Em protesto esvaziado, grupos poupam Temer e rechaçam lista fechada

Os grupos que lideraram as manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff voltaram às ruas nesse domingo, 26, com público consideravelmente menor que outros atos

Crédito: Amanda Perobelli/Estadão

A manifestação para defender a Operação Lava Jato e protestar contra a introdução da lista fechada com financiamento público eleitoral na reforma política não teve lotação maior que um dia normal de domingo, quando a via fica fechada aos carros. No trecho de maior concentração, em frente ao Masp, o público não lotou nem um quarteirão.

Os organizadores do evento e a Polícia Militar não divulgaram números de manifestantes.

O MBL, como de costume, aproveitou para promover seus líderes e potenciais candidatos em 2018. Camisetas e faixas com o nome a imagem de Kim Kataguiri foram colocadas em pontos estratégicos.,

Os políticos, que no ano passado disputaram os microfones, dessa vez não apareceram. Entre os poucos que se arriscaram no ato estavam o senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) e o deputado Major Olímpio (SD-SP). Apesar de críticas pontuais, o presidente Michel Temer (PMDB) foi poupado, enquanto o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Gilmar Mendes, foi criticado.

“Gilmar Mendes é uma vergonha nacional. Não está fazendo papel de juiz, mas de político”, disse no microfone o advogado Luiz Flávio Gomes, líder do grupo “Quero um Brasil ético”. Os organizadores não fizeram ainda estimativas oficiais, mas parte deles fala em 10 mil pessoas. A PM não divulgou a quantidade de presentes.

Os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), além do senador Aécio Neves (PSDB-MG), também foram criticados. Eles são acusados por parte dos manifestantes de tentarem promover um acordo para salvar a classe política diante das relações da Odebrecht.

“Deve ter umas 10 mil pessoas aqui, o que não é uma derrota. O tema agora é mais técnico”, disse ao Estado Luiz Philippe Orleans de Bragança, trisneto da princesa Isabel e líder do Acorda Brasil.

No dia 13 de março do ano passado, o movimento atingiu seu ápice e reuniu 1 milhão de pessoas na Paulista, segundo os organizadores.

Líder do Vem Pra Rua, Rogério Chequer concorda que a pauta agora é mais complexa. “A pauta agora não é tão simples e binária como o Fora Dilma e o impeachment”, afirma.

Os oito grupos que levaram carros de som para a Avenida Paulista convergiram sobre a defesa genérica da Lava Jato, o repúdio a qualquer tipo de anistia ao caixa 2, e contra a proposta de adotar lista fechada eleitoral com financiamento público. Mas existem algumas divergências. O NasRuas adotou lema “Armas pela vida” e espalhou faixas contra o estatuto do desarmamento.

Os “intervencionistas “, por sua vez, defenderam a intervenção dos militares e os monarquistas pediram a volta da família real ao poder.

Em um discurso para um público esvaziado, o vereador Fernando Holiday (DEM-SP), coordenador nacional do MBL, focou críticas contra os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff e o PT.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 16/08/2023
  • Fonte: Sorria!,