‘;Espero que o STF tome a melhor decisão’, diz Moro em entrevista

_x000D_ Para juiz, se Corte revir 2.ª instância, eleitor pode ‘cobrar’ candidatos a presidente sobre medidas contra a impunidade. ‘Nós, brasileiros, não podemos chegar às eleições cabisbaixos’

Crédito: Reprodução TV Cultura

O juiz Sérgio Moro afirmou na noite desta segunda-feira, 26, esperar que o Supremo Tribunal Federal “tome a melhor decisão” no julgamento do habeas corpus do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em segunda instância a 12 anos e 1 mês de prisão. “Eu nem sequer tenho opção de cumprir ou não cumprir”, disse o magistrado sobre a ordem de prisão do ex-presidente.

Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o magistrado voltou a defender o início da execução penal após a condenação em segundo grau. Moro disse, porém, que se o entendimento firmado pelo Supremo em 2016 for alterado, existem alternativas para que a execução penal antes de esgotados todos os recursos seja permitida.

“Pode-se cobrar dos candidatos à Presidência qual é a posição em relação à impunidade e quais medidas eles pretendem estabelecer. Pode ser justamente substituir por uma emenda constitucional”, afirmou o juiz. Para Moro, “uma revisão desse precedente (prisão após condenação em segunda instância) passaria uma mensagem errada”.

Sobre a possível prisão do petista, Moro disse que não tem como escolher. “A prisão vai depender do Supremo. Se vier para mim, nem sequer tenho opção.” Moro ainda elogiou os ministros da Corte Celso de Mello e Rosa Weber – apontada como fiel da balança na análise do habeas corpus de Lula.

‘NÓS, BRASILEIROS, NÃO PODEMOS CHEGAR ÀS ELEIÇÕES CABISBAIXOS’, , afirmou o juiz federal Sérgio Moro, responsável pelas ações da Operação Lava Jato na primeira instância.
O magistrado afirmou, ao falar da corrida presidencial, que não se pode generalizar quando se fala de políticos, mas que há “bons candidatos”. Ao mesmo tempo, segundo ele, “há outros não tão bons” e ainda existem outros ainda que “merecem juízo maior de censura”.

Ao comentar as manifestações de 2015 e 2016, Moro disse que as pessoas que saíram às ruas “fizeram uma grande diferença”. O juiz ressaltou que havia várias bandeiras, incluindo a insatisfação com a economia e com o governo anterior, mas ponderou que houve uma coisa em comum, que foi a insatisfação com a corrupção.

Para o juiz, há outras maneiras de as pessoas defenderem a causa, escolhendo bem seu candidato nas eleições. “Não adianta um candidato nas eleições chegar e dizer: ‘Ah, eu sou contra a corrupção’. Não, ele tem que dizer o que ele pensa para combater a corrupção.”

PRISÕES PREVENTIVAS
Moro também defendeu a prisão após o julgamento em segunda instância. “Seria ótimo esperar o julgamento final, mas isso, aliado a nosso sistema judicial, que é extremamente generoso em recursos, você tem um processo sem fim”, disse o magistrado. Ele afirmou ainda que os litígios chegam a durar mais de dez anos e alguns acabam por prescrever. “Isso na prática é impunidade.”

A “generosidade de recursos”, disse, é aproveitada pelos “poderosos”, que têm condições financeiras de contratar os melhores advogados. “Se alguém cometeu um crime, a regra é que tem ser punido.” Ainda na primeira parte de perguntas do programa, o juiz defendeu a redução do alcance do foro privilegiado. Alguns ministros do Supremo Tribunal, ressaltou o juiz, já declararam que o foro privilegiado não funciona muito bem. “O STF não é preparado para julgar esses benefícios.”

“Posso não ter acertado sempre, mas sempre agi com a pretensão de fazer a coisa certa”, disse Moro, ao falar de suas decisões para os condenados da Lava Jato. Com o tempo, declarou, as pessoas vão entender as suas decisões. “A Operação Lava Jato revela que havia um quadro de corrupção sistêmica.”

Moro disse que “a fama é passageira” e que o sucesso da Operação Lava Jato se deve a outros nomes, entre eles o juiz Marcelo Bretas, responsável pela operação no Rio. “A Operação Lava Jato não é uma operação de uma pessoa só.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 27/03/2018
  • Fonte: FERVER