Escolas de samba de SP transformam livros em espetáculo
Relembre desfiles marcantes das escolas de samba inspirados em autores brasileiros
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 13/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Os desfiles das escolas de samba de São Paulo, que começam nesta sexta-feira (13) no Sambódromo do Anhembi, vão muito além do espetáculo visual. Para além das plumas e alegorias, o Carnaval se consolida como uma poderosa ferramenta de difusão cultural, transformando obras literárias e trajetórias de grandes pensadores em sambas-enredo que educam e emocionam.
Ao longo das décadas, o Anhembi tornou-se uma “biblioteca a céu aberto”, onde clássicos da literatura brasileira ganham vida e ritmo. Relembre alguns marcos dessa união entre a escrita e o samba:
Clássicos na Avenida: Um retrospecto histórico
- Jorge Amado (Vai-Vai, 1988): Com o enredo “Amado Jorge, a História de Uma Raça Brasileira”, a escola celebrou o centenário da abolição. Inspirada em obras como Tenda dos Milagres, a Vai-Vai sagrou-se campeã exaltando a miscigenação e a cultura baiana.
- Ziraldo (Nenê de Vila Matilde, 2003): O universo lúdico do Menino Maluquinho e a resistência de O Pasquim coloriram o Anhembi, reforçando o papel dos quadrinhos na alfabetização.
- Mauricio de Sousa (Unidos do Peruche, 2007): A Turma da Mônica e o Bairro do Limoeiro transformaram a avenida em um grande gibi, celebrando o poder do sonho e da leitura.
- Ariano Suassuna (Mancha Verde, 2008 & Pérola Negra, 2013): O criador do Movimento Armorial foi homenageado pela Mancha Verde; anos depois, a Pérola Negra conquistou o Grupo de Acesso ao narrar as peripécias de O Auto da Compadecida.
- Paulo Freire (Águia de Ouro, 2020): Em seu primeiro título no Grupo Especial, a escola exaltou o “Patrono da Educação Brasileira”, destacando seu método de alfabetização crítica e o poder transformador do saber.
- Carolina Maria de Jesus (Colorado do Brás, 2022): A trajetória da catadora de papel que se tornou escritora internacional com Quarto de Despejo foi retratada com realismo e emoção, incluindo um carro feito com duas toneladas de papelão.
- Mário de Andrade (Mocidade Alegre, 2024): A atual bicampeã do Carnaval paulistano buscou inspiração em O Turista Aprendiz para desbravar a identidade brasileira e o legado modernista do escritor.
Literatura no Carnaval 2026: O que esperar
Este ano, o diálogo com as letras continua forte com três grandes homenagens no Grupo Especial:
- Chico Xavier (Tom Maior): A campeã do Acesso de 2025 traz a vida e a vasta obra psicografada (mais de 450 livros) do médium, focando em suas raízes em Uberaba e sua mensagem de solidariedade.
- Paulo César Pinheiro (Estrela do Terceiro Milênio): Um dos maiores poetas e letristas da nossa música terá sua obra — que une versos atemporais e pesquisa sobre a cultura popular — celebrada na avenida.
- Sueli Carneiro e Conceição Evaristo (Mocidade Unida da Mooca): Em sua estreia no Grupo Especial, a MUM homenageia o Instituto Geledés, fundado por Sueli Carneiro, e a “escrevivência” de Conceição Evaristo, exaltando o pensamento e a literatura das mulheres negras.
Do Sambódromo para as bibliotecas
Como destaca o Secretário de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente, o Carnaval desperta a curiosidade sobre autores consagrados. Para quem deseja se aprofundar, a rede municipal de bibliotecas oferece caminhos acessíveis:
- Acervo Físico: Mais de 140 espaços de leitura com partituras de Paulo César Pinheiro, centenas de obras de Chico Xavier e gibitecas (como a Henfil e a Monteiro Lobato) repletas de Ziraldo e Mauricio de Sousa.
- BiblioSP Digital: Uma plataforma com 17 mil títulos onde é possível ler, via e-book, clássicos de Jorge Amado, Paulo Freire, Sueli Carneiro e Carolina Maria de Jesus em qualquer lugar.