Ensino Superior em 2026: como o digital está redefinindo a educação no ABC
Dados do Censo revelam a explosão do EAD e a queda do presencial; descubra como as instituições se adaptam a essa nova realidade educacional
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 30/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O panorama do Ensino Superior desenha uma transformação estrutural sem precedentes na história da educação brasileira. Nos últimos cinco anos, impulsionado por avanços tecnológicos, novas exigências do mercado de trabalho e os reflexos duradouros da pandemia, o setor consolidou o modelo híbrido como uma alternativa robusta à sala de aula tradicional. Enquanto isso, o Ensino a Distância (EAD) deixou de ser uma tendência para se tornar a via principal de acesso ao diploma, especialmente na rede privada.
A projeção é que o Ensino Superior marque o amadurecimento definitivo do tripé educacional: presencial, híbrido e EAD. Nesse cenário, cada modalidade não disputa apenas matrículas, mas luta por legitimidade acadêmica, qualidade percebida pela sociedade e conexão real com as demandas de empregabilidade. Universidades públicas e privadas, como as localizadas no ABC Paulista, correm contra o tempo para ajustar currículos e metodologias a essa nova ordem.
O crescimento do EAD e a retração do presencial

Para compreender as bases do Ensino Superior , é fundamental analisar os dados recentes do Censo da Educação Superior de 2024, elaborado pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Inep. Os números revelam uma mudança drástica de comportamento:
- Crescimento Exponencial: Houve um aumento de 286,7% nas matrículas em cursos de educação a distância entre 2014 e 2024.
- Queda no Presencial: No mesmo período, a modalidade presencial registrou uma retração de 22,3%.
- Domínio Privado: A rede privada concentra hoje 95,9% das matrículas em EAD.
Essa migração em massa indica que o estudante moderno prioriza flexibilidade e custo-benefício. A pesquisa do Inep mostra que a educação a distância se estabeleceu como a principal porta de entrada para a formação superior no país. O crescimento contínuo, com uma alta de 5,6% nas matrículas EAD apenas entre 2023 e 2024, reforça que o Ensino Superior será majoritariamente digital ou mediado por tecnologia.
O Impacto nas Licenciaturas e Tecnólogos
Um dado importante e que exige atenção de gestores focados no Ensino Superior é a composição das matrículas por tipo de curso. A migração para o digital é avassaladora em áreas estratégicas:
- Cursos Tecnológicos: 82,6% das matrículas já ocorrem na modalidade EAD.
- Licenciaturas: 68,5% dos futuros professores estão sendo formados a distância.
Isso gera um debate profundo sobre a qualidade da formação docente e técnica. Se em 2014 a sala de aula física era a norma, hoje ela é a exceção nessas áreas. O desafio para os próximos anos será garantir que a massificação do acesso não comprometa a excelência pedagógica necessária para formar profissionais competentes.
UFABC e a integração do EAD

Enquanto o setor privado avança rapidamente na oferta digital, as instituições públicas enfrentam barreiras burocráticas e orçamentárias para se integrarem ao Ensino Superior . A Universidade Federal do ABC (UFABC), referência na região, ilustra bem esse cenário complexo.
A instituição integra o programa Universidade Aberta do Brasil (UAB) e a iniciativa da CAPES, oferecendo especializações a distância, focadas majoritariamente na formação de professores. No entanto, a expansão esbarra na instabilidade de recursos. A dependência de editais de financiamento da CAPES gera flutuação orçamentária, dificultando um planejamento de longo prazo para a modalidade.
A pandemia de COVID-19 forçou a adoção emergencial do ensino remoto, o que abriu portas para a discussão sobre tecnologias educacionais. Contudo, a UFABC mantém cautela. Atualmente, a instituição estuda políticas internas para regulamentar o uso de uma parcela da carga horária em EAD na graduação, buscando equilibrar a inovação necessária para o Ensino Superior com a manutenção da qualidade e do rigor acadêmico característicos da universidade pública.
USCS e a busca pelo melhor modelo para o estudante

Enquanto as federais lidam com entraves orçamentários, as autarquias municipais demonstram uma capacidade singular de adaptação ao Ensino Superior 2026. A Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) é um exemplo claro de como a gestão pública pode ter a agilidade necessária para responder às demandas de mercado.
A Pró-Reitora de Inovação e Ensino à Distância, Profª. Estela Cristina Bonjardim, oferece uma visão pragmática sobre o futuro do setor. Para a gestão da universidade, a discussão não deve girar em torno de qual modelo é “melhor” em absoluto, mas qual formato atende ao perfil de cada estudante. O modelo híbrido surge como uma solução eficaz ao combinar a flexibilidade do digital com a excelência da infraestrutura física da instituição.
“Não há um modelo ideal, mas o modelo ideal para cada perfil de estudante. Há os que buscam na presencialidade a garantia de uma formação de qualidade, enquanto outros não podem ou não querem frequentar cursos presenciais.”
Essa abordagem centrada no aluno permite que a USCS compita em pé de igualdade com grandes players do mercado, mantendo seu compromisso público com a comunidade. Para sobreviver no cenário do Ensino Superior 2026, a instituição entende que o semipresencial e o EAD são ferramentas vitais de democratização do acesso.am entender que o semipresencial e o EAD não são apenas produtos mais baratos, mas ferramentas de democratização do acesso para quem não possui disponibilidade de tempo ou deslocamento.
Novas demandas de mercado e currículo
A atualização curricular é outro pilar fundamental para o sucesso no Ensino Superior. A demanda por profissionais qualificados em tecnologia e saúde nunca foi tão alta. A USCS, por exemplo, identificou essa tendência e ajustou sua oferta de cursos para incluir:
- Segurança Cibernética
- Inteligência Artificial
- Terapia Ocupacional
Esses cursos refletem as transformações sociais e econômicas mais urgentes. A empregabilidade tornou-se o principal indicador de sucesso de uma instituição. O estudante de hoje pesquisa, compara e exige que o diploma tenha valor real no mercado.
A Universidade como Marca

Em um ambiente onde o total de matrículas cresceu 30,5% em uma década, ultrapassando 10 milhões de estudantes, a competição é acirrada. As universidades precisam se posicionar como marcas fortes. No contexto do Ensino Superior, reputação é sinônimo de sobrevivência.
Instituições tradicionais mantêm sua relevância ao apostar no novo sem descartar sua herança. Boa infraestrutura, corpo docente qualificado e alinhamento com tendências de mercado constroem uma marca sólida. Como ressalta a Profª. Estela, a marca de uma universidade carrega o compromisso com a qualidade, e isso repercute diretamente na comunidade e na valorização do profissional formado.
Perspectivas para o futuro educacional
O cenário desenhado para o Ensino Superior é de complexidade e oportunidade. O crescimento contínuo das matrículas, com uma média anual de 2,7%, mostra que o brasileiro continua buscando qualificação. No entanto, a forma como essa qualificação é entregue mudou irreversivelmente.
Instituições que ignorarem a força do híbrido e a predominância do EAD em áreas técnicas e de licenciatura correm o risco de obsolescência. Por outro lado, o desafio da qualidade permanece central. Seja na esfera pública, lidando com restrições orçamentárias, ou na privada, focada em inovação e mercado, o objetivo final deve ser a formação integral do cidadão.
O sucesso no Ensino Superior dependerá da capacidade das instituições de equilibrar tecnologia com humanização, e flexibilidade com rigor acadêmico.