Escola de Santo André conquista prata em Olimpíada de Matemática na França

Única representante do Grande ABC, a Escola IL Sole conquistou medalhas de prata em Olimpíada de Matemática realizada na França

Crédito: Divulgação

Em um país onde apenas 5,2% dos alunos concluem o ensino médio com aprendizado adequado em Matemática, segundo levantamento do Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), estudantes de Santo André mostraram que a disciplina pode abrir portas e atravessar fronteiras.

A Escola IL Sole foi a única representante do Grande ABC na Grande Finale da Olimpíada Matemática Sem Fronteiras, realizada em Salon-de-Provence, na França, entre 03 a 07 de maio. Na competição internacional, duas equipes da instituição conquistaram medalhas de prata nas categorias Junior 1 e Junior 2.

A primeira equipe foi composta por Rafaela Ribeiro Postumo, Romeo Moccero Mello, Alice Dias Deliberali Santos e Gabriel Pinheiro da Cruz. Enquanto a segunda, Vinicius Ertharter Garcia, Miguel Vieira Roberto, Olivia Gravalos Pereira e Luiza Coqueiro.

Os estudantes foram classificados para a etapa internacional após conquistarem medalha de ouro na fase nacional da olimpíada em 2025. A competição reúne delegações de diferentes países e promove integração acadêmica e cultural por meio de desafios de Matemática e lógica desenvolvidos em grupo.

O diferencial da Olimpíada Matemática Sem Fronteiras está justamente no formato colaborativo. As equipes são formadas por quatro estudantes — dois meninos e duas meninas — que precisam resolver conjuntamente problemas matemáticos e enigmas de lógica, exigindo raciocínio estratégico, comunicação e trabalho em equipe.

Escola IL Sole representa Santo André na Grande Finale da Olimpíada Matemática Sem Fronteiras(Divulgação)

Como foi a competição?

Escola IL Sole representa Santo André na Grande Finale da Olimpíada Matemática Sem Fronteiras - (Divulgação)
Escola IL Sole representa Santo André na Grande Finale da Olimpíada Matemática Sem Fronteiras(Divulgação)

Antes da viagem para a França, os alunos passaram cerca de 30 dias em preparação com professores e coordenadores da área de Matemática da escola. Além da prova principal, os estudantes participaram de atividades culturais e apresentações desenvolvidas especialmente para a programação internacional.

Entre os desafios, os grupos apresentaram uma pesquisa sobre Adam de Craponne, engenheiro responsável pela criação de um importante canal de irrigação na região de Provence, na França. Os estudantes também criaram jogos educativos inspirados na presença da Matemática na natureza.

Segundo a direção da escola, os alunos estavam entre os mais jovens participantes que aceitaram o desafio de realizar apresentações para estudantes estrangeiros utilizando inglês, além de conhecimentos em espanhol e italiano quando necessário.

A diretora da Escola IL Sole, Fabíola, destacou o impacto da experiência na formação dos estudantes.

“Os resultados da Matemática na Escola IL Sole são incríveis. É reflexo de um trabalho muito sólido que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos”, afirmou.

Além da competição, os estudantes também participaram de atividades culturais durante a estadia na França, experiência considerada marcante para os integrantes da delegação andreense.

Agora, a Escola IL Sole já prepara cinco estudantes para o próximo desafio: a Olímpiada de Matemática no Japão, que acontecerá de 10 a 14 de julho.

Medalhista em Matemática sonha com engenharia e patinação artística

Luiza Coqueiro é a menina que está com o casaco preto ao lado da imagem

Entre os destaques da delegação está a estudante Luiza Coqueiro, do sexto ano do Ensino Fundamental. Apaixonada por Matemática desde os primeiros anos escolares, ela também sonha em se tornar engenheira elétrica e patinadora artística profissional.

Segundo a mãe da estudante, Tatiane Coqueiro, Luiza já participou de duas competições de patinação artística e conquistou duas medalhas de prata.

“Ela é muito dedicada, comprometida e gosta de fazer os trabalhos com excelência. Os professores elogiam muito o interesse que ela tem nas aulas e nas atividades propostas”, contou.

A jovem também acumula conquistas acadêmicas. Desde o terceiro ano do Ensino Fundamental, Luiza participa de olimpíadas de conhecimento e já conquistou medalhas na Olimpíada Nacional de Matemática e na Olimpíada Canguru.

Para a família, a experiência internacional vai além da competição.

“É uma experiência acadêmica, mas vai muito além disso. É para a vida. Ter contato com outras culturas e participar de uma competição representando o Brasil, trazendo uma medalha de prata no peito, é muita emoção”, afirmou a mãe.

Os números nacionais mostram o tamanho do desafio enfrentado pela educação brasileira na área de Matemática. Dados do Iede e do Todos Pela Educação apontam que apenas 5,2% dos estudantes da rede pública no terceiro ano do ensino médio atingem o nível considerado adequado na disciplina. Já no 9º ano do ensino fundamental, esse índice é de 16,5%.

Em meio a esse cenário, histórias como a da Escola IL Sole mostram como o incentivo à educação, às olimpíadas científicas e ao desenvolvimento de jovens talentos pode transformar a relação dos estudantes com a Matemática ainda nos primeiros anos escolares.

  • Publicado: 22/05/2026 17:07
  • Alterado: 22/05/2026 17:08
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC