Escassez de mão de obra atinge 80% das empresas no Brasil

Levantamento do ManpowerGroup mostra que oito em cada dez empregadores brasileiros têm dificuldade para contratar profissionais, com destaque para São Paulo e setores técnicos.

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A escassez de mão de obra atinge 80% dos empregadores no Brasil, segundo a Pesquisa Global de Escassez de Talentos 2026. O levantamento conduzido pelo ManpowerGroup consultou 39.063 contratantes em 41 países e confirmou um cenário de alerta contínuo no mercado de trabalho nacional.

O índice brasileiro supera a média global de 72% e mantém o país em um patamar crítico de defasagem profissional desde 2022. A dificuldade na contratação paralisa as operações corporativas e força o mercado a reformular rapidamente suas táticas de recrutamento.

O tamanho da empresa e a busca por mão de obra

Companhias de grande porte lideram as queixas sobre o déficit de talentos. Organizações que empregam entre 1.000 e 4.999 funcionários registram o pico absoluto de dificuldade, atingindo a marca de 90% de gestores insatisfeitos com a qualidade dos candidatos.

O Estado de São Paulo desponta com o maior gargalo regional, apresentando 88% de defasagem técnica nas entrevistas. Minas Gerais e Rio de Janeiro seguem o ranking com 85% e 80%, respectivamente, evidenciando o desafio nos maiores e mais industrializados polos econômicos do país.

Setores mais afetados e o desafio tecnológico

Empregadores do segmento de serviços profissionais, científicos e técnicos formam o grupo mais penalizado, relatando 85% de déficit. O setor de informação ocupa a segunda posição, onde 83% das empresas não encontram a mão de obra adequada para preencher suas vagas abertas.

A construção civil lida com um apagão crônico e perde força entre o público jovem, que antes dominava as vagas de entrada. “O desinteresse pela construção civil passa por uma combinação de fatores, incluindo a percepção negativa sobre o trabalho braçal e a concorrência direta com os setores de tecnologia e aplicativos”, avaliaram os especialistas ouvidos na pesquisa.

Habilidades raras e a exigência do letramento em IA

O domínio tecnológico e analítico dita o ritmo das contratações atuais. As empresas procuram desenvolvedores de modelos de inteligência artificial, especialistas na gestão de dados e profissionais com elevado letramento digital.

Os recrutadores também cobram competências comportamentais de forma incisiva. Ética no ambiente de trabalho, adaptabilidade, pensamento crítico e capacidade de comunicação figuram no topo da lista das habilidades socioculturais mais difíceis de encontrar nos currículos.

Como as corporações contornam a falta de mão de obra

O mercado corporativo brasileiro reage ao déficit financeiro investindo na própria base de colaboradores. A estratégia de requalificação lidera as iniciativas nacionais e recebe o investimento de 44% das empresas, um percentual agressivo e muito superior à média global de 27%.

Outros gestores prospectam candidatos em novos nichos ou apostam na flexibilidade de horários para seduzir os talentos. Apenas 11% das companhias adotam a automação e sistemas de inteligência artificial para eliminar definitivamente a necessidade de contratação humana.

O fortalecimento de projetos sociais corporativos desponta como uma solução estrutural e de longo prazo. O estudo do Benchmarking do Investimento Social Corporativo mostra que a iniciativa privada agora enxerga a capacitação de jovens vulneráveis como um pilar estratégico indispensável para reverter a constante escassez de mão de obra.

  • Publicado: 06/07/2026 10:16
  • Alterado: 06/07/2026 10:16
  • Autor: Thiago Antunes
  • Fonte: FolhaPress