Empresas de SP não usam IA, mas planejam adesão, diz pesquisa
Estudo da FecomercioSP aponta que falta de conhecimento é entrave; Loja do Futuro, projeto da Entidade em parceria com o Sebrae, avança nesse sentido
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 16/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Mais da metade das empresas (58%) do varejo paulistano ainda não se vale de ferramentas de Inteligência Artificial (IA), tampouco tem planos para adotá-las nas operações a curto prazo. É o que revela um estudo com 300 negócios na capital paulista realizado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
Isso acontece, sobretudo, porque o grosso desse ambiente empresarial ainda é formado por Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs), que, ao contrário dos negócios de maior porte, ainda estão incorporando essas tecnologias gradualmente.
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Entre as MPMEs, por exemplo, o número daquelas que não utilizam a ferramenta sobe para 62,4% [tabela 1]. É por isso que, na leitura da FecomercioSP, é hora de disseminar mais informação e capacitação sobre as possibilidades que a tecnologia oferece. Em paralelo, é fundamental que haja uma regulação equilibrada que ofereça vantagens relevantes aos negócios.
Mas isso não significa falta de interesse: o estudo ainda revela que seis em cada dez empresas (57%) buscam informações recorrentes sobre a IA em vários canais — desde redes sociais (21%) até cursos online (13%), passando pelas consultorias (8,3%) [tabela 2]. Não é à toa, considerando que quase um terço (29,3%) dos ouvidos na pesquisa relata que o principal impasse na adoção dessas ferramentas é a falta de conhecimento [tabela 3].

PLN EM ALTA
Como não poderia deixar de ser, as tecnologias de IA mais utilizadas — ou ao menos consideradas — pelos varejistas paulistanos são as do modelo de Processamento de Linguagem Natural (PLN), que geram conteúdo rápido a partir de comandos, como o ChatGPT, da OpenAI, ou o Copilot, da Microsoft. As ferramentas de PLN são citadas por 39% dos entrevistados, seguidos pelos chatbots ou assistentes virtuais (33%).
Esse fato se explica, sobretudo, pela acessibilidade desses instrumentos, que contam com versões gratuitas e são facilmente utilizadas no cotidiano.

PEQUENAS E GRANDES
Os dados da FecomercioSP também ressaltam comportamentos bastante distintos entre pequenas e médias e as grandes empresas no uso da ferramenta. De um lado, as MPMEs ainda estão buscando meios de incorporar a tecnologia nas operações, enquanto as maiores já contam com estruturas mais sólidas.
É por isso que, se os negócios menores recorrem a conteúdo online sobre como usar as IAs, as grandes tendem a buscar ajuda de fornecedores de tecnologia (18%) e de consultorias especializadas (12%) nesse processo.
Há, porém, elementos compartilhados entre as empresas de todos os portes, como os custos elevados para adotar a IA, citados por 11,2% das pequenas e médias e por 14% das grandes; e a falta de conhecimento interno para implementar e usar as ferramentas (29,2% e 30%, respectivamente). Em compensação, as grandes têm mais tempo disponível para avançar nessa direção do que as pequenas [tabela 3].

IMPACTO SOBRE O MERCADO DE TRABALHO
Quatro em cada dez empresas esperam que a IA promova uma transformação nas funções do mercado de trabalho, sobretudo exigindo novas habilidades. Esse movimento é ainda mais evidente entre as empresas maiores: 46% delas acreditam nessa mudança [tabela 4], número que é de 38,8% entre as MPMEs.

A visão geral sobre a tecnologia, no entanto, é positiva — 43% dos empresários dizem que ela trará mais oportunidades de crescimento para pequenos e médios. Mas há diferenças nos portes, com as grandes mais otimistas do que as menores.
A expectativa é que esse efeito seja observado especialmente em áreas como Marketing e Vendas (47%) e Atendimento ao Cliente (25%). Entre os negócios maiores, existe mais percepção dos efeitos sobre processos logísticos (16%) e desenvolvimento de produtos (10%).
IA NÃO PODE SER IGNORADA
A FecomercioSP percebe que a aplicação da ferramenta no varejo revela um cenário típico de tecnologias emergentes. Há uma percepção do impacto, mas existem barreiras concretas à implementação, como desconhecimento técnico, falta de profissionais qualificados e custos altos. Contudo, o poder da tecnologia é inegável, pois transforma processos, acelera decisões, personaliza atendimento e automatiza tarefas rotineiras com velocidade e precisão impensáveis até poucos anos atrás.
É por isso que adotar as IAs de forma apressada e desestruturada não é o caminho adequado. Segundo a FecomercioSP, às vezes, entrar tardiamente nessa corrida pode representar uma oportunidade de lidar melhor com seus desafios, além de aproveitar soluções mais maduras, com menor custo e menos riscos.
Todavia, essa realidade pode ser ainda pior se os negócios não avançarem nessa transformação. Empresas que resistem a novas tecnologias tendem a perder espaço, relevância e conexão com os clientes — principalmente em mercados cada vez mais exigentes, digitais e personalizados. É por isso que se torna cada vez mais mandatório capacitar equipes, redesenhar processos e investir em conhecimento sobre IA.