Encontros debatem a força feminina na luta contra a Ditadura

Programação da Secretaria de Educação de Santo André começa nesta segunda-feira (10), a partir das 18h30; iniciativa faz parte das atividades do mês da mulher

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Crimeia Alice Schmidt de Almeida, militante do movimento estudantil em 1968, durante a Ditadura Militar, foi presa e torturada. Seu filho nasceu na prisão. É ela quem abrirá a série de encontros Mulheres em Movimento pela Vida – Feminismo, Educação, Ciência e Política, que será realizada nos dias 10, 12 e 13 de março, a partir das 18h30, no Centro de Formação de Professores Clarice Lispector como parte da programação do mês da mulher na cidade. Os debates, acompanhados de sessões de cinema, abordarão a importância da participação feminina na luta contra a Ditadura Militar.

O filme Que bom te ver viva, dirigido por Lúcia Murat e estrelado por Irene Ravache, será apresentado no primeiro dia. A narrativa mistura os delírios e fantasias de uma personagem anônima, alinhavada pelos depoimentos de oito ex-presas políticas brasileiras que viveram situações de tortura, é o ponto de partida para que Criméia Schmidt fale sobre suas experiências.

Também na segunda-feira, no Centro de Formação de Professores, será lançada a exposição Luta, substantivo feminino, com as histórias de 17 mulheres que lutaram contra o regime militar, entre 1970-1973, foram presas e desapareceram. A mostra tem o projeto gráfico de Marcelo Marton, gerente de projetos do Departamento de Jovens e Adultos, projeto museográfico do arquiteto e museólogo Julio Abe Wakahara e coordenação e pesquisa da equipe do projeto Pela Vida, Não à Violência.

Na quarta-feira (12), o filme Vocacional – uma aventura humana, aborda os colégios Vocacionais do Estado de São Paulo, os quais, em 1960, foram reprimidos pelo regime. Estas instituições tinham uma proposta à frente de seu tempo: fazer o aluno pensar, trabalhar em grupo e desenvolver a sensibilidade artística e habilidades técnicas. Para discutir o tema, foram convidadas as professoras Cecília Guaraná, que esteve na direção de três unidades vocacionais, Lisete Arelaro, pedagoga da PUC e especializada em administração escolar, e Carmem Moraes, professora da Faculdade de Educação da USP.

No último dia, quinta-feira (13), o documentário Repare bem, que resgata a história de sobrevivência de Denise Crispim e sua filha, Eduarda, mulher e filha do militante da luta armada Eduardo Leite, o Bacuri, morto aos 25 anos, após 109 dias de tortura, em 1970. A roteirista do filme, Ana Petta, é a convidada para abordar o tema.

Vencedor de três prêmios no Festival de Gramado, incluindo o de melhor filme estrangeiro, Repare Bem expõe detalhes assustadores não somente do martírio de Eduardo, como de torturas infligidas a Denise na mesma época. Grávida, a militante foi colocada na jaula no zoológico de São Paulo, que o guarda noturno foi obrigado a abrir para os militares que a mantinham prisioneira. 

As atividades são gratuitas e não é preciso fazer inscrições antecipadas.

PROGRAMAÇÃO
10/03
Abertura da exposição Luta, substantivo feminino – 17 Mulheres Presentes
Filme: Que bom te ver viva e logo após conversa aberta com Criméia Schimdt de Almeida
Horário: 18h30
Local: Centro de Formação Clarice Lispector (Rua Tirol, s/nº – Vila Matarazzo)

12/03
Projeção do Filme: Vocacional – Uma Aventura Humana e logo após conversa aberta com as Professoras: Cecília Guaraná, Lisete Arelaro, Carmen Moraes
Horário: 18h30
Local: Centro de Formação Clarice Lispector (Rua Tirol, s/nº – Vila Matarazzo)

13/03
Projeção do Filme: Repare bem e conversa com Ana Petta
Horário: 18h30
Local: CPFP João Amazonas (Antônio Sebastião Eskarize s/n – Parque Capuava)

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 08/03/2014
  • Fonte: FERVER