Espetáculo infantil Lara e o Pássaro estreia em ambiente digital
Montagem do Coletivo Animales é inspirada na peça O Pássaro Azul, do dramaturgo Maurice Maeterlinck e no universo dos filmes infantis do diretor japonês Hayao Miyazaki
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 29/03/2021
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Lara e o Pássaro, do Coletivo Animales, é uma fábula sobre como crescer pode transformar as pessoas, um resgate de uma cumplicidade perdida, uma jornada de um tipo de crescer onde percebemos e respeitamos o outro e a nós mesmos. Com dramaturgia de Sofia Fransolin, direção de Luciana Mizutani e direção cinematográfica de Rafaela Bermond, o espetáculo infantil estreia em ambiente digital no dia 3 de abril, sábado, às 15h, no canal do YouTube do Coletivo Animales e traz no elenco os atores Catarina Eichenberger, Gabriel Pangonis, Giovana Telles, Luan Assunção e Rafa Marotti.
Fruto de muitos encontros, contágios e misturas potentes, Lara e o Pássaro tem orientação do ator e diretor Eduardo Okamoto, direção musical de Marcelo Onofri e orientação de visualidades de Helô Cardoso. Na montagem, Lara (Giovana Telles), ao assistir à sua irmã mais nova, Cora (Catarina Eichenberger), adoecer de tristeza, embarca em uma aventura pelo jardim de sua casa em busca do Pássaro Azul.
Inspirado na peça O Pássaro Azul, do dramaturgo Maurice Maeterlinck e no universo dos filmes infantis do diretor japonês Hayao Miyazaki, Lara e o Pássaro estabelece uma relação direta com a retomada de certos valores tradicionais do Japão presentes no trabalho de Miyazaki junto ao Estúdio Ghibli. Nesses filmes, especialmente em Meu vizinho Totoro (1988) é apresentado um mundo no qual a natureza é recheada de “essência” e, por isso, deve ser respeitada e celebrada. A partir deste ponto de contato, mistura-se Maeterlinck e Miyazaki em uma nova composição.
Meninas protagonistas
Primeira direção de Luciana Mizutani no universo infantil, Lara e o Pássaro busca junto ao público um exercício de imaginação, que o convida a perceber o mundo para além das percepções imediatas, condicionadas pela visão a olho nu dos objetos que formam o cotidiano.
Para a diretora, não existem muitas histórias legais para as meninas nas quais elas pudessem ser protagonistas ativas de suas vidas. “O desenho Meu Vizinho Totoro, do Hayao Miyazaki, serviu como inspiração, mas a principal mensagem é a de que é possível crescer, mudar e ser cuidadoso e afetivo. Por isso contamos sobre duas irmãs que precisam resgatar essa cumplicidade que acaba sendo perdida no doloroso processo do crescimento”, explica Luciana.
Já a dramaturga, Sofia Fransolin, conta que Lara e o Pássaro também é seu primeiro texto para crianças, mas que a experiência foi tão bacana que já tem mais dois sendo finalizados. “O texto aborda com muitos simbolismos e metáforas o resgate de uma cumplicidade perdida, uma jornada de um tipo de crescer onde percebemos e respeitamos o outro e a nós mesmos. A peça é o desejo de que podemos existir mais compreensivos e afetivos uns com os outros”, define ela.
Outro ponto destacado por Luciana Mizutani foi o desafio de transpor o espetáculo para o ambiente digital mantendo a cumplicidade com o público por meio de uma tela. “Levar a peça para o online é a nossa melhor tradução de cuidado e afeto, não apenas como mensagem, mas em nossas ações ao buscar as maneiras mais seguras tanto para artistas quanto para o público”, enfatiza a diretora.
Músicas orientais com instrumentos brasileiros
Sem cenários grandiosos, móveis, telões pintados ou projeções, Lara e o Pássaro apresenta um palco vazio em diálogo com a estética tradicional japonesa que embasa a obra de Miyazaki. A iluminação, por sua vez, se aproveita do palco vazio para explicitar sua própria dramaturgia. Ela trabalha sempre evocando os espaços da fábula sob o ponto de vista das crianças. Assim, o quarto, apesar de quente, é bastante apertado e não dá muito espaço para a imaginação, enquanto a noite no quintal, apesar de fria, tem uma vastidão libertadora. Dessa forma, as trocas de iluminação não são simples trocas de cenário, mas acompanham as mudanças e transformações dos sentimentos e sensações das crianças, especialmente de Lara.
A trilha sonora composta por Marcelo Onofri assume a função de criar tensão ao longo do espetáculo. Fugindo de concepções óbvias, essa tensão proporciona uma dicotomia que causa surpresa no espectador, uma vez que, o que se vê, aparentemente, se desenvolve em contraponto ao que se escuta. As músicas compostas para que o ouvido do público reconhecesse algo de oriental são todas tocadas com instrumentos tipicamente brasileiros.
O figurino é inspirado na estética japonesa, mais especificamente em uma linha que mistura elementos de vestuário clássicos japoneses com elementos da moda ocidental atual. Com cores vivas e vibrantes, suas formas buscam simbolizar, de maneira delicada e sutil, ora o cenário, ora a essência de cada personagem.