Espetáculo gratuito percorre SP e reflete a identidade latino-americana

A peça "Mirar: Quando os Olhos se Levantam" será apresentada em teatros municipais como parte da celebração dos 10 anos do Coletivo Labirinto

Crédito: Divulgação/Mayra Azzi

O que pulsa a América Latina? Que histórias seus diversos territórios contam? É sobre estas perguntas que o Coletivo Labirinto se debruçou durante o processo de criação de Mirar: Quando os Olhos se Levantam, com direção e dramaturgia de Jé Oliveira. O espetáculo estreou em 2022 na capital paulista, percorreu o interior do Estado no último ano e agora ganha novas apresentações gratuitas pelos teatros da prefeitura como parte da celebração de sua primeira década de existência e trajetória.

Ao longo deste semestre, o espetáculo percorrerá todas as regiões da cidade, passando pelos Teatros Municipais Paulo Eiró (de 7 a 9 de março), Arthur Azevedo, Cacilda Becker e Alfredo Mesquita (esses últimos com datas ainda a confirmar pela Secretaria Municipal de Cultura). Em cena, estão Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez, Lua Bernardo e Beatriz França (musicistas).

Uma viagem cênica pela identidade latino-americana

As novas sessões de Mirar: Quando os Olhos Se Levantam marcam o começo do Projeto “Pés-Coração: A América Latina Como Caminho”, em que o Coletivo Labirinto celebra sua primeira década de pesquisa sobre a dramaturgia latino-americana contemporânea. O projeto é viabilizado pelo apoio do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo – Edição 43. Além dessa circulação, o projeto inclui leituras encenadas e laboratórios de criação, culminando na estreia de um novo espetáculo no primeiro semestre de 2026.

Depois de diversas experiências com textos de países como Argentina, Uruguai e Chile, o Labirinto propõe, em MIRAR…, um mergulho na identidade latino-americana. A peça reflete sobre histórias, dores e cores do continente, explorando tanto sua potência quanto suas contradições.

Em diálogo com a obra de Augusto Boal, o espetáculo busca retratar as crônicas da América Latina, contrastando a década de 1970 com os dias atuais. Tudo isso para encontrar uma América Latina viva, diversa, corajosa e, espera-se, mais real.

“As vertentes decolonais, anticoloniais, descoloniais, contracoloniais… Todas têm em comum o desejo de problematizar o impacto das invasões europeias nos séculos XV e XVI. Este espetáculo aposta no poder do símbolo, da imagem e da poesia. É sempre tempo e oportunidade para que mais pessoas pensem suas próprias histórias e sua presença neste mundo”, destaca Abel Xavier.

Na trama, quatro caminhantes percorrem lugares e histórias da América Latina em uma espécie de busca-viagem por pertencimento. O espetáculo lança mão de expedientes contemporâneos para revelar o lastro da colonização, celebrar a diversidade dos povos e refletir sobre os aspectos contraditórios do continente.

O processo criativo teve como ponto de partida o livro Crônicas de Nuestra América, de Augusto Boal, publicado em 1977. A obra reúne dez crônicas sobre a cultura e as realidades latino-americanas, observadas pelo autor desde sua saída do Brasil em 1971, período de repressão da ditadura militar.

Para esta jornada, o Coletivo Labirinto contou com a parceria de Jé Oliveira, desenvolvendo um processo criativo colaborativo e politicamente engajado. Improvisações, composições cênicas e exploração de elementos simbólicos foram algumas das estratégias utilizadas na construção do espetáculo. O resultado é uma peça que mescla teatro épico e poesia visual, guiando o público por um percurso reflexivo e sensorial sobre a América Latina.

Sobre o Coletivo Labirinto

Fundado em 2013, o Coletivo Labirinto é um núcleo de pesquisa e criação cênica formado por artistas que transitam entre direção, atuação, performance e produção. O grupo investiga a relação entre indivíduos e o panorama social através da dramaturgia latino-americana contemporânea.

Entre seus trabalhos, destacam-se “Sem_Título” (2014), “Argumento Contra a Existência de Vida Inteligente no Cone Sul” (2019), “Onde Vivem os Bárbaros” (2021/2022) e “Mirar: Quando os Olhos se Levantam” (2022).

Serviço

Mirar: Quando os Olhos se Levantam, com Coletivo Labirinto

Duração: 75 minutos
Classificação: 14 anos
Teatro Paulo Eiró
Endereço: Av. Adolfo Pinheiro, 765, Santo Amaro, São Paulo
Quando: 7 a 9 de março (sexta e sábado às 21h, domingo às 19h)
Quanto: grátis (ingressos na bilheteria 1h antes do início das sessões)

Mais informações: www.coletivolabirinto.com.br | @coletivo.labirinto

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 27/02/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo