Enel anuncia investimento de R$ 10,4 bilhões para modernizar rede elétrica em São Paulo até 2027
Distribuidora pretende ampliar subestações, automatizar operações e reduzir tempo de resposta a falhas em sua área de concessão
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 23/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Enel Brasil de São Paulo anunciou um plano de investimento de R$ 10,4 bilhões no período entre 2025 e 2027 para modernizar e ampliar a rede elétrica em sua área de concessão, que inclui 24 municípios da região metropolitana. A empresa afirma que os recursos serão destinados à construção de sete novas subestações, à modernização de outras 80 unidades e à ampliação de 97 quilômetros de redes de alta tensão.
O objetivo declarado é fortalecer a infraestrutura para atender os cerca de 23 milhões de habitantes da área, incluindo 8 milhões de unidades consumidoras, com maior qualidade e agilidade. “Vamos investir de 2025 até 2027 R$ 10,4 bilhões para tornar a rede mais moderna. Nós já dobramos o número de eletricistas em campo e já contratamos 1.200 profissionais, reduzindo o tempo médio de atendimento”, declarou Márcio, um representante da Enel durante apresentação a jornalistas.
Meta é evitar colapsos como os de 2023 e 2024
As fortes chuvas que afetaram o estado de São Paulo nos últimos anos, especialmente em 2023 e 2024, resultaram em milhões de clientes sem energia por longos períodos. No ano passado, 3,1 milhões de consumidores chegaram a ter o fornecimento interrompido. Em 2023, foram 2,1 milhões.
A Enel Brasil afirma que houve melhora na recomposição do serviço mesmo em meio a eventos climáticos severos. “Quando você olha o percentual de clientes restabelecidos em 2023 e 2024, você olha lá que foi 66% em 2023 em até 24 horas e já em 2024, 93%. Então, tudo isso mostra a evolução para a qualidade e recompor o nosso sistema”, afirmou o representante.
Automatização e religadores prometem reduzir impacto
Entre as estratégias para reduzir o tempo de religação está o uso de tecnologia chamada “self-healing”, baseada em religadores automáticos. Esses equipamentos detectam falhas na rede e reconfiguram automaticamente o fornecimento de energia, evitando que todo um circuito seja interrompido.
“A rede está se reconfigurando para que não tenha uma falta contínua e a gente reduz o impacto”, explicou o técnico. “No passado, se houvesse essa queda de árvore, ali naquele mesmo trecho, eu teria 11.377 consumidores interrompidos. Hoje, com esse automatismo que a gente tem aqui dentro do centro de operação, sem a intervenção do operador, isso acontece de maneira automática.”
O plano da Enel prevê a instalação de mais 1.600 desses equipamentos ainda em 2025, o que deve aumentar a flexibilidade operativa da rede e permitir reconfigurações em até três minutos.
Críticas levaram a reações e reforço de pessoal
A decisão de intensificar os investimentos também responde às críticas recebidas pela empresa nos últimos anos, tanto de consumidores quanto do poder público. A Enel chegou a ser convocada por comissões da Assembleia Legislativa de São Paulo e enfrentou protestos de prefeituras, sobretudo após longos apagões que afetaram bairros inteiros por dias.
“Em momento algum, nós não tivemos o diálogo. Foi mantido o diálogo, sempre em pró da sociedade, em parceria com o poder público”, declarou o representante da Enel ao ser questionado sobre a relação com o poder municipal e estadual.
Segundo a companhia, a ampliação do quadro de profissionais inclui eletricistas, técnicos de manutenção e operadores para atendimento emergencial. O modelo de sobreaviso foi adotado para garantir a mobilização rápida de equipes em casos de crise.
Planejamento cirúrgico e foco em áreas críticas
O investimento não será distribuído de maneira uniforme, mas concentrado em regiões consideradas mais vulneráveis ou com equipamentos defasados. “Com essa rastrabilidade, o nosso plano vai com base naquilo que, teoricamente, vai me indicar um problema futuro mais breve. Então, eu consigo antecipar essa manutenção”, explicou Márcio.
A rede da Enel em São Paulo conta com mais de 44 mil quilômetros de extensão, 600 mil pontos de iluminação pública, 6 milhões de geladeiras e cerca de 500 quilômetros de trilhos de trens e metrôs alimentados. Segundo dados apresentados, a concessionária realiza diariamente cerca de 1.300 atendimentos e 500 novas conexões.