Especialista analisa caso de racismo contra Vinícius Júnior
Em entrevista exclusiva ao ABCdoABC, o Dr. Cláudio Klement Rodrigues analisa o caso de racismo envolvendo Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 18/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em uma partida que deveria ser celebrada pelo equilíbrio técnico, o empate em 1 a 1 entre Benfica e Real Madrid, pela Champions League, foi manchado por mais um episódio de intolerância. O atacante brasileiro Vinícius Júnior voltou a ser alvo de insultos racistas, desta vez desferidos, supostamente, pelo argentino Gianluca Prestianni.
Para entender as complexas ramificações jurídicas e desportivas deste caso, o portal ABCdoABC conversou com exclusividade com o Dr. Cláudio Klement Rodrigues, advogado especialista em Direito Desportivo.

O “Pacto de Silêncio“: a estratégia de esconder a ofensa contra Vinícius Júnior

A polêmica ganhou contornos dramáticos após o gol de Vinícius Júnior, aos cinco minutos do segundo tempo. Durante a comemoração, Prestianni teria proferido a palavra “mono” (macaco, em espanhol), enquanto cobria a boca com a camisa — um gesto que, segundo especialistas, visa dificultar a prova material.

Em entrevista ao ABCdoABC, o Dr. Cláudio Klement Rodrigues pondera sobre a dificuldade probatória:
“O que se viu foi uma discussão em que Vinícius Júnior proferiu ofensas, com sites publicando a leitura labial do atleta, mas as falas de Prestianni não puderam ser claramente identificadas, pois ele tampou a boca. É importante notar que somente os dois jogadores envolvidos sabem o que realmente foi dito no calor do jogo.”
Apesar da dificuldade técnica da leitura labial no agressor, o especialista é categórico: “Nada justifica o racismo”.
O conflito entre o Direito Humanitário e os Regulamentos da UEFA
Um dos pontos mais sensíveis do embate sobre o Vinícius Júnior foi a reação de Kylian Mbappé, que acusou o adversário diretamente e sugeriu o abandono da partida. No entanto, o Dr. Cláudio alerta para os riscos jurídicos de uma saída unilateral de campo por parte do Real Madrid.
A rigidez das normas de competição
De acordo com o especialista, o ímpeto de justiça dos jogadores para com Vinícius Júnior pode colidir com a burocracia desportiva:
- Punição ao Clube: O Real Madrid sofreria sanções previstas no regulamento por abandonar o jogo (derrota por W.O. ou perda de pontos).
- O Veredito do Especialista: “O direito humanitário não se sobrepõe à rigidez dos regulamentos de competição da UEFA nesses casos”, enfatiza o Dr. Cláudio.
Jurisdição: Onde o crime será julgado?
O caso de Vinícius Júnior tramitará em duas frentes distintas. O Dr. Cláudio Klement detalha a separação entre as leis nacionais e as normas da entidade máxima do futebol:
1. Esfera Criminal (Portugal)
Como o incidente ocorreu no Estádio da Luz, em Lisboa, a jurisdição é portuguesa. O crime de discriminação em solo lusitano pode resultar em penas severas de detenção e multas cíveis.
2. Esfera Desportiva (FIFA/UEFA)
Segue o Código Disciplinar da FIFA, especificamente o Artigo 15, que trata de discriminação.
| Tipo de Sanção | Detalhes da Punição |
| Suspensão Individual | Mínimo de 10 partidas para o atleta infrator. |
| Multas Financeiras | Teto atualizado em 2025 para até 5 milhões de francos suíços. |
| Sanções ao Clube | Perda de pontos, portões fechados ou interdição de setores. |
O “Gesto do X” e os três Passos do protocolo Anti-Racismo
Um diferencial histórico nesta partida foi a aplicação imediata das diretrizes atualizadas no Congresso da FIFA de 2024. Pela primeira vez em um palco desta magnitude, o árbitro utilizou o gesto universal contra o racismo (braços cruzados na altura dos pulsos).
Entenda o Protocolo Ativado:
- Paralisação: Interrupção de 10 minutos com avisos sonoros no estádio.
- Ameaça de Suspensão: Reunião com capitães; se o abuso persistisse, as equipes iriam ao vestiário.
- Abandono Definitivo: Caso a hostilidade continuasse no retorno, o jogo seria encerrado com W.O. contra o infrator.
“Não vou parar de dançar”: A Resposta de Vini Jr.

Mesmo diante da agressão, Vinícius Júnior manteve sua postura de enfrentamento. Após o jogo, o brasileiro criticou a passividade da arbitragem em campo, que o puniu com cartão amarelo pela comemoração, enquanto o agressor não foi advertido de imediato.
“Racistas são, acima de tudo, covardes. Precisam tapar a boca com a camisa para mostrar o quanto são fracos”, desabafou o atleta em suas redes sociais.
A investigação agora segue para os tribunais da UEFA. Com o apoio de provas testemunhais (como o depoimento de Mbappé) e relatórios dos delegados da partida, o desfecho deste caso poderá se tornar um marco na jurisprudência desportiva internacional em 2026.