Entrada de Temer da articulação política esvazia PEC que reduz ministérios
A escolha do vice-presidente como operador político do governo esvaziou o apoio à PEC que prevê reduzir de 39 para 20 o número de ministérios
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
O tema, que está na pauta na reunião desta terça-feira, 14, da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, constrange o Palácio do Planalto, que mobilizou sua base para derrubar a proposta.
Apesar do autor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ter sido o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), integrantes da CCJ e operadores do governo na Casa avaliam que a proposta deve ser derrotada ou simplesmente sair da pauta. Se isso não ocorrer, a conta da derrota governista será debitada na conta de Temer, o que enfraqueceria sua interlocução.
A votação da proposta devia ter acontecido na semana passada, mas foi adiada para esta terça-feira. Esse foi o primeiro sinal de que a PEC estava, nas palavras de parlamentar petista, “subindo no telhado”. “A bancada do PT é radicalmente contra”, diz o deputado Sibá Machado (AC), líder do governo na Câmara.
Segundo um interlocutor do Palácio do Planalto na Câmara, o vice-presidente está atuando para derrubar a proposta. Assessores de Temer, porém, dizem que o assunto sequer entrou na pauta dele com membros da base hoje.
Se a PEC entrar em votação na CCJ, a comissão mais importante do Congresso, o mapa governista indica uma vitória por cinco votos de diferença. Já um integrante da cúpula da CCJ prevê uma disputa mais equilibrada. Antes de Temer assumir a interlocução política, a PEC da redução de ministérios contava com ampla maioria na comissão. “A bancada do PMDB está fechada. Nós vamos votar. Creio que se o governo derrubar será sinal de falta de compromisso com o corte de gastos. Michel Temer respeita a nossa posição” , afirma o deputado Leonardo Picciani (RJ), líder do PMDB na Câmara.