Setor cultural no Brasil registra crescimento em empregos
Em 2024, Brasil teve 5,9 milhões de empregos culturais, maior número desde 2014
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 12/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Em 2024, o Brasil contabilizou 5,9 milhões de empregos no setor cultural, marcando o maior número desde o início da série histórica em 2014. Este crescimento se alinha ao dinamismo do mercado de trabalho nacional, mantendo a participação da cultura em 5,8% do total de ocupações, conforme revelado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em relatório divulgado nesta sexta-feira (12).
Empregos no setor cultural:
O estudo, que abrange dados de 2013 a 2024, mostra que os profissionais da cultura possuem um nível educacional superior ao da média geral. Enquanto apenas 23,4% dos trabalhadores de todas as áreas tinham diploma de nível superior em 2024, esse percentual sobe para 30,1% entre os ocupados na cultura.
No que diz respeito à distribuição geográfica das ocupações culturais, os estados que se destacaram foram São Paulo (7,6%), Rio de Janeiro (7%) e Ceará (7%), apresentando as maiores taxas de participação. Em contraste, Acre (2,7%), Amapá (2,8%) e Rondônia (2%) figuram entre os locais com menor proporção de trabalhadores nesse setor. Entre as capitais, Florianópolis (10,7%), São Paulo (10,1%) e Manaus (9,4%) lideraram as estatísticas.
Embora o setor cultural apresente um perfil com maior escolaridade, a informalidade é uma preocupação crescente: em 2024, cerca de 44,6% dos trabalhadores desse segmento estavam em condições informais, superando a taxa total de informalidade que era de 40,6%. Roraima (76,9%), Pará (74,1%) e Tocantins (71,5%) registraram os índices mais altos de informalidade no setor cultural. Por outro lado, Santa Catarina (30%), Rio Grande do Sul (32,6%) e Paraná (33,2%) mostraram as menores taxas.
Os dados também indicam que a categoria predominante entre os trabalhadores culturais é a de autônomos, com 43% pertencendo a essa classe em 2024. Os empregados do setor privado com carteira assinada representaram 34,4%, enquanto aqueles sem registro somaram 14,3%. Em comparação com o total da população ocupada no mesmo ano, onde os autônomos eram 25,2%, o cenário reflete uma estrutura laboral distinta dentro do setor cultural.
O rendimento médio real mensal dos trabalhadores culturais com idade a partir de 14 anos foi estimado em R$ 3.266 em 2024, apresentando uma leve queda em relação aos R$ 3.331 registrados em 2023. Essa diminuição é notável diante do aumento geral dos salários na economia brasileira que cresceu 3,5%, atingindo R$ 3.108 no mesmo período. Como resultado dessa disparidade salarial, a diferença entre os rendimentos no setor cultural e a média geral passou de uma vantagem de 11% para apenas 5,1% nos últimos dois anos.
Analisando o cenário regionalmente entre 2023 e 2024, observou-se variações significativas nos rendimentos: enquanto as regiões Norte (-9,1%), Sudeste (-4,7%) e Centro-Oeste (-2,2%) enfrentaram quedas nos ganhos salariais no setor cultural; Nordeste (11,4%) e Sul (11,2%) experimentaram um crescimento expressivo. Em termos de gênero, as mulheres no setor cultural receberam uma média de R$ 2.560 mensais em comparação aos R$ 3.898 dos homens; isso representa uma desigualdade salarial aproximada de 34%, sendo esta discrepância ainda maior do que a observada na média geral da população ocupada.