.
É fundamental que o creator saiba identificar os sinais de que o cansaço virou adoecimento profundo.
“No cansaço comum, o descanso funciona. Uma boa noite de sono já traz
energia e disposição. No adoecimento profundo, mesmo dormindo muito, a pessoa não consegue se
recuperar”, explica Maria Eduarda.

A psicóloga alerta sobre os principais sinais:
- Sensação contínua de esgotamento
- Irritabilidade
- Dificuldade de concentração
- Sonolência excessiva
- Dores no corpo
- Dor de cabeça frequente
- Desmotivação
- Sensação de que “não importa quanto eu descanse, nunca é suficiente”
Para proteger a identidade e evitar que a vida gire apenas em torno da performance, a principal estratégia é a terapia.
“É essencial buscar acompanhamento profissional, terapia, principalmente, para aprender a gerenciar expectativas e manter uma identidade sólida fora das redes sociais. O criador precisa fortalecer sua autoestima e lembrar que o trabalho não define quem ele é.”
A terapia oferece técnica, estratégia e direcionamento, ensinando o criador a enxergar questões que sozinho não consegue perceber, a desenvolver habilidades de resolução de problemas e a lidar com a autocobrança e as inseguranças. Manter uma vida ativa fora da internet, nutrindo hobbies e relações presenciais, também é considerado essencial.
A responsabilidade do mercado com a saúde mental
A profissional ressalta que agências e plataformas precisam assumir um papel ativo na prevenção, criando um ambiente mais humanizado. As medidas práticas essenciais seriam:
- Criar espaços de acolhimento e escuta.
- Garantir acesso facilitado a acompanhamento psicológico.
- Reduzir cobranças excessivas e promover mais reconhecimento.
- Oferecer apoio no gerenciamento de expectativas e orientação sobre como lidar com a pressão.
“Criar uma cultura interna de empatia, limites e saúde mental é fundamental para preservar o bem-estar desses profissionais“, finaliza a psicóloga.
Leia também: Esgotadas: sobrecarga e desigualdade levam mulheres ao limite mental