Especialistas desmentem alegações falsas sobre cirurgia e recuperação de Lula
Análise revela que os procedimentos realizados foram bem-sucedidos e dentro do esperado, refutando vídeos que questionavam a recuperação rápida e as técnicas médicas
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/12/2024
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Nos últimos dias, surgiram questionamentos nas redes sociais sobre a veracidade das cirurgias realizadas no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ocorreram nos dias 10 e 12 de dezembro. Críticas foram levantadas por um vídeo que insinuava que a recuperação rápida do presidente após procedimentos considerados invasivos era incomum e questionava a higienização do hospital, alegando que o cabelo do paciente não havia sido raspado. Entretanto, uma investigação conduzida pelo Estadão Verifica desmascarou essas alegações como falsas.
A análise revelou que, embora o autor do vídeo tenha apresentado algumas informações verdadeiras sobre os procedimentos médicos, ele distorceu os fatos ao classificar um dos procedimentos como excessivamente invasivo. Especialistas em neurocirurgia consultados afirmaram que a recuperação de Lula está dentro do esperado e que ambos os procedimentos foram realizados com sucesso.
O Hospital Sírio-Libanês, onde o presidente foi tratado, confirmou que todas as informações pertinentes estão disponíveis em boletins médicos e coletivas de imprensa. No dia 10 de dezembro, Lula passou por uma trepanação – uma técnica menos invasiva de craniotomia – após ser diagnosticado com hemorragia intracraniana durante exames realizados em Brasília. O procedimento envolveu pequenas perfurações no crânio para a drenagem do hematoma subdural.
De acordo com o médico Mauro Suzuki, da equipe responsável pelo tratamento no Sírio-Libanês, a cirurgia consiste na criação de pequenos orifícios para a introdução de um dreno. “Esse é um procedimento padrão na neurocirurgia, normalmente resultando em cicatrização espontânea sem necessidade de intervenções adicionais”, explicou.
O neurocirurgião Wuilker Knoner Campos, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), complementou que altas hospitalares rápidas são comuns após esse tipo de intervenção. “Pacientes geralmente recebem alta entre o terceiro e quinto dia após a cirurgia. O fato de Lula ter saído caminhando no dia seguinte à embolização cerebral é completamente normal”, afirmou.
Adicionalmente, foi levantada a hipótese de que o cateterismo realizado no presidente seria uma operação agressiva e dolorosa. Contudo, especialistas reafirmaram que este procedimento é considerado minimamente invasivo e permite que pacientes se movimentem em até 24 horas após sua realização. O neurorradiologista intervencionista Renato Tosello afirmou: “O anormal seria o contrário; é perfeitamente normal que pacientes estejam bem no dia seguinte ao cateterismo”.
O vídeo também insinuou que o presidente não havia realmente passado pelos procedimentos mencionados devido à ausência de uma raspagem significativa do cabelo. No entanto, Lula demonstrou durante uma entrevista pós-alta que parte de sua cabeça estava devidamente raspada e coberta por curativos.
Com relação ao cateterismo da artéria femoral realizado no dia 12, o procedimento visava reduzir as chances de novos hematomas. Tosello explicou que se trata de uma técnica simples, com uma incisão mínima na artéria femoral, permitindo o acesso até a área afetada no cérebro. Segundo os boletins médicos do hospital, Lula recebeu alta no dia 15 de dezembro e apresentou boa recuperação, caminhando pelos corredores na manhã seguinte ao cateterismo.
Em suma, as alegações veiculadas sobre a recuperação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os procedimentos cirúrgicos realizados carecem de fundamento e foram refutadas por especialistas da área médica.