Estudo inédito da FMABC determina potencial benéfico dos sucos industrializados

Dissertação de Mestrado de Maryane Woth de Souza acaba de ser publicada na revista científica ‘Canadian Journal of Chemistry’

Estudo inédito da FMABC determina potencial benéfico dos sucos industrializados

Crédito: divulgação/FMABC

A recente preocupação com o estresse oxidativo das células humanas, que pode ocasionar sérios efeitos nocivos ao organismo, tem aumentado o interesse da comunidade científica em determinar a capacidade antioxidante total de alimentos consumidos pela população – especialmente os industrializados. Acredita-se, como regra geral, que quanto maior a capacidade antioxidante do alimento, maior a possibilidade de suprimir o excesso de radicais livres, ou seja, a parcela que não é neutralizada espontaneamente pelo organismo e que pode levar ao estresse oxidativo celular.

Apesar da quantidade elevada de açúcares, os sucos de frutas industrializados em embalagens ‘Tetra Pak’ tornaram-se uma das bebidas mais consumidas no mundo, principalmente pela maior conveniência e pelo fato de serem fontes de vitaminas, compostos fenólicos, minerais e fibras. A capacidade antioxidante desses produtos está relacionada, sobretudo, à presença de polifenóis e vitaminas. No entanto, as embalagens desses sucos trazem informações nutricionais com dados sobre gorduras, carboidratos, açúcares, sódio e calorias, mas não há nenhuma menção sobre a capacidade antioxidante da bebida – ou seja, o potencial benéfico para neutralização de radicais livres.

Essa informação ausente ocorre, pois, ainda não há um método universalmente adotado para quantificar a capacidade antioxidante desse tipo de bebida. Pensando nisso, a aluna de mestrado da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Maryane Woth de Souza, desenvolveu como dissertação um novo método colorimétrico, de baixo custo e fácil execução, capaz de preencher essa lacuna. O estudo completo com a técnica criada na FMABC acaba de ser publicado no periódico científico Canadian Journal of Chemistry (volume 97, fascículo 1, páginas 61-66, janeiro de 2019) e está disponível no site http://www.nrcresearchpress.com/loi/cjc.

ANTIOXIDANTES

Os principais compostos antioxidantes presentes em frutas cítricas como a laranja, o limão e a tangerina, por exemplo, são o ácido ascórbico e os flavonoides. Sucos de uva e morango contêm, principalmente, polifenóis, flavonoides (antocianinas e flavanóis), estilbenos (resveratrol), ácidos fenólicos (derivados dos ácidos cinâmico e benzoico) e uma grande variedade de taninos.

“Esses grupos de compostos são capazes de remover radicais livres que, em excesso, podem atacar uma célula normal e gerar danos em biomoléculas, como proteínas e DNA. São situações que estão relacionadas à origem de doenças do envelhecimento e a outras patologias, como doenças cardiovasculares e até mesmo certos tipos de cânceres”, alerta o orientador do trabalho e professor titular de Química Analítica da FMABC, Dr. Horacio Dorigan Moya.

Reação química indica a capacidade antioxidante das amostras

Sob o título “Method for quantification of antioxidant capacity of processed fruit juices exploring the formation of the Fe(II)/3-hydroxy-4-nitroso-2,7-naphthalenedisulfonic complex”, o estudo da Faculdade de Medicina do ABC utiliza uma reação química entre íons ferro e o Sal Nitroso R (ácido 3-hidroxi-4-nitroso-2,7 naftalenodisulfônico). Baseia-se na formação de um composto verde brilhante, cuja intensidade de cor é proporcional à capacidade antioxidante das amostras de sucos de frutas testadas.

As bebidas foram divididas em três grupos, tendo em vista a disponibilidade dos sucos encontrados nos supermercados: uva, laranja, maracujá, caju, pêssego e morango. Nas amostras analisadas, a capacidade antioxidante obtida foi maior no suco de uva, seguida pelo suco de laranja, e depois pelos demais sabores. Os resultados da FMABC foram comparados ao método baseado no consumo do radical livre colorido ABTS (utilizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e revelaram excelente concordância.

“O novo método que sugerimos é mais atraente do ponto de vista ambiental, porque a reação é conduzida em meio aquoso e o principal composto utilizado pode ser recuperado, evitando danos ao meio ambiente”, explica Dr. Horacio Dorigan Moya, que completa: “Foi a primeira vez que usamos essa reação para quantificar a capacidade antioxidante de sucos de frutas industrializados. Embora esse tenha sido o alvo do projeto de mestrado, o método proposto pode ser aplicado em sucos naturais e também para frutas in natura”.

  • Publicado: 30/01/2019 11:39
  • Alterado: 30/01/2019 11:39
  • Autor: Redação
  • Fonte: FMABC