Espetáculo “A Língua Mãe” reflete sobre o poder da palavra
Peça com Monica Biel faz temporada no Sesc Pinheiros até 26 de abril e propõe uma crítica bem-humorada à sociedade contemporânea e à comunicação acelerada
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 23/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Com uma homenagem à palavra, o poder que ela tem na construção das (in)verdades em uma era marcada pela metamorfose acelerada da comunicação, o espetáculo A Língua Mãe, do premiado autor espanhol Juan José Millás, faz temporada até 26 de abril no Sesc Pinheiros, com sessões sempre quintas, sextas e sábados às 20h. Em cena, está Monica Biel, que além de viver a protagonista cheia de humor e ironia, fez a tradução e adaptação da história para o palco com a direção de André Paes Leme.
Crítica bem-humorada ao caos contemporâneo
A peça é um convite bem-humorado à reflexão sobre as mudanças provocadas pelas crises da comunicação e da sociedade capitalista nos novos tempos, e de que forma essas modificações contribuem para banalizar conceitos e influenciar nossas vidas. A montagem aponta a importância da palavra na manipulação das informações e na negligência em relação aos fatos para a qual a sociedade caminha.
Por meio de pequenas histórias, anedotas, segredos de família e casos vividos e relatados pela protagonista, o texto parte de uma defesa da gramática e da ordem alfabética para desembocar em questionamentos sobre a própria existência e os rumos do ser humano no caos do mundo contemporâneo.
“A personagem é uma mulher, uma palestrante, e o objetivo dela é falar sobre a gramática e a ordem alfabética, mas acaba enveredando para diversos assuntos, e faz uma crítica severa ao mercado financeiro, à crueldade do mundo capitalista, onde se normaliza vender produtos inúteis até para aqueles que não podem pagar. Faz uma reflexão sobre palavras como liberal, liberdade, progressismo, socialismo, justiça, trazendo uma série de reflexões políticas. A personagem tem prazer em fazer as conexões entre a sua história pessoal e a sociedade em que ela vive, é obcecada pelas palavras”, conta Monica Biel.
Texto, direção e atuação em sintonia
A direção está sintonizada com o texto e bem centrada na atuação. A palavra é o que sobressai em cena, com uma simplicidade na proposta cênica, onde cenário, luz, figurino e trilha sonora também seguem o mesmo estilo. “Em tempos de velozes transformações, vale relembrar o que é mesmo essencial. Neste sentido, a peça é um convite para que, provocados pelos significados das palavras, façamos uma viagem na memória. Inicialmente, parece apenas uma divertida narrativa sobre a gramática, mas, aos poucos, somos lançados numa perspicaz reflexão crítica sobre os posicionamentos políticos e econômicos da sociedade contemporânea e na nossa própria história de vida. Riqueza da arte teatral: nos fazer protagonistas sem que percebamos”, enfatiza André Paes Leme.
Juan José Millás é um autor espanhol, entre seus romances estão “A Desordem do Teu Nome”, “Assim Era a Solidão”, “Duas Mulheres em Praga” e “Laura e Júlio”. Desde suas primeiras publicações, foi reconhecido pelo público e pela crítica, destacando-se os prêmios Sésamo, Nadal e Primavera. Sua obra narrativa está traduzida em vinte e três línguas. O autor se dedica ao jornalismo, é colunista regular do diário El País e autor de reportagens e artigos em vários jornais.
“É um autor com uma escrita bem-humorada, afiada, que aborda assuntos que interessam a todo mundo, criando uma identificação imediata. Tenho uma enorme admiração por quem sabe usar as palavras, entende a importância que a comunicação tem para todos nós, possui uma cabeça e um espírito livre e nos ajuda a ver o mundo de forma leve, solidária e amorosa. O texto nos propõe isso: entender que somos diferentes, que todos somos interessantes e que, com bom humor, tudo fica mais fácil”, salienta a atriz.
“A Língua Mãe” fez várias apresentações no Rio de Janeiro desde sua estreia em 2023, como no Espaço ABU, Teatro Municipal Café Pequeno, Festival Midrash de Teatro e Instituto Cervantes.
Serviço
A Língua Mãe
Dias: Até 26 de abril |quinta a sábado, às 20h|Dia 18 de abril – feriado, não haverá sessão.
Duração: 60 minutos
Local: Auditório
Classificação: 12 anos
Ingressos: R$ 50 (inteira); R$ 25 (meia) e R$ 15 (credencial plena)
sescsp.org.br/pinheiros
Sesc Pinheiros – Rua Paes Leme, 195
Estacionamento com manobrista: Terça a sexta, das 7h às 21h30; sábados das 10h às 21h; domingo e feriado, das 10h às 18h30.