Estoques de leite humano caem até 50% no inverno, e bebês prematuros correm risco
Coordenadora de Enfermagem da Faculdade Anhanguera alerta sobre a queda no estoque de leite humano nos bancos durante o frio e a importância da doação
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 23/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Com a chegada do inverno, os estoques nos bancos de leite humano apresentam uma queda de até 50%, e a doação de leite humano é fundamental para garantir a alimentação de bebês prematuros ou de baixo peso, que dependem desse alimento vital para seu desenvolvimento e sobrevivência.
A doação de leite humano é um gesto altruísta que contribui diretamente para salvar vidas. Porém, durante o inverno, o número de doações diminui significativamente devido a diversos fatores, como o clima mais frio e a rotina mais reclusa das pessoas. “A baixa nas doações durante os meses mais frios é um desafio que precisa ser enfrentado. Isso porque o leite humano é insubstituível para bebês prematuros e de risco, e a demanda por ele não diminui, mesmo com a queda no número de doações”, alerta a Dra. Cláudia Bis, coordenadora do curso de Enfermagem da Faculdade Anhanguera Ribeirão.
O leite materno é considerado o melhor e mais perfeito alimento para o bebê, especialmente para aqueles que nascem prematuros ou com baixo peso. É um alimento que contém anticorpos que colaboram com o sistema de defesa imaturo dos recém-nascidos, protegendo-os e armando-os contra infecções e doenças, além de ser rico em nutrientes essenciais para o seu crescimento e desenvolvimento.
Nos bancos de leite humano, o leite é armazenado e distribuído a hospitais e unidades de terapia intensiva neonatal, onde os bebês em risco (com prematuridade extrema e outras patologias) estão sendo tratados. A doação de leite humano permite que esses bebês recebam os benefícios do aleitamento materno, mesmo quando a mãe não pode amamentá-los diretamente, seja por questões de saúde ou outros fatores.

De acordo com a Dra. Cláudia, durante o inverno, os estoques nos bancos de leite tendem a cair drasticamente. A baixa no número de doações pode ser atribuída a uma série de fatores, incluindo o fato de que muitas mulheres enfrentam dificuldades para amamentar ou manter a produção de leite nos meses mais frios. Além disso, o inverno também leva as pessoas a ficarem mais em casa e a diminuírem a frequência das doações.
“Durante o inverno, a falta de doações pode afetar diretamente os bebês que dependem do leite humano. Por isso, é fundamental que as mães que têm condições de doar leite se conscientizem da importância desse gesto, principalmente nesse período de maior necessidade”, ressalta a coordenadora.
Como doar leite humano?

A doação de leite humano é simples, mas exige alguns cuidados para garantir a segurança e a qualidade do leite. A coordenadora explica que é necessário que as doadoras sigam algumas orientações de higiene e armazenamento, além de passar por um processo de triagem realizado pelos bancos de leite humano. “Para doar, a mãe precisa estar saudável, com produção de leite suficiente e disposta a compartilhar o leite excedente com os bebês que precisam. O processo de doação envolve o preenchimento de um cadastro, a triagem de saúde e o ensino sobre a forma adequada de ordenhar e armazenar o leite. O leite pode ser coletado de forma caseira, desde que siga todas as orientações dos profissionais de saúde”.
Além das mães que podem fazer a doação, a sociedade também desempenha um papel crucial na conscientização sobre a importância da doação de leite humano. A Dra. Cláudia destaca que é essencial que as pessoas espalhem a informação e incentivem as mulheres a se tornarem doadoras. “A solidariedade é um componente fundamental. Muitas vezes, os bebês que recebem leite humano de modo exclusivo, não têm outra alternativa alimentar, e isso pode significar a diferença entre a vida e a morte”, afirma.
“A doação de leite humano é um ato de amor que pode fazer toda a diferença na vida de uma criança. Convidamos todas as mulheres que têm condições de doar a se engajar nesse gesto nobre e contribuir para salvar vidas”, conclui.