Entenda o indiciamento de dirigentes do Corinthians por contrato polêmico com VaideBet

Indiciamento de dirigentes do Corinthians por contrato polêmico com VaideBet levanta suspeitas de lavagem de dinheiro e ligações com o PCC.

Crédito: Jozzu/Agência Corinthians

Recentemente, o presidente do Corinthians, Augusto Melo, e dois ex-dirigentes do clube foram indiciados pela Polícia Civil em relação a um controverso contrato de patrocínio com a empresa VaideBet. O indiciamento não apenas marca uma fase crítica na administração atual, mas também levanta questões sobre a transparência e a integridade nas negociações esportivas.

O caso, que começou como um anúncio promissor do maior patrocínio da história do futebol brasileiro, rapidamente se transformou em um pesadelo legal para os envolvidos. Além de Melo, também foram indiciados o ex-diretor administrativo Marcelo Mariano e o ex-superintendente de marketing Sérgio Moura, assim como Alex Cassundé, sócio da empresa responsável pela intermediação do negócio.

A investigação teve início após denúncias sobre irregularidades envolvendo uma empresa considerada “laranja”, que supostamente recebeu parte dos valores relacionados ao contrato. A Polícia Civil conduziu uma série de oitivas e colheu mais de 20 depoimentos ao longo de quase um ano, com o intuito de apurar as alegações.

Com os indiciamentos formalizados, agora o Ministério Público de São Paulo deve avaliar o relatório da Polícia e decidir se apresentará uma denúncia formal contra os implicados. Caso isso ocorra, os indiciados poderão ser processados e terão a oportunidade de se defender.

A investigação é conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), em conjunto com o promotor Juliano Atoji. Ambos têm se dedicado a esclarecer as complexas ligações financeiras que emergiram durante as apurações.

O inquérito foi desencadeado por uma matéria publicada no “Blog do Juca Kfouri”, que relatou que a empresa Rede Social Media Design, intermediária do patrocínio, teria repassado valores significativos para uma firma chamada Neoway Soluções Integradas em Serviços Ltda., a qual foi identificada como uma empresa laranja. Essa empresa tinha como sócia uma mulher sem qualquer ligação aparente com o caso, gerando ainda mais desconfiança sobre as transações financeiras.

O contrato estabelecia um valor total de R$ 25 milhões em comissões, dos quais a Rede Social Media Design recebeu R$ 1,4 milhão em duas parcelas. No entanto, este pagamento gerou contendas internas dentro do clube e não contou com a aprovação do diretor financeiro à época.

A situação culminou na rescisão do contrato pela VaideBet em junho do ano passado, após a companhia sentir-se prejudicada pelas repercussões negativas nos meios de comunicação.

Além das questões administrativas, detalhes financeiros trouxeram à tona possíveis conexões com organizações criminosas. Relatórios indicaram que mais de R$ 1 milhão dos valores recebidos pela Rede Social Media Design acabou nas mãos de uma empresa associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), levantando sérias preocupações sobre lavagem de dinheiro.

Os relatos indicam que parte dos fundos foi transferida através de um complexo esquema financeiro que envolveu diversas empresas e intermediários. A sequência das transações revela tentativas aparentes de encobrir a origem dos recursos.

Aos olhos da justiça, a gravidade das acusações contra Melo, Moura e Mariano inclui crimes como furto qualificado, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Os advogados dos indiciados têm declarado sua inocência em resposta às investigações.

Enquanto isso, o Corinthians aguarda os desdobramentos legais desse escândalo que promete continuar reverberando no cenário esportivo brasileiro. A situação coloca em evidência a necessidade urgente de maior fiscalização e regulamentação nas práticas comerciais envolvendo clubes e patrocinadores.

As próximas etapas dependem agora das decisões tomadas pelo Ministério Público e da resposta dos indiciados diante da gravidade das alegações que pesam sobre eles.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 24/05/2025
  • Fonte: FERVER