Ensino médio técnico em SP tem alta de 85% nas matrículas

Governo de SP destina R$ 2,7 bilhões ao setor em 2026 para suportar salto de 124 mil para 231 mil alunos na rede profissionalizante.

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O ensino médio técnico consolidou-se como prioridade na estratégia educacional paulista com a previsão orçamentária de R$ 2,7 bilhões para 2026. Esse montante representa um crescimento real de 8% em comparação aos R$ 2,5 bilhões investidos no ano anterior, movimento necessário para sustentar a expansão agressiva de vagas na rede estadual.

A injeção de recursos ocorre em um momento crucial, onde o número de estudantes matriculados nesta modalidade disparou 85%. Os registros saltaram de 124 mil alunos em 2025 para 231 mil atualmente. O objetivo central é alinhar a formação básica às demandas reais do mercado de trabalho, reduzindo o abismo entre a sala de aula e o setor produtivo.

Segundo Renato Feder, secretário da Educação, a meta é clara:

“Isso significa que teremos mais jovens se formando com dupla certificação e preparados para o mercado de trabalho, com cursos conectados às vocações do nosso estado, da indústria ao agronegócio.”

Expansão do ensino médio técnico rumo à média da OCDE

Ao somar os alunos da Secretaria de Educação com os estudantes das Escolas Técnicas Estaduais (Etecs), geridas pelo Centro Paula Souza, São Paulo atinge a marca de 321 mil jovens na educação profissional. Esse volume cobre 40% de todos os matriculados nas 2ª e 3ª séries do Ensino Médio.

O estado se aproxima rapidamente da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde a adesão ao ensino médio técnico gira em torno de 44%. Para viabilizar essa capilaridade, a administração estadual diversificou os modelos de oferta de ensino.

Atualmente, a formação técnica chega aos estudantes através de quatro vertentes principais:

  • Professores contratados diretamente pela Seduc-SP nas escolas;
  • Professores das Etecs ministrando aulas na rede estadual;
  • Aulas nas unidades do Senai (em contraturno);
  • Cursos realizados nas unidades do Senac.

Diversidade curricular e incentivos financeiros

A grade curricular do ensino médio técnico foi desenhada para oferecer 60 formações diferentes, considerando as parcerias externas. Dentro das escolas estaduais, 11 cursos formam o núcleo principal, abrangendo áreas estratégicas como ciência de dados, agronegócio, enfermagem e desenvolvimento de sistemas.

Para combater a evasão escolar e garantir que o aluno conclua o ensino médio técnico, o governo reforçou programas de auxílio e experiência prática. O Bolsa Estágio Ensino Médio (BEEM) deve beneficiar 30 mil estudantes em 2026, oferecendo estágio remunerado. O programa exige frequência escolar mínima de 85% e participação no Provão Paulista.

Outro pilar de investimento é a internacionalização. O programa Prontos Pro Mundo teve seu orçamento ampliado em 26%, totalizando R$ 53 milhões. A iniciativa leva anualmente mil alunos da rede pública para intercâmbios gratuitos em países de língua inglesa, como Austrália e Canadá.

Contexto orçamentário estadual

O fortalecimento da educação profissionalizante está inserido na Lei Orçamentária Anual (LOA) sancionada recentemente, que fixa as despesas do Estado em R$ 382,3 bilhões para 2026. O valor global supera o exercício anterior em R$ 10 bilhões, garantindo a execução de políticas públicas essenciais.

Com investimentos recordes de R$ 31,6 bilhões previstos para infraestrutura e logística, a qualificação da mão de obra torna-se indispensável. A estratégia do governo é garantir que a expansão econômica encontre respaldo técnico na força de trabalho local, validando o aporte bilionário realizado no ensino médio técnico.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 04/02/2026
  • Fonte: Michel Teló