Estudantes da UFABC fazem vigília por Palestina e ativistas presos
Mobilização da UFABC começou com acampamento e atividades de 24h; ação denuncia genocídio em Gaza e exige libertação dos detidos em missão humanitária
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 03/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Desde a noite desta quinta-feira (2), estudantes da Universidade Federal do ABC (UFABC), no campus de São Bernardo do Campo, realizam uma vigília em solidariedade ao povo palestino e pela libertação de ativistas brasileiros sequestrados pelo Estado de Israel.
A jornada, iniciada às 20h de ontem e com previsão de encerramento às 21h desta sexta-feira (3), inclui debates, atos políticos e um acampamento no interior da universidade.
A iniciativa da UFABC integra um movimento mais amplo de solidariedade internacional contra a ofensiva militar israelense em Gaza e em apoio aos integrantes da missão humanitária Global Sumud Flotilla, interceptada por forças israelenses no Mediterrâneo quando seguia para a Faixa de Gaza.
Mesa de abertura reuniu familiares e lideranças

A mobilização no campus da UFABC teve como abertura uma mesa de debates com a presença de Vanessa Dias, coordenadora da Casa Marx e esposa de Bruno Gilga, um dos ativistas brasileiros detidos em Israel. Também participaram a vereadora de São Caetano do Sul Bruna Biondi (PSOL) e Léo Péricles, presidente da Unidade Popular (UP).
Vanessa destacou o caráter solidário da missão e fez um apelo pela libertação dos detidos.
“Essa missão, que levava alimentação, próteses para as crianças que perderam membros em meio aos bombardeios de Israel em Gaza, remédios, está sendo criminalizada como um ato de terrorismo. É urgente o apoio do máximo de pessoas para exigir com que todos os ativistas sejam libertos e que o governo brasileiro garanta a integridade de cada”, afirmou.
Ela lembrou que o marido foi sequestrado pelas forças israelenses e ressaltou a importância das mobilizações no Brasil, como essa que acontece na UFABC.
“É extremamente importante ações como essas que se conectam com um movimento internacional de solidariedade contra essa barbárie, como demonstram os trabalhadores e a juventude italiana em uma segunda greve geral contra o genocídio e pela libertação imediata de todos os ativistas”, completou.
Segundo Vanessa, no próximo domingo (5), haverá um ato no MASP, em São Paulo, às 11h, para pressionar as autoridades brasileiras e internacionais por medidas concretas.
Apoio estudantil cresce em universidades
A UFABC não é a única instituição a registrar mobilizações em defesa da Palestina. Nos últimos meses, atos semelhantes se espalharam por universidades brasileiras. Na USP, houve acampamento de estudantes; na Unicamp, a mobilização resultou na ruptura das relações da instituição com a universidade israelense Technion, acusada de vínculos com o aparato militar de Israel.
Na UFABC, os estudantes também denunciam os vínculos da universidade com organizações sionistas como a Stand With Us, que oferece cursos de extensão criticados por militantes por legitimarem as ações do governo israelense.
O estudante Pedro Pequini, do Bacharelado em Ciências e Humanidades (BCH) e militante da Faísca Revolucionária, ressaltou a importância da luta estudantil.
“A gente vem há meses denunciando com toda força a escalada do genocídio na Palestina e exigindo a ruptura das relações da UFABC com organizações sionistas como a Stand With Us. Essa luta se amplifica agora com o sequestro criminoso dos ativistas brasileiros pelo Estado sionista de Israel, entre eles nosso companheiro do Esquerda Diário, Bruno Gilga, que levava ajuda humanitária a Gaza”, afirmou.
Ele também fez críticas ao governo federal.
“Nos ligamos ao movimento internacional de solidariedade ao povo palestino exigindo a libertação imediata, que o governo Lula também garanta a integridade física desses ativistas e que rompa imediatamente todas as relações com Israel”, completou.
Missão humanitária interceptada
O contexto da mobilização está diretamente ligado ao ataque israelense contra a missão humanitária Global Sumud Flotilla, que transportava ajuda para Gaza. De acordo com informações da delegação brasileira, 14 cidadãos do Brasil participavam da ação.
Doze deles foram detidos e levados ao porto de Ashdod, em Israel, após militares cercarem os barcos e obrigarem centenas de ativistas a embarcar no navio de guerra MSC Johannesburg.
Entre os brasileiros presos estão: Thiago Ávila, Bruno Gilga, Lisiane Proença, Magno Costa, a vereadora Mariana Conti (PSOL-SP), Nicolas Calabrese, Ariadne Telles, Mansur Peixoto, Gabriele Tolotti (presidente do PSOL-RS), Mohamad El Kadri, Lucas Gusmão e a deputada federal Luizianne Lins (PT-CE).
A delegação informou ainda que dois ativistas brasileiros estão desaparecidos: João Aguiar e Miguel Viveiros de Castro. O barco de João foi atingido por um jato de água com mau cheiro, o que danificou os equipamentos de comunicação. Desde então, não há sinais de contato.
Já Miguel estava em outra embarcação que também teve a comunicação interrompida, o que levanta a suspeita de que tenha sido igualmente interceptado pelas forças israelenses.
Solidariedade internacional
O caso gerou mobilizações em diversos países. No Brasil, sindicatos, partidos políticos e organizações estudantis se somam às manifestações em defesa da libertação dos ativistas e contra a ofensiva israelense em Gaza.
Para os organizadores da vigília na UFABC, a ação em São Bernardo é um passo importante para intensificar a solidariedade com o povo palestino. “A unidade dos estudantes em solidariedade ao povo palestino e liberdade dos ativistas sequestrados fez escalar a luta por solidariedade”, resumem os organizadores.
A expectativa é que a mobilização da UFABC de São Bernardo inspire novas ações em universidades e espaços públicos nos próximos dias, como forma de pressionar autoridades brasileiras e internacionais a agir diante da crise humanitária em Gaza e da prisão de ativistas brasileiros.