Entenda como a Igreja escolhe um novo papa após o falecimento

Processo inclui rituais fúnebres, lacre de aposentos e eleição em conclave

Crédito: Divulgação/Vaticano

A morte do papa Francisco, ocorrida nesta segunda-feira, 21 de abril, aos 88 anos, sinaliza o início de um extenso e ritualístico processo de transição na Igreja Católica em busca de um novo líder. Este período é marcado por uma série de etapas que culminam na escolha do sucessor do pontífice falecido.

Início do período da Sé Vacante

O primeiro passo foi a confirmação do falecimento, realizada pelo cardeal Kevin Joseph Farrell, que ocupa o cargo de camerlengo. Após a verificação, o cardeal fez o anúncio oficial ao mundo através de um comunicado e um vídeo divulgado pelo Vaticano, acompanhados pelo som dos sinos da Basílica de São Pedro, que tocaram em homenagem ao pontífice.

Com a morte do papa, a Igreja Católica entra no que é conhecido como “Sé Vacante”, um período sem um pontífice reinante. Durante essa fase, as responsabilidades administrativas são temporariamente delegadas ao camerlengo, que supervisiona os bens e o tesouro do Vaticano.

A duração deste intervalo é incerta e depende do consenso entre os cardeais para a realização do conclave. O decano dos cardeais, Giovanni Battista Re, tem a incumbência de convocar os cardeais de todo o mundo para se reunirem em Roma e participarem das congregações que definirão tanto a logística do funeral quanto a data de sua execução.

Novidades no ritual fúnebre e início do conclave

O corpo do papa Francisco será sepultado após as cerimônias fúnebres. Seu apartamento na Casa Santa Marta será lacrado e seu Anel do Pescador, símbolo tradicional do papado, será destruído conforme os novos rituais estabelecidos pelo próprio papa.

A Igreja dará início ao período dos Nove Dias Santos, durante os quais o corpo do papa será exposto aos fiéis antes da realização do funeral, previsto para ocorrer na Praça de São Pedro. A nova edição da Ordo Exsequiarum Romani Pontificis estabelece uma série de inovações nos ritos fúnebres, incluindo a decisão de que o corpo não será velado em seu quarto habitual, mas sim na capela da Casa Santa Marta. Além disso, Francisco optou por um caixão aberto em vez dos tradicionais três caixões utilizados anteriormente.

Em conformidade com suas vontades expressas, também foi estabelecida a possibilidade de sepultamento fora da Basílica Vaticana. O papa Francisco desejava ser enterrado em uma cripta na Basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma.

Completados os rituais fúnebres, inicia-se então o conclave. Neste evento crucial, apenas os cardeais com menos de 80 anos têm direito a votar e eleger o novo papa. As normas vaticanas determinam que essa votação deve ocorrer dentro de um prazo máximo de 20 dias após a morte do pontífice.

Atualmente, há 138 cardeais elegíveis para participar da eleição, incluindo sete brasileiros. O termo “conclave” deriva do latim e significa “com chave”, referindo-se ao isolamento dos cardeais durante o processo decisório. A votação ocorre na Capela Sistina e é rigorosamente controlada; qualquer tipo de comunicação externa ou uso de dispositivos eletrônicos é estritamente proibido.

A duração do conclave é imprevisível e depende da capacidade dos cardeais em chegar a um consenso sobre o novo líder da Igreja. Quando um novo papa for escolhido, a notícia será anunciada ao mundo através da tradicional fumaça branca que sairá da chaminé da Capela Sistina.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/04/2025
  • Fonte: FERVER