Estudo revela desafios e progresso no ensino básico nacional
Avanços no ensino no Brasil: taxa de conclusão do ensino fundamental e médio cresce, mas desigualdades raciais e sociais persistem
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 18/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Uma pesquisa realizada pela organização Todos pela Educação evidenciou um progresso significativo no Brasil em relação à conclusão do ensino fundamental e médio ao longo da última década. No entanto, o estudo também ressalta que a inclusão ainda é insuficiente para mitigar as disparidades existentes, especialmente em termos de critérios raciais e de renda.
A investigação examinou as taxas de conclusão da educação básica nas idades adequadas (16 anos para o ensino fundamental e 19 anos para o ensino médio), utilizando dados comparativos entre 2015 e 2025, extraídos da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e seu Módulo Educação, coordenados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Avanços no ensino no Brasil:
Os resultados demonstraram um aumento no número de alunos que completaram o ensino fundamental até os 16 anos, passando de 74,7% em 2015 para 88,6% em 2025, resultando em um acréscimo de 13,9 pontos percentuais. Para o ensino médio, a evolução foi ainda mais acentuada: a taxa de conclusão subiu de 54,5% para 74,3%, totalizando um crescimento de 19,8 pontos percentuais.

A gerente de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, Manoela Miranda, atribui esses avanços a diversos fatores, incluindo melhorias na qualidade do ensino nos últimos dez anos e a implementação de políticas pedagógicas significativas voltadas à formação docente. “Essas mudanças têm contribuído para uma elevação real na qualidade do aprendizado”, afirmou.
Além disso, Manoela sugere que fenômenos recentes, como as aprovações durante a pandemia – que ajudaram a reduzir a distorção idade-série – também desempenharam um papel crucial nesse cenário. Ela enfatiza que o aumento do acesso à educação básica é um aspecto positivo a ser considerado.
O estudo também analisou as conclusões com base em diferenças raciais, de gênero e renda. A renda se revelou como o fator mais impactante.
Entre os estudantes do ensino médio, a diferença nas taxas de conclusão entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos caiu 15,2 pontos percentuais ao longo da década. Os dados mostram que a taxa dos mais pobres passou de 36,1% para 60,4%, enquanto os mais ricos avançaram de 85,2% para 94,2%. Apesar dos avanços observados em ambos os grupos, a desigualdade persiste: atualmente, os jovens da faixa mais pobre ainda apresentam uma taxa de conclusão inferior em 25% em comparação aos seus pares mais ricos há dez anos. Se essa tendência continuar, estima-se que levará mais de duas décadas para que esses jovens tenham as mesmas oportunidades de conclusão do ensino médio.
A questão racial também continua sendo um aspecto relevante a ser considerado. O estudo aponta que as taxas de conclusão variam entre estudantes brancos/amarelos e pretos, pardos e indígenas (PPI). Em 2025, a taxa para brancos/amarelos foi de 81,7%, enquanto que para os PPI foi de apenas 69,5%, refletindo uma diferença significativa de 12,2 pontos percentuais.
Dentro dos grupos socioeconômicos mais baixos, a raça é um determinante importante. Ao analisar especificamente homens mais pobres dentro da categoria PPI, observa-se uma taxa de conclusão baixa de 78,6%, inferior à média de conclusão dos homens não-PPI que é de 86%. Por outro lado, entre as mulheres mais pobres PPI a taxa alcança 86,5%, superando ligeiramente as mulheres brancas e orientais com taxa de 85,5%. Já no extremo oposto da tabela estatística estão as mulheres PPI com uma impressionante taxa de conclusão de 100%, enquanto as mulheres brancas ou asiáticas apresentam uma taxa ligeiramente inferior (99,3%). Entre os homens brancos ou asiáticos a taxa é alta (99,1%), mas entre homens PPI ela cai para 93,2%.
A disparidade regional também é significativa. De acordo com o estudo realizado, as regiões Norte e Nordeste apresentaram os maiores avanços na última década no ensino médio: no Norte houve um aumento de 25,7 pontos percentuais (de 43,4% em 2015 para 69,1% em 2025) e no Nordeste um avanço de 23 pontos percentuais (de 46,3% para 69,3%). Apesar dessas melhorias notáveis, as taxas dessas regiões ainda estão aquém das regiões Sudeste (79,6%), Centro-Oeste (75,4%) e Sul (73,6%).

Manoela enfatiza a importância das políticas públicas focadas na equidade regional como parte essencial do avanço educacional. “É crucial prestar atenção às desigualdades regionais refletidas em outros indicadores da educação básica. Portanto, precisamos direcionar esforços específicos para abordar essas desigualdades nas áreas onde há maior necessidade”, destacou.
Os achados do estudo sublinham a urgência na ampliação dos esforços para prevenir a evasão escolar e garantir que os estudantes concluam seus ciclos educacionais. Sugestões incluem fortalecer políticas voltadas à continuidade dos estudos e implementar programas que oferecem suporte financeiro às famílias. A implementação do ensino integral também é vista como uma estratégia eficaz.
“Estudos recentes mostram que estados brasileiros têm observado uma diminuição nas taxas de evasão escolar no ensino médio integral quando comparado ao regular”, concluiu Manoela.
A gerente ressalta ainda a relevância das políticas voltadas à recomposição das aprendizagens perdidas durante a pandemia. “É vital adotar medidas que visem reduzir desigualdades socioeconômicas e raciais nas escolas. Cada estado deve fazer um diagnóstico aprofundado para identificar as causas da evasão em suas redes educacionais e desenvolver ações específicas para reter alunos”, finalizou.