Empresas defendem critérios técnicos para a PEC 6x1

Empresas apresentam manifesto sobre a PEC 6x1 defendendo que a redução da jornada priorize a produtividade e a manutenção de empregos formais.

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A discussão sobre a PEC 6×1 ganhou um novo capítulo nesta semana com a mobilização de mais de 60 entidades representativas dos setores de indústria, comércio, serviços, agropecuária e transportes. Em manifesto conjunto, o grupo defende que qualquer alteração na jornada de trabalho no Brasil priorize a preservação dos empregos formais e o aumento da produtividade, utilizando a negociação coletiva como ferramenta fundamental de ajuste.

O documento, que será entregue às frentes parlamentares e à presidência do Senado nesta terça-feira (3), sugere que o debate sobre a PEC 6×1 e a redução da jornada para o modelo 4×3 ocorra apenas após o período eleitoral. Segundo as entidades, o afastamento das disputas nas urnas é essencial para a construção de um consenso duradouro e tecnicamente viável para a economia nacional.

O foco na produtividade e na negociação coletiva

Para o setor produtivo, a modernização da jornada é um debate legítimo, mas que não pode ignorar os custos de competitividade. O manifesto assinado por confederações como CNI, CNC, CNA e CNT destaca que a aplicação de regras rígidas e uniformes pode ignorar as particularidades regionais e setoriais do país.

“Colocar esses pontos no centro do diálogo é assegurar que ele caminhe na direção correta”, afirma o manifesto das entidades.

Os empresários propõem que a PEC 6×1 seja discutida sob quatro pilares centrais:

  1. Preservação do emprego formal: Mitigação de riscos que levem ao aumento da informalidade, que hoje atinge 40% da população ativa.
  2. Aumento da produtividade: Investimento em qualificação profissional e difusão tecnológica.
  3. Discussão técnica: Busca de equilíbrio entre os interesses de trabalhadores, empregadores e o Estado.
  4. Diferenciação setorial: Uso de convenções coletivas para adaptar escalas e turnos conforme a realidade de cada atividade.

Impactos econômicos e o rito legislativo da PEC 6×1

A preocupação do mercado reside no risco de uma mudança abrupta elevar os preços de itens essenciais, como alimentos e medicamentos, devido ao aumento do custo operacional. Embora o relator da proposta na CCJ, deputado Paulo Azi (União Brasil-BA), tenha mencionado possíveis compensações fiscais, o manifesto atual não foca em desonerações, tratando o tema da jornada como uma questão de sustentabilidade do negócio.

Atualmente, a PEC 6×1 de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) propõe a redução de 44 para 36 horas semanais. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que a votação pode ocorrer em maio, mas as entidades pressionam por um cronograma que permita uma análise mais profunda dos impactos estruturais.

Posicionamento do Governo Federal

Enquanto as empresas demonstram cautela, o Governo Federal mantém o apoio à redução da jornada. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que avanços em inteligência artificial e automação permitem um novo equilíbrio. No entanto, o governo tem rejeitado pressões por compensações financeiras diretas às empresas, defendendo que o mercado deve se adaptar organicamente às novas demandas sociais de qualidade de vida.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 28/02/2026
  • Fonte: Farol Santander São Paulo