A Espanha virou a “kriptonita” da França?

Entre EURO, Nations League e Copa, espanhóis acumulam vitórias sobre os Bleus e desafiam a hegemonia francesa

Crédito: Reprodução / CazéTV

Quando o árbitro apitou o fim da semifinal da Copa do Mundo de 2026, o sentimento para os franceses não era apenas o da eliminação, era também o da repetição. Mais uma vez, a Espanha estava do outro lado e, mais uma vez, a França saía derrotada.

O revés por 2 a 0 na semifinal do Mundial foi apenas o episódio mais recente de uma sequência que vem se repetindo. Nos últimos anos, sempre que franceses e espanhóis se encontraram em momentos decisivos, o resultado acabou seguindo o mesmo roteiro.

A história começou há 14 anos, na EURO 2012, quando a França foi eliminada pela Espanha por 2 a 0 nas quartas de final, com doblete do elegante Xabi Alonso.

Já na EURO 2024, após uma campanha marcada pela solidez defensiva, a França chegou à semifinal cercada de expectativas. Do outro lado estava uma Espanha jovem, talentosa e ainda vista por muitos como uma equipe em reconstrução.

O que aconteceu em Munique mudou essa percepção. Os espanhóis venceram por 2 a 1 e avançaram à final, em uma partida eternizada pelo golaço de Lamine Yamal, que se tornou o jogador mais jovem a marcar na história da competição. Dias depois, a Espanha conquistaria o título continental.

A Nations League

Um ano depois do confronto pela EURO, em 2025, França e Espanha voltaram a se encontrar em uma nova semifinal, agora pela Liga das Nações. A partida? Domínio espanhol completo. Lamine Yamal, por pouco, não fez chover naquele jogo. Com 10 minutos do segundo tempo, já estava 4 a 0 para a Espanha. A França ainda tentou a reação e chegou bem perto, mas não conseguiu evitar a derrota por 5 a 4.

A derrota teve um impacto ainda maior pelo contexto. Acostumada a controlar partidas contra adversários de elite, a França viu a Espanha abrir quatro gols de vantagem antes da metade do segundo tempo, algo raro para uma equipe tão competitiva na era Deschamps.

A Copa do Mundo 2026

O Mundial desse ano parecia a oportunidade perfeita para os Bleus darem o troco. A equipe chegou às semifinais pela terceira edição consecutiva do torneio, feito alcançado por pouquíssimas seleções na história. Mais uma vez, porém, o destino reservou um encontro com a Espanha. E, mais uma vez, os franceses encontraram um obstáculo que não conseguiram superar.

O mais curioso é que essa sequência acontece justamente em uma era que deveria pertencer à França. Desde 2016, os Bleus disputaram uma final de Eurocopa, conquistaram uma Copa do Mundo, chegaram a outra final mundial e alcançaram mais uma semifinal. Nenhuma seleção europeia apresentou tamanho nível de consistência no período. Ainda assim, quando os caminhos se cruzam, a Espanha tem levado a melhor.

Isso significa que a França está em declínio?

Pelo contrário. A equipe continua produzindo talentos em ritmo impressionante e permanece entre as principais candidatas a qualquer competição que disputa. O problema é que encontrou um rival que parece conhecer a fórmula para neutralizar suas virtudes.

Durante anos, a Espanha viveu à sombra do sucesso francês. Enquanto os Bleus empilhavam campanhas históricas, os espanhóis buscavam reconstruir sua identidade após o fim da geração campeã do mundo em 2010 e campeã europeia em 2012. Hoje, o cenário parece ter mudado: a nova Espanha não apenas voltou ao topo, mas passou a ser o adversário que a França menos deseja enfrentar.

Nos últimos anos, sempre que a caminhada francesa parece apontar para uma nova final, é a Espanha quem surge para encerrá-la.

  • Publicado: 15/07/2026 10:05
  • Alterado: 15/07/2026 10:05
  • Autor: Vitor Bianco
  • Fonte: ABCdoABC