Estudo da FMABC aponta perfil do sinal de Frank

Pesquisa sobre o sinal de Frank realizada em Santo André mostra que o vinco no lóbulo da orelha está mais ligado ao envelhecimento do que a infarto ou AVC

Crédito: Divulgação-FMABC

Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro Universitário FMABC, em Santo André (SP), concluiu que o sinal de Frank — vinco diagonal no lóbulo da orelha — é mais frequente em mulheres brancas com mais de 70 anos e não apresenta relação direta comprovada com infarto, AVC ou outros fatores clássicos de risco cardiovascular nessa população.

A pesquisa traz novos dados ao debate sobre o possível valor clínico do sinal de Frank, especialmente após o tema ganhar repercussão nacional.

Sinal de Frank ganhou atenção após morte de influenciador

O traço físico voltou ao centro das discussões após a morte do influenciador digital Henrique Maderite, aos 50 anos, vítima de infarto fulminante. Após o falecimento, imagens divulgadas nas redes sociais indicavam que ele apresentava o sinal de Frank, o que reacendeu questionamentos sobre a possível associação entre o vinco na orelha e doenças cardiovasculares.

Apesar da repercussão, os pesquisadores reforçam que o sinal de Frank não deve ser interpretado como diagnóstico ou preditor isolado de infarto.

Estudo avaliou 656 idosos fora do ambiente hospitalar

perfil - sinal de Frank
Divulgação Freepik

O levantamento da FMABC analisou 656 pessoas com 60 anos ou mais, recrutadas entre 2020 e 2023 em unidades básicas de saúde e locais públicos. Diferentemente de estudos anteriores — frequentemente realizados em hospitais ou serviços de cardiologia — a amostra incluiu exclusivamente idosos não internados e sem acompanhamento cardiológico especializado.

Esse desenho metodológico permitiu avaliar o sinal de Frank em uma população considerada saudável, reduzindo vieses associados a pacientes já diagnosticados com doenças cardiovasculares.

A idade média dos participantes foi de 71,8 anos, sendo que quase 59% eram mulheres. No total, 61,3% apresentavam o sinal de Frank, com prevalência estatisticamente maior entre pessoas mais idosas, mulheres e indivíduos brancos.

Sinal de Frank não teve associação com infarto, AVC ou fatores clássicos

Reprodução

De acordo com os dados, não houve associação significativa entre o sinal de Frank e condições como:

  • Hipertensão
  • Diabetes
  • Colesterol alto
  • Tabagismo
  • Hipotireoidismo
  • Histórico de infarto
  • AVC
  • Comprometimento cognitivo

Os pesquisadores observaram apenas uma tendência estatística — sem significância — de associação com hipertensão e dislipidemia.

“O que nosso estudo mostra é que o sinal de Frank parece estar muito mais relacionado ao processo de envelhecimento e a características demográficas específicas do que, isoladamente, a eventos cardiovasculares”, afirma Alzira Carvalho, neurologista e uma das autoras da pesquisa.

Segundo a especialista, estudos anteriores podem ter apontado resultados diferentes porque analisaram majoritariamente pacientes já internados ou com histórico de infarto ou derrame, o que pode gerar distorções nos achados.

Avaliação cognitiva também não mostrou relação

A equipe também investigou possíveis alterações cognitivas por meio de instrumentos amplamente utilizados, como o Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) e o Montreal Cognitive Assessment (MoCA).

Os resultados não identificaram qualquer associação entre o sinal de Frank e déficit cognitivo.

Descrito há mais de 50 anos, o sinal de Frank ainda possui mecanismos fisiológicos pouco compreendidos. Entre as hipóteses discutidas estão alterações na microcirculação, perda de fibras elásticas da pele, fatores genéticos ou semelhanças na inervação do lóbulo da orelha e do coração.

Os autores defendem que fatores como pressão arterial, glicemia, colesterol, histórico familiar e hábitos de vida continuam sendo determinantes centrais para o risco cardiovascular. Para esclarecer definitivamente o papel do sinal de Frank, seriam necessários estudos prospectivos de longo prazo, com exames laboratoriais e acompanhamento clínico contínuo de idosos saudáveis.

“É importante reforçar que nenhum sinal físico isolado substitui a avaliação médica completa”, conclui Alzira.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 13/02/2026
  • Fonte: FERVER