Entrevista com Rafael Demarchi

Candidato a Deputado Federal fala sobre suas bandeiras, mudanças na política tradicional e rejeição a "velha guarda" política do país

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Na reta final de campanha, o candidato a Deputado Federal Rafael Demarchi (PSD) fala sobre suas bandeiras, mudanças na política tradicional e rejeição política da “velha guarda” que está no poder há décadas. Acompanhe na entrevista abaixo, realizada com exclusividade:

Faltando menos de uma semana para a eleição, como avalia sua campanha e a recepção perante a população?
DEMARCHI: A campanha está bem consolidada e muito bem aceita. Por representar a renovação isso tem facilitado muito quando vou pedir votos nas ruas e apresentar minhas propostas. A população está mais atenta e interessada desde as manifestações do ano passado e por isso busca uma mudança. Para renovar a nossa política é preciso trocar o quadro dos deputados federais e dos senadores. É lá que nós precisamos renovar e dar uma cara nova ao país para que as pessoas voltem a acreditar na política. Minha candidatura representa essa renovação, essa mudança mais do que necessária. Então, mesmo nas dificuldades que a política tem hoje eu vejo minha campanha bem aceita.

Você acredita que uma possível rejeição do político, em si, acabou não existindo como se imaginava?
DEMARCHI: Muito menos do que eu esperava. Por ser renovação. Eu creio que se eu fosse de lá não ia ser tão fácil, mas como não sou deputado federal, sou vereador, eu falo, olha em um ano e meio eu fiz isso. E a pessoa: puxa legal, é isso o que nós precisamos, de jovens na política. Em São Bernardo a gente tem ainda a facilidade de ter um nome na cidade, o bairro, de ser de uma família tradicional… Então é mais fácil e tem sido bacana.

Como os eleitores estão se comportando em relação às reivindicações e descontentamento político mostrado durante as manifestações de 2013?
DEMARCHI: O que mais vimos nas manifestações do ano passado foi todo mundo indignado com a corrupção, indignado com o sistema político atual. O modelo que o Brasil tem hoje não se sustenta por muito mais tempo sem uma reforma política. E a população pediu isso em 2013 quando foi às ruas protestar e mostrar todo o seu descontentamento com os políticos, em geral. Do jeito que está não há como combater a corrupção e a insatisfação do povo. Por isso, o próximo passo agora é que todo mundo que parou o Brasil no ano passado vote com consciência. Do contrário não vai ter adiantado ter parado o país e agora no dia 5 de outubro votar em qualquer um.

Ou seja, é uma reforma que tem que começar do povo para chegar nos políticos?
DEMARCHI: Exatamente. A gente só vai conseguir mudar a política do nosso país se o povo votar com consciência e em candidatos com projetos novos para renovar o Brasil. É preciso mudar para que possamos ter políticos comprometidos de verdade com uma reforma política completa e que mude realmente o sistema atual. Cada eleição é uma nova oportunidade para que a população renove a política brasileira. Claro que não dá para mudar tudo de uma vez, mas se conseguirmos renovar uma parte dos deputados federais nessa eleição e na eleição que vem vamos ter começado a ver a mudança. Aí, vamos ter uma política diferente e parte daqueles anseios que nós tínhamos no ano passado vão começar a sair do papel, vão começar a sair do discurso. No próximo domingo agora a pessoa tem que votar consciente. Dessa vez não dá para jogar o voto fora, não dá para fazer voto só de protesto, na hora de votar ir na rua e pegar o papelzinho para decidir em quem votar no momento da votação. Isso não dá para fazer senão o país não muda em nada. Fizemos as manifestações e nada mudou. Só vai mudar se nós votarmos consciente. Não tem jeito.

Atualmente a população se divide a favor da reforma política ou por mudanças na Constituição, em busca de mudanças no sistema político, de uma forma mais incisiva. Qual é a sua opinião? Por quem deve ser feita essa reforma?
DEMARCHI: Os dois são válidos. Somos a favor do voto distrital, e essa pauta deve ser discutida nessa reforma política. Hoje, votamos para presidente por voto direto, prefeito e governador, mas os nossos legisladores não elegemos por voto direto. Há vereadores com 4 mil votos e não entraram. E vereadores com 2 mil votos e entraram. Quem representava a vontade real da população? O sistema atual permite que a gente vote nos legisladores que não nos representam e isso é um dos primeiros passos da reforma política: o voto distrital direto. Outra coisa é que nós não podemos ter mais essa quantidade de partidos que temos hoje. Isso contribui para a criação de partidos de aluguel e interessados em somente pegar o fundo partidário. É um caminho para a corrupção. A reforma tem que acontecer e os dois modos são validos, pela constituinte e pelos deputados. A obrigação é dos deputados, eles foram eleitos para isso. A obrigação é deles. E fazer uma coisa séria para a população e não fazer uma coisa séria para favorecer apenas os deputados.

Mas nesse caso qual seria a solução? Limitar o número de partidos ou criar um sistema para que na próxima eleição nacional esses partidos que não atingissem um percentual mínimo de votos? 
DEMARCHI: Acredito que limitar o número de partidos é uma parte da reforma. Temos um “carnaval” de partidos que a população não entende nada principalmente quando é para votos no legislativo, pois os partidos fazem suas coligações e o cara que não tem tanto voto acaba entrando e o povo não consegue entender como isso aconteceu. Eu sou a favor da redução de partidos e isso depende da reforma que precisa ser discutida e aprovada para entrar em prática o quanto antes.

Vamos falar um pouco de bandeiras. Além da reforma política como bandeira geral de todos os candidatos, quais áreas você está visando mais?
DEMARCHI: Além da reforma política e do voto distrital direto, há outras áreas que pretendo defender, se eleito. Uma muito importante é voltada para o empreendedorismo social. No meu mandato de vereador percebi muitas regiões do interior do município, digamos assim, com suas próprias hortas. Em Riacho Grande, em São Bernardo, todo mundo cultiva hortifruti e é uma população muito necessitada e sem geração de renda. Para não ter mais desperdícios sugeri a criação de uma cooperativa que vendesse o que sobrasse do consumo daquela população para os mercados municipais para ter uma fonte de renda. Outra proposta é criar mecanismos para que a pessoa física possa doar parte de seu imposto de renda para cooperativas como essa, no ABC, para que ajude a desenvolver o fomento para o empreendedorismo social, que é para ajudar justamente as regiões mais carentes e a gerar uma economia solidária. Nós temos o projeto da reforma política, é o principal projeto, eu acho. Sei que não dá agora só que é uma coisa que não tem como não defender. Outra é trazer recurso para a nossa região do ABCDRRM. Fiz um projeto como vereador que eu não consegui implantar em São Bernardo do Campo para colocar polícia municipal nas escolas para evitar o contato de crianças e adolescentes com drogas. Como deputado federal já começa a modificar.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 29/09/2014
  • Fonte: Fever