Espetáculo Refloresta aborda território e resistência feminina

Espetáculo une teatro, música e histórias afro-indígenas em experiência sensorial sobre memória e pertencimento

Crédito: Mariá Gábriéla

Entre rios soterrados, memórias apagadas e a força ancestral de uma mulher-onça, o espetáculo “Refloresta: Raízes e Selvageria!”, protagonizado por Mariá Gábriéla, propõe uma experiência sensorial que atravessa passado e presente para revisitar histórias silenciadas da formação do ABC paulista.

Misturando teatro de rua, performance itinerante, musicalidade e narrativas afro-indígenas-brasileiras, a montagem rompe com perspectivas coloniais e reimagina o território a partir das vozes da terra, das águas e dos corpos femininos.

Mulher-onça atravessa o tempo e resgata histórias apagadas

Espetáculo - Refloresta: Raízes e Selvageria!
Mariá Gábriéla

A trama nasce da perspectiva de uma “mulher-bicho”, uma onça imortal disfarçada de mulher, que atravessa os séculos desde antes da chegada dos colonizadores ao Brasil. A partir dessa figura mítica, o espetáculo revela camadas ocultas da história brasileira e recupera imaginários apagados pela lógica colonial.

Inspirada no Caminho de Peabiru, antiga rota indígena que ligava a Cordilheira dos Andes ao Oceano Atlântico, a dramaturgia percorre a região de São Caetano do Sul, cidade natal da artista, transformando a obra também em um gesto de pertencimento e reconexão ancestral.

Arte pública, denúncia e celebração coletiva

Mariá Gábriéla

Com atuação e dramaturgia assinadas por Mariá Gábriéla, direção cênica de M. Batalha e direção musical de Talita Cabral, Refloresta: Raízes e Selvageria!” articula denúncia e encantamento ao abordar violências históricas contra mulheres, povos originários, rios e florestas.

Mesmo diante de temas sensíveis, a montagem preserva o humor, a ludicidade e a celebração coletiva como ferramentas de resistência e conexão com o público.

Mestra em Artes-Teatro pela Universidade Estadual Paulista, Mariá Gábriéla também é pesquisadora, escritora e investigadora do teatro de rua brasileiro contemporâneo. Coordenadora do Grupo Mãe da Rua e articuladora da Rede Brasileira de Teatro de Rua, a artista constrói uma trajetória marcada pela defesa da arte pública, gratuita e acessível.

Reflexão sobre selvageria e memória brasileira

Segundo M. Batalha, a montagem provoca questionamentos urgentes sobre identidade e natureza humana.

“Onde mora o bicho na gente? Como despertar a selvageria domesticada e deixar que ela conte histórias que precisam ser ouvidas?”, afirma a diretora cênica.

Para Talita Cabral, o espetáculo ultrapassa os limites tradicionais do palco e se consolida como experiência coletiva de reconstrução da memória brasileira.

“Mais do que um espetáculo, ‘Refloresta: Raízes e Selvageria!’ se afirma como ritual cênico, manifesto artístico e experiência coletiva de reflorestamento da memória brasileira”, destaca a diretora musical

Serviço

Refloresta: raízes e selvageria
Data: 16 de maio ( sábado), às 20h
Local:  Centro Cultural Casa Spica, (Rua Pernambuco, 263, no Centro de São Caetano do Sul)
A peça permanece em cartaz nos dias 23 e 30 de maio
Ingressos

  • Publicado: 11/05/2026 11:54
  • Alterado: 11/05/2026 11:54
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: Assessoria