Estados Unidos e Irã: 5 pontos para entender a escalada militar
Com o envio de porta-aviões e ameaças de ataques, a tensão entre Estados Unidos e Irã atinge nível crítico em 2026
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 31/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A tensão entre Estados Unidos e Irã escalou de forma dramática nas últimas semanas, colocando a comunidade internacional em estado de alerta máximo. O presidente americano Donald Trump intensificou as ameaças militares contra Teerã, condicionando a paz a exigências severas sobre o programa nuclear e o respeito aos direitos humanos após os protestos que abalaram o país persa na virada do ano.
Para sustentar a pressão, Washington deslocou o porta-aviões Abraham Lincoln, acompanhado de uma frota de navios de guerra, bombardeiros e caças furtivos para o Golfo Pérsico. O posicionamento estratégico permite que as forças americanas atinjam alvos em solo iraniano em questão de minutos, uma demonstração de força que visa forçar Masoud Pezeshkian, presidente do Irã, a retornar à mesa de negociações sob os termos de Trump.
Entenda as tensões entre Estados Unidos e Irã
De acordo com Carlos Gustavo Poggio, professor de Relações Internacionais do Berea College, o braço de ferro entre Estados Unidos e Irã ocorre em um momento de avanços técnicos consideráveis, mas de extrema opacidade por parte de Teerã. A expulsão de observadores internacionais das instalações nucleares dificultou o monitoramento global.
“O Irã tem bastante avanço no ponto de vista do conhecimento técnico”, explica Poggio. No entanto, o especialista alerta que os ataques e as sabotagens atribuídas a Israel e aos EUA no ano passado produziram um efeito colateral: o Irã enterrou ainda mais seu programa nuclear. “A tendência é tornar esses desenvolvimentos ainda mais escondidos, empurrando-os para o subsolo e deixando qualquer evolução muito menos visível aos olhos do mundo”, analisa.
A estratégia de coerção de Donald Trump
A abordagem da Casa Branca na relação entre Estados Unidos e Irã tem sido pautada pelo que especialistas chamam de “diplomacia da força”. Donald Trump exige não apenas a interrupção total do enriquecimento de urânio, mas também o fim da repressão doméstica a dissidentes.
Contudo, Poggio destaca que essa estratégia de coerção pode ser um tiro no pé no longo prazo:
- Concessões efêmeras: A coerção pode gerar recuos imediatos, mas raramente resolve problemas estruturais.
- Custo Político: Para o governo Pezeshkian, ceder publicamente às ameaças americanas representa um risco de desestabilização interna frente aos setores mais conservadores do regime.
- Vácuo Institucional: A retirada dos EUA de organismos da ONU enfraquece a figura dos “observadores neutros”, essenciais para validar qualquer acordo nuclear futuro.
Resposta iraniana e o risco de conflito aberto
Enquanto os navios americanos patrulham as águas do Golfo, o ministro de Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, mantém uma postura dúbia: afirma que o país está disposto a retomar o diálogo, mas apenas se os Estados Unidos e Irã estiverem em pé de igualdade, sem a sombra de um ataque iminente.
A ausência de canais diplomáticos sólidos entre Estados Unidos e Irã aumenta o risco de um erro de cálculo militar. Sem inspetores da AIEA no local para verificar o progresso nuclear, o mundo depende de relatórios de inteligência que, no passado, já se provaram imprecisos. O que se vê em 2026 é uma gestão da crise baseada na estagnação e no risco, onde qualquer fagulha no Golfo Pérsico pode desencadear um conflito de proporções globais.