Entregadores de aplicativos no RJ e SP enfrentam insegurança alimentar
32% estão afetados, com falta de proteção social e direitos
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 03/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Os entregadores de comida por aplicativos nas metrópoles do Rio de Janeiro e São Paulo estão enfrentando uma realidade alarmante em relação à sua alimentação e condições de trabalho. Uma pesquisa conduzida pela ONG Ação da Cidadania revelou que 32% desses profissionais se encontram em situação de insegurança alimentar.
A investigação, intitulada “Entregas da Fome”, apontou que 13,5% dos entregadores lidam com insegurança alimentar em níveis moderados ou graves. Essa condição implica na redução tanto da quantidade quanto da qualidade dos alimentos disponíveis, sendo que a média nacional é inferior, registrada em 9,4%.
Quando focado na insegurança alimentar grave, ou fome propriamente dita, o estudo constatou que 8% dos trabalhadores estão enfrentando essa dura realidade.
Além da insegurança alimentar, a pesquisa destaca uma série de outros desafios enfrentados pelos entregadores. Aproximadamente 56,7% deles trabalham todos os dias, e mais da metade (56,4%) dedica mais de nove horas diárias ao trabalho. A falta de proteção social também é preocupante: 72% dos entrevistados não contribuem para a Previdência Social, enquanto 41% já relataram ter sofrido acidentes durante o exercício de suas funções.
Outro ponto crítico é a responsabilidade financeira que recai sobre esses profissionais. De acordo com os dados coletados, 99% deles arcam com os custos do plano de dados móveis utilizado para o aplicativo. A situação é ainda mais alarmante quando se observa que 93,4% não possuem seguro para seus aparelhos celulares, 90,6% não têm seguro de vida, 90% atuam sem seguro saúde e 67,6% não garantem cobertura para seus veículos usados nas entregas.
Rodrigo Afonso, diretor-executivo da Ação da Cidadania, descreve esse modelo de trabalho como uma forma de “escravidão moderna”. Ele ressalta que os trabalhadores oferecem seu tempo, esforço e ferramentas sem receber contrapartidas adequadas que lhes permitam viver com dignidade.