Entenda como a depressão e a ansiedade aumentam o risco cardiovascular
Dra. Fernanda Weiler, cardiologista e especialista em Medicina do Estilo de Vida, explica como transtornos emocionais impactam a saúde do coração e como abordagens integradas podem ajudar na prevenção
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 31/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
A conexão entre corpo e mente é inegável, e quando se trata da saúde cardiovascular, os impactos dos transtornos mentais são cada vez mais evidentes. Estudos apontam que a depressão e a ansiedade não apenas aumentam o risco de doenças cardíacas, como também podem dificultar sua recuperação. No Brasil, cerca de 26% da população possui diagnóstico de ansiedade, de acordo com levantamento do Covitel 2023 (Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas Não Transmissíveis em Tempos de Pandemia).
“A depressão e a ansiedade levam a uma série de reações fisiológicas no organismo que impactam diretamente o coração. A liberação de hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol, durante os períodos de crise de ansiedade, pode precipitar o surgimento de um infarto, caso o paciente possua placas de entupimento das artérias do coração”, explica a Dra. Fernanda Weiler, cardiologista formada pela Universidade de Brasília (UNB), membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e certificada internacionalmente em Medicina do Estilo de Vida pela Harvard Medical School (EUA).
O impacto emocional no coração também se reflete nos hábitos diários. “Pessoas com transtornos mentais, como a ansiedade, têm três vezes mais chances de sofrer um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral“, pontua a especialista. Além disso, sintomas como fadiga, insônia e alterações metabólicas são frequentes em pacientes com transtornos mentais e são fatores que podem comprometer ainda mais a saúde do coração.
Visando esse contexto, uma abordagem integrada se faz necessária. “Não basta tratar apenas o coração, precisamos olhar para o indivíduo como um todo. A Medicina do Estilo de Vida preconiza seis pilares essenciais para uma boa saúde: alimentação equilibrada, atividade física regular, gerenciamento do estresse, sono de qualidade, evitação de substâncias tóxicas e boas relações interpessoais“, enfatiza a cardiologista. “Com uma abordagem multidisciplinar que inclua psicólogos, psiquiatras e profissionais de saúde física, conseguimos reduzir significativamente o impacto das doenças mentais na saúde cardiovascular.”
Para a Dra. Fernanda, o caminho para um coração saudável passa também pelo autocuidado e pelo conhecimento. “Entender que a saúde emocional tem relação direta com o coração é um passo essencial para prevenção. Pequenas mudanças diárias, como buscar espaços para relaxamento, manter uma rotina de sono adequada e adotar uma alimentação mais natural, podem fazer toda a diferença a longo prazo“, finaliza a especialista.