Escritora retorna ao presídio onde foi presa para compartilhar sua obra com as detentas
Após enfrentar o sistema prisional, Gih Trajano inspira detentas com sua trilogia e promove a literatura como ferramenta de transformação
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 03/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Aos 48 anos, a escritora Gih Trajano revisitou o Centro Progressão Penitenciária Feminino Marina Marigo de Oliveira, na zona leste de São Paulo, onde esteve detida em duas ocasiões. Desta vez, sua presença teve um propósito diferente: compartilhar sua trilogia literária “Quem Saberia Perder” com as detentas.
Literatura como ponte de transformação
No encontro, promovido pelo Clube de Leitura Liberdades Poéticas, Gih discutiu o primeiro volume de sua obra com 20 detentas, que podem reduzir suas penas ao participar da leitura e análise de livros. Surpresa pelo engajamento, a autora comentou: “Elas queriam detalhes dos personagens e da trama; fiquei impressionada”.
Superando desafios emocionais
O retorno ao presídio trouxe emoções conflitantes para Gih, que enfrentou um longo processo burocrático e reviveu memórias de sua passagem pelo sistema penitenciário. “Foi o dia mais lindo da minha vida; cada pergunta e olhar vivo das detentas me emocionaram profundamente”, revelou.
Impacto e sonhos futuros
Apesar das dificuldades financeiras, Gih sustenta-se com sua arte e sonha em expandir sua mensagem. Atualmente, ela realiza palestras na Fundação Casa, colabora com o instituto Humanitas 360 em projetos de remissão de pena por leitura, e planeja concluir o ensino médio pelo Encceja até o final de 2024.
Seu desejo é claro: “Quero que minha trilogia esteja em todas as cadeias do país, para que as pessoas compreendam as razões que nos levaram até lá. Esse é meu plano”.
Trajetória de resiliência
Com um histórico de desafios no sistema prisional — incluindo duas passagens pelo presídio do Butantã em 2006 e 2014 —, Gih encontrou na literatura uma forma de ressignificar sua vida. Hoje, seu currículo inclui trabalhos no Multishow, participações em documentários como “Liberta”, e o lançamento de seus livros impressos e comercializados de forma independente.
A história de Gih Trajano demonstra como a arte e a literatura podem transformar vidas e inspirar outros a reescreverem suas próprias histórias.