Espetáculo "eXílio" debate deslocamentos forçados e ganha sessões gratuitas em SP
Coletivo Comum estreia peça no Teatro Paulo Eiró em 30 de maio e segue para o Galpão do Folias em junho; montagem discute exílios externos e internos com dramaturgia documental e forte carga política
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 19/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Os deslocamentos forçados — motivados por guerras, perseguições, mudanças climáticas ou violações de direitos humanos — são hoje um dos temas mais urgentes do debate global. E é com base nessa realidade que o Coletivo Comum criou o espetáculo “eXílio”, que faz temporada gratuita no Teatro Paulo Eiró, de 30 de maio a 15 de junho de 2025, e, em seguida, no Galpão do Folias, entre 19 e 30 de junho.
A montagem parte de uma ampla pesquisa documental para abordar a experiência de quem é forçado a deixar sua terra — ou sente-se exilado mesmo sem sair do próprio país. Com 30 cenas independentes, o espetáculo lança luz sobre temas como migração, refúgio, ditaduras, exclusão social e não pertencimento.
Encruzilhadas contemporâneas
Segundo o diretor Fernando Kinas, o “X” em caixa alta no título representa a encruzilhada, o conflito e as contradições de um mundo em crise. “A obra é uma resposta à brutalidade de um tempo em que a condição de exilado é cada vez mais comum, seja pela guerra na Ucrânia, pelo genocídio na Palestina ou pela ascensão de líderes autoritários como Donald Trump”, explica.
A dramaturgia mescla documentos históricos, cartas de migrantes, notícias e trechos literários, com destaque para o livro Conversas de Refugiados, de Bertolt Brecht, traduzido por Tercio Redondo, que também atua como consultor da montagem.
Exílios externos e internos
“eXílio” amplia o conceito para refletir sobre a experiência de estar deslocado mesmo dentro do próprio país, como durante os regimes militares brasileiros ou em vivências cotidianas de exclusão. A obra evoca também o sentimento de exílio do próprio corpo, vivido por pessoas LGBTQIAP+, vítimas de preconceito e violência.
Entre os personagens reais que inspiraram o espetáculo estão:
- Moïse Kabagambe, imigrante congolês morto no Rio de Janeiro em 2022;
- Dorinha, militante brasileira exilada durante a ditadura que cometeu suicídio;
- Edward Said, intelectual palestino que criticou a representação do Oriente pelo Ocidente.
Palco como campo de resistência
Com encenação em formato circular, o coletivo cria um “campo” simbólico que remete tanto a campos de refugiados quanto a espaços de resistência. A diretora assistente Beatriz Calló destaca: “Quando o elenco está mais próximo do público, ele também está exilado da cena. É um deslocamento que busca empatia.”
A trilha sonora, executada ao vivo pelo elenco, tem papel central na narrativa. Os artistas Renata Soul e Roberto Moura (também responsável pela direção vocal) dão vida a canções que evocam memórias e identidades.
SERVIÇO
eXílio
Duração: aproximadamente 140 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
TEATRO PAULO EIRÓ
30 de maio a 15 de junho de 2025
Quinta a sábado às 20h30, domingos às 18h
Av. Adolfo Pinheiro, 765 – Santo Amaro, São Paulo – SP
Entrada gratuita
Sessão com intérprete de Libras: 13 de junho
GALPÃO DO FOLIAS
19 a 30 de junho de 2025
Quinta a sábado às 20h30, domingos às 18h; segunda (30/06), às 20h30
R. Ana Cintra, 213 – Campos Elíseos, São Paulo – SP
Entrada gratuita
Sessão com intérprete de Libras: 27 de junho
Reservas: circulacaoexilio@gmail.com
Instagram: @coletivocomum
Site: www.coletivocomum.com.br