Estudo revela crise na saúde mental dos influenciadores digitais

Levantamento aponta aumento de ansiedade, depressão e risco de suicídio entre influenciadores, revelando um cenário de exaustão profissional e emocional

Crédito: (Imagem: Freepik)

Um novo estudo internacional acende um alerta máximo sobre a saúde mental dos influenciadores digitais. O levantamento, conduzido pela Creators 4 Mental Health e a Lupiani Insights & Strategies, revelou que creators têm o dobro de chance de desenvolver pensamentos suicidas em relação à população geral.

Metade (52%) dos creators relatam sofrer de ansiedade, 35% de depressão e 62% enfrentam burnout ocasional ou frequente. O dado mais alarmante é a incidência de pensamentos suicidas relacionados ao trabalho, atingindo 10% dos influenciadores, quase o dobro da taxa de 5,5% observada na população adulta dos EUA.

A combinação de fatores que eleva o risco de suicídio

(Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A psicóloga Maria Eduarda fala que o aumento desses números já era perceptível.

A raiz do problema reside no excesso: excesso de trabalho, de comparação, de cobrança social e interna.

“Vivemos uma cultura que glorifica a produtividade extrema e desvaloriza o descanso,” explica a especialista. “Essa combinação cria um ciclo de desgaste: muito trabalho, pouca pausa, muita cobrança. O influenciador entra em um ritmo onde tudo gira em torno de entregar, conquistar e performar, o que leva ao esgotamento.”

O desgaste se aprofunda com o tempo de profissão. A pesquisa indica que a percepção de saúde mental como “excelente” cai de 11% entre creators com menos de dois anos de experiência para apenas 4% entre aqueles com oito ou mais anos. As taxas de burnout sobem de 49% para 74% no mesmo período.

“Com o tempo, a exposição contínua e a necessidade de performar geram ansiedade, sintomas depressivos, dependência da tecnologia e uma sensação profunda de desconexão de si mesmo,” afirma a psicóloga. “O indivíduo passa tanto tempo se moldando ao que o público quer ver que, muitas vezes, perde contato com sua própria identidade.”

Como diferenciar cansaço de adoecimento

A pressão é agravada pela percepção equivocada de que o trabalho do influenciador é “fácil” ou “divertido”, o que minimiza o esforço real. Essa desvalorização leva a uma autocobrança excessiva e à dependência da validação externa.

É fundamental que o creator saiba identificar os sinais de que o cansaço virou adoecimento profundo.

“No cansaço comum, o descanso funciona. Uma boa noite de sono já traz
energia e disposição. No adoecimento profundo, mesmo dormindo muito, a pessoa não consegue se
recuperar”,
explica Maria Eduarda.

Burnout - Saúde Mental
(Imagem: Freepik)

A psicóloga alerta sobre os principais sinais:

  • Sensação contínua de esgotamento
  • Irritabilidade
  • Dificuldade de concentração
  • Sonolência excessiva
  • Dores no corpo
  • Dor de cabeça frequente
  • Desmotivação
  • Sensação de que “não importa quanto eu descanse, nunca é suficiente”

Para proteger a identidade e evitar que a vida gire apenas em torno da performance, a principal estratégia é a terapia.

“É essencial buscar acompanhamento profissional, terapia, principalmente, para aprender a gerenciar expectativas e manter uma identidade sólida fora das redes sociais. O criador precisa fortalecer sua autoestima e lembrar que o trabalho não define quem ele é.”

A terapia oferece técnica, estratégia e direcionamento, ensinando o criador a enxergar questões que sozinho não consegue perceber, a desenvolver habilidades de resolução de problemas e a lidar com a autocobrança e as inseguranças. Manter uma vida ativa fora da internet, nutrindo hobbies e relações presenciais, também é considerado essencial.

A responsabilidade do mercado com a saúde mental

A profissional ressalta que agências e plataformas precisam assumir um papel ativo na prevenção, criando um ambiente mais humanizado. As medidas práticas essenciais seriam:

  • Criar espaços de acolhimento e escuta.
  • Garantir acesso facilitado a acompanhamento psicológico.
  • Reduzir cobranças excessivas e promover mais reconhecimento.
  • Oferecer apoio no gerenciamento de expectativas e orientação sobre como lidar com a pressão.

“Criar uma cultura interna de empatia, limites e saúde mental é fundamental para preservar o bem-estar desses profissionais“, finaliza a psicóloga.

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  • Publicado: 06/11/2025
  • Alterado: 06/11/2025
  • Autor: 09/12/2025
  • Fonte: Live Nation