Estados Unidos adiam tarifas sobre chips da China para 2027
Governo dos Estados Unidos busca conter domínio chinês em semicondutores, mas posterga taxas para aliviar tensões globais e proteger suprimentos
- Publicado: 17/02/2026
- Alterado: 23/12/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Serginho Lacerda
A guerra comercial tecnológica entre as duas maiores potências do mundo ganhou um novo e estratégico capítulo. Nesta terça-feira (23/12), o governo dos Estados Unidos oficializou a intenção de aplicar tarifas rigorosas sobre a importação de semicondutores chineses. A decisão fundamenta-se na análise de que Pequim adota práticas “não razoáveis” para dominar o mercado global de chips, o que representaria uma ameaça direta à soberania econômica americana.
Apesar do tom firme, a implementação prática dessas taxas foi postergada para junho de 2027. O adiamento é visto por analistas como uma manobra dos Estados Unidos para ganhar fôlego na reestruturação de suas próprias cadeias produtivas, evitando um choque imediato de preços em setores que dependem desses componentes, como a indústria automotiva e de eletrodomésticos.
Investigação aponta práticas desleais e riscos ao comércio
A medida anunciada pela Casa Branca é o desfecho de uma investigação minuciosa iniciada ainda na gestão anterior, que mapeou a exportação massiva de chips “legados” — versões mais antigas, porém essenciais — da China para os Estados Unidos. Segundo representantes do Comércio Americano, a estratégia chinesa de inundar o mercado com componentes subsidiados resulta em uma sobrecarga injusta ao comércio global.
“A busca da China pela dominação absoluta no setor de semicondutores é considerada irracional e restringe o fluxo comercial dos Estados Unidos”, afirmou um porta-voz oficial. Para o governo, a adoção de medidas corretivas é a única via para garantir que as empresas americanas não sejam asfixiadas por uma concorrência desleal orquestrada pelo Estado chinês.
Reação de Pequim e o equilíbrio diplomático
A resposta da China foi imediata e crítica. Através da Embaixada em Washington, o governo chinês manifestou forte oposição, alegando que os Estados Unidos estão transformando questões tecnológicas em “armas políticas”. Segundo a nota, essa postura desestabiliza as cadeias de suprimentos mundiais e poderá ter consequências negativas para a economia de ambos os países.
A diplomacia chinesa ainda enfatizou que tomará “todas as ações necessárias” para proteger seus interesses legais. Esse embate ocorre em um momento delicado, logo após a China impor restrições à exportação de metais raros, insumos básicos para a indústria de alta tecnologia nos Estados Unidos.
O futuro da tecnologia e as tensões globais
Ao manter a capacidade de impor tarifas, mas estender o prazo de aplicação, a administração Trump tenta equilibrar dois pratos: a necessidade de mostrar força contra o avanço tecnológico chinês e o receio de uma inflação descontrolada nos produtos eletrônicos. Os detalhes técnicos sobre as novas alíquotas serão divulgados com 30 dias de antecedência antes da vigência em 2027.
O cenário projeta um período de intensa negociação e possível realocação de fábricas. Para os Estados Unidos, o objetivo final é reduzir a dependência externa em setores críticos, garantindo que o coração da tecnologia moderna — os chips — não seja usado como ferramenta de pressão geopolítica em futuras crises mundiais.