Emprego industrial cai 0,4% em abril, primeira queda em 18 meses
Setor enfrenta desaceleração sob juros altos e baixa demanda
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 06/06/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Recentemente, dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelaram uma redução de 0,4% no emprego industrial em abril, marcando a primeira queda em um período de 18 meses. Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, essa diminuição é “bastante significativa” e sinaliza uma desaceleração no setor industrial.
O indicador que mensura a capacidade instalada das indústrias também apresentou um retrocesso, registrando uma queda para 77,9%. Azevedo observa que o emprego na indústria normalmente responde de forma lenta às mudanças no cenário econômico. Após um período de crescimento contínuo de 17 meses, o setor parou de expandir em março e experimentou uma retração em abril. Essa mudança se deve à diminuição da demanda por bens industriais e à desaceleração das atividades produtivas nos últimos meses.
Outros indicadores corroboram a tendência de desaceleração. As horas trabalhadas na produção caíram 0,3% em abril, enquanto o faturamento real da indústria de transformação também sofreu uma queda significativa de 0,8% entre março e abril, configurando a segunda redução consecutiva. Apesar disso, a massa salarial real e o rendimento médio dos trabalhadores do setor aumentaram no mesmo mês, embora apenas como uma tentativa de compensar perdas anteriores.
A atual situação econômica ocorre em meio a um cenário de juros elevados. O Banco Central (BC) elevou a taxa Selic para 14,75% ao ano em maio, o maior nível em quase duas décadas. Essa política monetária visa conter a inflação e faz parte da estratégia do BC para estabilizar a economia. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ressaltou que a desaceleração econômica é um elemento necessário para atingir a meta inflacionária de 3%.
Em declarações recentes, Galípolo indicou que é prudente manter as taxas de juros em patamares altos por um período prolongado. As previsões do BC apontam para um crescimento econômico mais lento este ano, com uma projeção de expansão de apenas 1,9%, comparado ao crescimento de 3,4% registrado no ano anterior. O mercado estima um aumento de 2,13% para 2025.
A ata da última reunião doComitê de Política Monetária (Copom), divulgada em maio, destacou que o “hiato do produto” permanece positivo, indicando que a economia ainda opera acima do seu potencial sem gerar pressão inflacionária excessiva. Entretanto, o BC alertou que os juros altos já impactam a atividade econômica e prevê que esse efeito se intensifique na geração de empregos nos próximos meses.