Quando o entretenimento começa a discutir a si mesmo e exige organização
Com movimentação recorde de R$ 68 bilhões, o setor de entretenimento brasileiro se organiza para debater governança, reforma tributária e inovação
- Publicado: 17/11/2025
- Alterado: 27/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Assessoria
Quando um setor passa a reunir empresários, produtores, investidores e autoridades públicas para discutir seu próprio funcionamento, o movimento revela mais do que otimismo. Indica que a atividade deixou de ser pontual e passou a operar como indústria estruturada. O Apresenta Summit 2025, realizado no Rio de Janeiro, surge exatamente nesse cenário, reunindo nomes como Abel Gomes, Alexandre Accioly, Ricardo Amaral e Duda Magalhães para debater temas que vão além da produção cultural, como reforma tributária, políticas públicas, patrocínios e inovação.
A pauta demonstra que o entretenimento brasileiro atingiu um nível de complexidade que já não permite decisões isoladas. Segundo dados da Abrace, o setor de cultura e entretenimento movimentou R$ 68 bilhões entre janeiro e junho de 2025, o maior volume desde o início da série histórica em 2019. O crescimento de 3,4% em relação ao mesmo período do ano anterior confirma uma expansão consistente, mas também impõe desafios de governança.
Não se trata apenas de organizar shows ou festivais, mas de uma indústria com centenas de milhar de empresas com milhões de postos de trabalho, desde os superqualificados a mão de obra não qualificada, mas igualmente necessária, englobando desde empresas de reconhecimento mundial a microempreendedores digitais que lutam todos os dias para atingir um novo patamar de sucesso. Quando um setor atinge essa dimensão, passa a exigir coordenação estratégica e um diálogo constante entre profissionais e iniciativa privada e poder público com foco na regulamentação, investimento e impacto do negócio.
Eventos como motores econômicos
Os números dos grandes eventos ajudam a dimensionar o impacto dessa transformação. A expetativa em relação ao carnaval de 2026, é que ele movimente cerca de R$ 5,9 bilhões. Dentro deste número estão incluídos os gastos dos visitantes com hospedagem, alimentação, eventos, compras e tudo o que direta, ou indiretamente possa estar relacionado à festa. Estes valores incríveis não estão apenas no maior Carnaval do mundo, as últimas edições do Rock in Rio, por exemplo somaram cerca R$ 2,9 bilhões à economia fluminense, enquanto o show de Lady Gaga reuniu 2,1 milhões de pessoas e movimentou R$ 600 milhões.
Tudo isto mostra que o setor cultural e de entretenimento tem um impacto gigante na economia nacional, que não pode ser ignorado, mas também que este consegue impactar diversos setores a ele relacionados, sejam as tradicionais restaurações, hospedagem, mas também tudo o que gira em torno da economia da experiência que passou a influenciar diretamente o planejamento urbano e o posicionamento internacional das cidades, mas também os setores ligados ao digital.
Anualmente, o Brasil recebe milhões de turistas estrangeiros. Parte significativa desse fluxo está ligada à agenda de eventos, festivais e competições que funcionam como vetores de atração, mas cada vez mais eventos ligados ao digital e avanço tecnológico passam a fazer parte da tabela.
A transformação do consumo
Ao mesmo tempo em que os eventos presenciais ganham força, o modo como o público consome entretenimento também mudou e algo transformador para a indústria é que a experiência não se encerra quando o espetáculo termina, mas pode continuar nas transmissões ao vivo, nas redes sociais, nas ativações digitais e nas plataformas que ampliam a interação.
O entretenimento tornou-se multiplataforma, o que potencializa o impacto econômico. Um festival pode gerar receita no espaço físico, mas também movimenta audiência online, dados, publicidade digital e novos formatos de engajamento. Nesse ambiente ampliado, diferentes vertentes passam a coexistir dentro do mesmo ecossistema, incluindo transmissões em streaming, experiências virtuais e modalidades digitais como jogos de cassino, que fazem parte de um mercado mais amplo voltado à interação contínua do público com conteúdos de entretenimento.
Atualmente ambos os formatos operam de forma integrada, gerando benefício para ambos ao combinar presença física, conectividade e participação ativa.
Por que surgem fóruns especializados
Diante desse cenário mais complexo, a criação de encontros como o Apresenta Summit deixa de ser apenas institucional e passa a cumprir uma função estratégica. A reforma tributária, a regulamentação de patrocínios e as novas exigências legais impactam diretamente a viabilidade dos projetos. O debate coletivo torna-se necessário para alinhar interesses e reduzir incertezas.
Mercados que permanecem informais raramente investem em governança compartilhada. Quando o setor se organiza para discutir regras, tendências e inovação, demonstra que ultrapassou a fase de crescimento espontâneo e entrou em uma etapa de consolidação.
O entretenimento brasileiro, hoje, dialoga com investidores internacionais, opera com grandes estruturas técnicas e influencia cadeias produtivas inteiras. A realização de fóruns especializados não é apenas um sinal de expansão, mas de maturidade.
Um setor em fase de consolidação
A economia da experiência já não pode ser tratada como atividade complementar. Ela movimenta bilhões, gera empregos e contribui de forma significativa para a arrecadação pública. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios regulatórios e exige planejamento de longo prazo.
A multiplicação de encontros voltados à indústria do entretenimento indica que o Brasil começa a tratar o setor como parte central de sua dinâmica econômica. Mais do que celebrar números expressivos, a discussão atual gira em torno de como organizar, profissionalizar e integrar um mercado que se tornou permanente, diverso e cada vez mais interligado.