Em nova fase, Lava Jato prende ex-diretor da Petroquisa

Segundo Moro, há provas de que o ex-diretor de Novos Negócios da Petroquisa, Djalma Rodrigues de Souza o ‘Jabuti’, recebeu propinas de R$ 17 milhões até março de 2017

Crédito: Agência Brasil

O juiz federal Sérgio Moro autorizou, nesta quinta-feira, 21, a prisão do ex-diretor de Novos Negócios da Petroquisa Djalma Rodrigues de Souza, o ‘Jabuti’ – segundo registros do Setor de Operações Estruturadas de Propinas da Odebrecht. Ele já havia sido alvo da 46ª fase da operação, deflagrada em 20 de outubro de 2017, mas não chegou a ser preso em razão de uma cirurgia. Agora, no âmbito da Greenwich, 52ª fase da Lava Jato, foi autorizada sua prisão preventiva. De acordo com as investigações, o fato de ser investigado não teria o impedido de sumir com dinheiro supostamente desviado em contas no exterior. Além dele, também foi preso temporariamente o filho, Douglas Campos Pedroza de Souza.

Em nota, a PF afirmou que “o esquema criminoso identificado em várias oportunidades em contratações da Petrobras se repetiu também em suas subsidiárias”. Neste caso, as irregularidades foram feitas, segundo os investigadores, para beneficiar a Odebrecht nas contratações.

“As informações e provas reunidas até o momento demonstram que o Grupo Odebrecht foi favorecido na obtenção de contratos em troca de repasses de recursos a funcionários da empresa, quer seja através da entrega de valores em espécie, quer seja através de remessas para contas bancárias estabelecidas no exterior.”

Os delitos investigados são corrupção, crimes financeiros e lavagem de ativos. O nome atribuído à operação (Greenwich) remete ao nome de uma das contas bancárias mantidas no exterior e destinada, conforme investigações, ao recebimento de valores transferidos ilegalmente pela Odebrecht.

Rodrigues de Souza já havia sido alvo de investigação deflagrada em outubro, mas ele não chegou a ser preso à época em razão de uma cirurgia. Como resultado dessa operação do ano passado, ele e outros três ex-gerentes da Petroquisa foram denunciados pela força-tarefa da Lava Jato por supostas propinas de R$ 32 milhões.

Essas vantagens indevidas, segundo a Procuradoria, “relacionam-se com contratos firmados pela empreiteira, ainda em 2010, para realização de obras do Complexo Petroquímico Suape, em Pernambuco”.

OFFSHORE NA SUÍÇA
Moro destaca haver prova ’em cognição sumária de que o acusado recebeu o equivalente a R$ 17,7 milhões em propinas no exterior’. “A propina foi paga pelo Grupo até 19/03/2017, ou seja, mesmo após o início da Operação Lavajato em 17/03/2017, o que revela ousadia criminosa”.

Segundo o juiz, ‘somente as duas contas em nome de off-shore na Suiça receberam cerca de cinco milhões de dólares, como confirmado pelas autoridades suíças’. “As autoridades suíças, porém, informaram que as contas foram encerradas. Os valores foram, portanto, dissipados pelo acusado durante as investigações, após terem se iniciado as investigações da Operação Lava Jato”.

O magistrado conclui que ‘jabuti’, ‘diante dos avanços das investigações e que incluiu a extensa cooperação com a Suíça, movimentou os ativos para local ainda desconhecido, provavelmente para outros países, frustrando os direitos de sequestro e confisco da sociedade’. “Não se sabe se as outras contas, no Reino Unido ou nas Bahamas, também foram esvaziadas, mas o fato é que não estão bloqueadas”.

“A medida cautelar anteriormente imposta em substituição à prisão temporária, de proibição de deixar o país, não impede de fato a fuga, considerando a extensão das fronteiras e a aparente fortuna mantida pelo acusado no exterior. Em nada afeta ainda a capacidade do acusado de prosseguir na dissipação dos ativos criminosos”, anotou.

Além da prisão do ex-diretor da Petroquisa, o magistrado autorizou busca e apreensão em endereços de seus familiares e empresas.

DEFESAS
Em nota, a Odebrecht afirmou que a investigação tem origem em informações fornecidas nas colaborações da construtora e de seus ex-executivos. A empresa disse que assinou um acordo de leniência com autoridades no Brasil, Estados Unidos, Suíça, República Dominicana, Equador, Panamá e Guatemala, e que adotou “um sistema para prevenir, detectar e punir desvios ou crimes”.

Procurada nesta quinta-feira pela reportagem, a defesa de Djalma Rodrigues de Souza e de Douglas Campos Pedroza de Souza não se pronunciou até a publicação desta matéria.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 22/06/2018
  • Fonte: FERVER