Entenda a cirurgia que Jair Bolsonaro fará neste Natal
Correção de hérnia inguinal ocorre em ambiente hospitalar, sob vigilância e restrições determinadas pelo STF
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O ex-presidente Jair Bolsonaro deve ser internado nesta quarta-feira, 24 de dezembro, para realizar uma cirurgia marcada para o dia de Natal, em Brasília. O procedimento, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal, ocorrerá no Hospital DF Star e tem como objetivo tratar um quadro de hérnia inguinal bilateral, associado a episódios persistentes de soluço e tosse crônica.
A cirurgia foi indicada por médicos particulares e confirmada por laudos oficiais da Polícia Federal, que apontaram agravamento progressivo da condição clínica. Embora não seja classificada como emergência imediata, a intervenção é considerada necessária para evitar complicações mais graves.
O que é hérnia inguinal e por que ela exige cirurgia

A hérnia inguinal ocorre quando há um enfraquecimento ou abertura na parede abdominal, especificamente na região da virilha. Esse defeito permite que parte do conteúdo interno do abdômen, geralmente o intestino, se projete para fora, formando um abaulamento visível e, muitas vezes, doloroso.
No caso da hérnia inguinal bilateral, o problema afeta simultaneamente os dois lados da virilha, o que aumenta o desconforto e o risco de complicações. Entre os sintomas mais comuns estão dor local, sensação de peso, incômodo ao caminhar, tossir ou realizar esforço físico. Em situações mais graves, pode ocorrer o chamado encarceramento da hérnia, quando o intestino fica preso, exigindo cirurgia de urgência.
Especialistas explicam que não há tratamento medicamentoso ou fisioterapêutico capaz de corrigir esse tipo de defeito anatômico. A única solução definitiva é a cirurgia.
Como funciona o procedimento cirúrgico
De acordo com médicos que acompanham o caso, a cirurgia prevista para Bolsonaro é considerada padronizada e amplamente realizada em centros cirúrgicos. O procedimento consiste em recolocar o conteúdo abdominal em sua posição correta e reforçar a área fragilizada da parede abdominal com uma tela de polipropileno, material sintético que reduz significativamente o risco de recorrência da hérnia.
A intervenção pode ser feita por técnica aberta, com uma incisão na região da virilha, ou por via minimamente invasiva, como a laparoscopia, que utiliza pequenas incisões e uma câmera para guiar o cirurgião. Em alguns casos, a laparoscopia pode ser associada a tecnologia robótica, a depender da avaliação médica.
Segundo o cirurgião Claudio Birolini, responsável pelo acompanhamento do ex-presidente, Jair Bolsonaro, trata-se de um procedimento de baixo risco, desde que respeitados os cuidados clínicos e o período adequado de recuperação.
Recuperação e cuidados no pós-operatório
A previsão é de que a internação hospitalar dure de cinco a sete dias, dependendo da resposta do paciente no pós-operatório imediato. A recuperação completa pode levar até três semanas, período em que é recomendado evitar esforços físicos, levantamento de peso e atividades intensas.
Em geral, pacientes submetidos a esse tipo de cirurgia conseguem retomar atividades leves após poucos dias, com acompanhamento ambulatorial. Exercícios físicos mais exigentes só devem ser retomados após liberação médica.
Internação sob regras judiciais rígidas para Bolsonaro

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, a internação de Bolsonaro seguirá regras específicas de segurança. O uso de celulares, computadores ou qualquer dispositivo eletrônico no quarto hospitalar está proibido, exceto equipamentos médicos. Dois agentes da Polícia Federal farão a vigilância contínua durante todo o período de internação.
A esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, está autorizada a acompanhá-lo no hospital. Já a presença dos filhos foi vetada, e eventuais visitas de outros familiares dependerão de autorização judicial prévia.
A Polícia Federal também foi orientada a manter contato direto com a direção do hospital para alinhar os protocolos de segurança e acompanhamento médico.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão em uma sala da Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após condenação relacionada à tentativa de ruptura institucional. A autorização para a cirurgia não altera o regime de custódia e é válida exclusivamente para fins de tratamento de saúde, com retorno obrigatório após a alta médica.