Ensino infantil em 2026: mais convivência e uso consciente da tecnologia

Educação infantil aposta no fortalecimento dos vínculos sociais, no desenvolvimento emocional e no uso estratégico da tecnologia

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O futuro do ensino infantil passa por uma pergunta que tem inquietado famílias, educadores e gestores: como preparar crianças para um mundo cada vez mais digital sem abrir mão da convivência, do brincar e do desenvolvimento emocional? Em 2026, a resposta começa a se desenhar com mais clareza. A tecnologia segue presente, mas deixa de ser protagonista absoluta para dar espaço a experiências mais humanas, relações significativas e propostas pedagógicas que respeitam o tempo da infância.

Na prática, o que ganha força é um ensino infantil centrado na formação integral. “O que mais impacta hoje o dia a dia das crianças é o desenvolvimento de atividades que integrem conhecimento e aspectos socioemocionais”, afirma Ana Paula Maccafani, diretora pedagógica da Escola Mais. Segundo ela, as estratégias pedagógicas precisam ser pensadas para além do conteúdo. “As atividades devem ser lúdicas, baseadas em metodologias ativas e, principalmente, favorecer a socialização.”

Tecnologia com propósito pedagógico no Ensino Infantil

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A ideia de “mais convivência e menos tecnologia”, no entanto, não significa eliminar o digital da escola. Para Ana Paula, trata-se de ressignificar o conceito de tecnologia no ensino infantil. “Quando falamos de tecnologia, não estamos falando apenas de tablets ou computadores. Estamos falando de desenvolver raciocínio lógico, pensamento computacional e preparar a criança para um mundo cada vez mais digital”, explica.

Esse olhar está alinhado à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que coloca a cultura digital como um de seus eixos. “Precisamos ajudar as crianças a entenderem o que é o mundo digital, mostrando tanto os benefícios quanto as armadilhas que ele traz”, diz. Na Escola Mais, esse trabalho começa logo no início do ano letivo, com uma semana dedicada à cidadania digital, em que temas como uso excessivo de telas e riscos das redes sociais são discutidos de forma adequada à faixa etária.

O mesmo cuidado aparece quando o assunto é inteligência artificial. Cada vez mais presente nos bastidores da educação, a IA tem sido usada como ferramenta de apoio ao planejamento pedagógico, sem ampliar o tempo de tela das crianças. “Antes de qualquer contato com dispositivos, é fundamental desenvolver habilidades como abstração, decomposição, raciocínio lógico e expressão no mundo real, além da cidadania digital”, explica Ana Paula.

Ela destaca que a inteligência artificial pode acelerar pesquisas, ajudar na criação de materiais e propor atividades no ensino infantil, mas sempre exige curadoria. “Nada é automático. É preciso analisar, adaptar e alinhar tudo aos objetivos pedagógicos.” Um exemplo prático dessa abordagem é a inclusão da iniciação científica já na educação infantil. “As crianças realizam pequenas experiências e registram os resultados da forma que faz sentido para elas. Isso estimula a curiosidade e o pensamento crítico desde cedo.”

Personalização sem perder a coletividade

Outra tendência que se consolida para 2026 é a personalização do ensino, sem abrir mão da convivência. Para a diretora pedagógica, personalizar não é isolar a criança, mas respeitar seu ritmo, suas características e sua forma de aprender. “Isso acontece quando a escola oferece diferentes estratégias pedagógicas e permite que cada criança se aproprie do que está sendo proposto à sua maneira.”

Na Escola Mais, esse trabalho é inspirado na teoria das Inteligências Múltiplas, de Howard Gardner. “Existem várias formas de inteligência — linguística, lógico-matemática, interpessoal, musical, entre outras. Quando a escola valoriza apenas uma delas, limita o desenvolvimento emocional e a socialização”, observa. Para ela, esse convívio é um dos maiores ganhos da educação infantil.

As metodologias ativas e a gamificação sem dependência de telas caminham na mesma direção. Em vez de aulas expositivas, entram em cena desafios, projetos e situações-problema, pensados para serem resolvidos individualmente ou em grupo. “São propostas mão na massa, sempre contextualizadas à idade das crianças”, explica.

Um exemplo são as Estações Rotativas adotadas pela Escola Mais. Semanalmente, os alunos passam por um circuito de atividades com pequenos desafios e pouca interferência do professor. As propostas são organizadas a partir dos campos de experiência da BNCC e priorizam jogos colaborativos. “O objetivo é fortalecer a coletividade, o trabalho em grupo e o aprender com o outro”, afirma Ana Paula.

Desenvolvimento socioemocional como prioridade

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No campo socioemocional, algumas competências ganham ainda mais destaque nos próximos anos. Empatia, cooperação, responsabilidade e autonomia aparecem como prioridades. Para a especialista, mudanças na estrutura familiar ajudam a explicar esse movimento. “Antes, as crianças conviviam naturalmente com irmãos e primos. Hoje, com famílias menores e mais distantes, a escola passou a assumir esse papel de socialização”, analisa.

Por isso, ela reforça a importância de a escolha da escola estar alinhada ao projeto de vida da família. “É na escola que a criança vai aprender a conviver, compartilhar, esperar e se responsabilizar, a partir do grupo com o qual se relaciona diariamente.”

O planejamento pedagógico também passa por transformações. A tendência é que ele se torne mais flexível, conectado à realidade dos alunos e aberto a ajustes constantes. “A escola precisa observar as necessidades das crianças, propor estratégias diferenciadas e trabalhar com uma proposta formativa, que permita corrigir a rota sempre que os objetivos não estão sendo alcançados”, explica.

Para pais e responsáveis atentos às tendências de 2026, o principal ponto de observação vai além de estruturas ou recursos tecnológicos. “É importante verificar se a escola trabalha com metodologias ativas, projetos interdisciplinares e uma proposta capaz de unir conhecimento e desenvolvimento socioemocional”, orienta Ana Paula.

Mais do que acompanhar tendências, o desafio da educação infantil nos próximos anos será garantir que a escola continue sendo um espaço de vínculos, descobertas e convivência — preparando as crianças não apenas para o futuro digital, mas para a vida em sociedade.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 27/01/2026
  • Fonte: Farol Santander São Paulo