Estudante atira e fere 2 alunos em escola do Paraná

Em vídeo feito supostamente antes do ataque, atirador coloca a culpa nos colegas pelo atentado que iria cometer. Jovens desabafam nas redes sociais

Crédito: Reprodução

Um estudante de 15 anos entrou armado e atirou contra os colegas de classe do Colégio Estadual João Manoel Mondrone, em Medianeira, no oeste do Paraná, a 60 km de Foz do Iguaçu. O caso aconteceu por volta das 8h30 desta sexta-feira, 28.

Um dos jovens baleados, de 18 anos, foi atingido na coxa e atendido no Hospital e Maternidade Nossa Senhora da Luz e já foi liberado. O outro adolescente, atingido na região da coluna, foi encaminhado para o Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, e será levado para outro hospital, onde fará cirurgia de alta complexidade.

Ainda de acordo com a polícia, um jovem e outro colega foram apreendidos e levados para a delegacia. Com eles, foram encontrados um revólver e munições.

Um comunicado do colégio divulgado em redes sociais informa que as aulas desta sexta-feira dos períodos da tarde e noite estão suspensas.

Nas redes sociais, alunos da instituição relataram o que teria ocorrido. Uma menina escreveu que estava dormindo na hora dos tiros e que acordou “com todo mundo no chão”.

“Eu nunca passei tanto medo na minha vida”, escreveu ela, que completou: “Gente, se aquele menino tivesse uma arma melhorzinha, eu não sei se estaria aqui, esse é o pior de tudo”, escreveu. Os ‘cara’ brigando pra ver quem ‘tá’ certo e eu ‘to’ só lembrando a cena na minha cabeça.”

Outra adolescente que também relata estudar na escola descreveu a situação como um “trauma”. “Foram os piores 5 minutos da minha vida”, disse. “Esperando minha mãe chegar pra eu me jogar nos braços dela e chorar o resto do dia.”

Em vídeo, atirador coloca a culpa nos colegas pelo atentado que iria cometer

Em um vídeo feito supostamente antes do ataque e divulgado pelo portal Catve, o atirador diz que era “humilhado”, cita os nomes de diversos alunos e diz que a culpa do ataque é dos colegas de classe. “Tudo que ocorrerá hoje é culpa sua.”

Ele pede desculpas antecipadas pelo ataque. “Quero me desculpar pelo incômodo que eu vou causar para redes policiais, Bope e esquadrão de bombas e aos médicos, espero que façam um ótimo trabalho.”

Nas imagens, feitas em uma estrada de terra, o garoto não mostra o rosto. Em alguns momentos, ele diz estar ansioso. “Tô muito ansioso, passando mal. Peço aos familiares que tenham compreensão por causa dos meus atos. Seus filhos me humilharam, me ameaçaram de uma maneira que não tem mais perdão.”

Ao final do vídeo, o adolescente diz que o ataque não era motivado por jogos de vídeo game e nem por livros. “Se for para culpar algo, culpem seus próprios filhos”, disse.

BULLYING
O bullying é caracterizado como ato de violência física ou psicológica que acontece de forma intencional e repetitiva. A intimidação normalmente se dá de forma velada. Desde fevereiro de 2016, uma lei federal estabelece como responsabilidade das escolas a promoção de medidas de conscientização, prevenção, diagnóstico e combate ao bullying.

“Mais uma vez um caso grave acontece no País e joga luz à falta de um trabalho efetivo contra o bullying nas escolas. Ainda estamos muito longe de ter esse assunto sendo trabalhado sistematicamente nas escolas”, diz Luciene Tognetta, pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral (Gepem), que reúne especialistas da Unicamp e Unesp para estudar a convivência escolar e bullying.

Para ela, todas as crianças envolvidas -tanto os meninos que fizeram o ataque, como os que foram alvo – são vítimas da ausência de ações para melhorar a convivência escolar. “Esses meninos foram vítimas de intimidação e humilhação por muitos anos. Agora, eles se tornam os autores da violência. Nada justifica a violência que cometeram, mas nós precisamos cuidar dessas duas crianças”, diz.

Ela explica que um trabalho sistemático contra o bullying começa na prevenção dos casos e na melhora do ambiente escolar, envolvendo todas os alunos, professores e funcionários. “O bullying é um fenômeno muito complexo. Não adianta só fazer um dia de discussão sobre ele ou espalhar cartazes pela escola. Tem que ser um trabalho de todos os dias, uma mudança no comportamento de todos”, diz.

Luciene ressalta que, além de muitas escolas falharem na promoção de ações contra o bullying, o poder público também falha ao não fiscalizar as unidades para monitoramento dos casos e de práticas preventivas.

PARA LEMBRAR
Em outubro do ano passado, um adolescente de 14 anos matou a tiros dois colegas e feriu outros quatro em uma sala de aula do Colégio Goyases, em Goiânia. Filho de policiais militares, ele usou a arma da mãe, que havia levado à escola particular escondida na mochila. Segundo a Polícia Civil, o rapaz sofria bullying e o crime foi premeditado.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/09/2018
  • Fonte: FERVER