Em março de 2025, a demanda por crédito no Brasil subiu 0,9%
Refletindo cautela das empresas devido aos juros altos. Micro e pequenos negócios lideram a busca.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
No mês de março de 2025, as empresas brasileiras registraram um aumento de 0,9% na busca por crédito em comparação ao mesmo período do ano anterior, conforme dados do Indicador de Demanda das Empresas por Crédito da Serasa Experian, que foram divulgados com exclusividade pela Agência Brasil. Este crescimento, embora positivo, é inferior aos índices observados nos meses anteriores, sugerindo uma postura mais cautelosa das companhias diante do atual cenário econômico caracterizado por juros elevados.
Essa é a quarta vez consecutiva que se observa uma expansão na procura por crédito em relação ao ano anterior. No acumulado dos últimos doze meses até março, a demanda por crédito cresceu 4,2%, apresentando um aumento mais modesto comparado aos 2,9% de janeiro e 3,9% de fevereiro.
Camila Abdelmalack, economista da Serasa Experian, explicou que a desaceleração observada em março está diretamente relacionada ao nível elevado das taxas de juros no país. “O comportamento mais moderado na demanda reflete a cautela das empresas diante dos desafios impostos pelo alto custo do crédito e as incertezas econômicas”, afirmou.
A economista enfatizou que a busca por crédito pode ser uma ferramenta essencial para fomentar investimentos e expandir operações. Segundo ela, o acesso a financiamentos pode permitir que as empresas realizem projetos antecipadamente, contribuindo para um crescimento acelerado.
Juros e Inflação
Desde setembro do ano anterior, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central tem promovido elevações na Selic, taxa básica de juros da economia brasileira. De setembro até maio, essa taxa subiu de 10,5% para 14,75% ao ano. A Selic é um fator determinante que influencia outras taxas de juros aplicadas nos empréstimos oferecidos pelas instituições financeiras.
A justificativa para os recentes aumentos da Selic está atrelada ao combate à inflação. O objetivo é desestimular o consumo familiar através da elevação do custo do crédito, com o intuito de reduzir ou controlar a alta dos preços. O Banco Central informa que os efeitos dessa política monetária levam entre seis a nove meses para se refletir na inflação.
No último dado disponível referente à inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a variação acumulada em doze meses alcançou 5,53%, superando a meta governamental estabelecida em 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.
A elevada taxa de juros tem gerado um ambiente menos favorável para que as empresas contratem empréstimos destinados a investimentos.
Oscilações na Demanda
A economista Camila Abdelmalack observou que as flutuações recentes na demanda por crédito refletem uma combinação de fatores econômicos incertos. “A volatilidade da procura é influenciada pela imprevisibilidade econômica e pela forma como as taxas de juros afetam o consumo”, explicou. Ela destacou que muitas micro e pequenas empresas ainda buscam crédito como uma forma de mitigar dificuldades financeiras durante períodos desafiadores.
Segmentação Setorial
Os dados revelam que o aumento na demanda por crédito foi impulsionado principalmente pelos micro e pequenos negócios, que apresentaram uma alta de 1,1%. Em contraste, empresas de médio e grande porte enfrentaram quedas significativas nas buscas por crédito, com reduções de 4,8% e 4,7%, respectivamente.
Camila Abdelmalack ressaltou que para os pequenos empreendimentos, o uso do crédito costuma estar mais associado à gestão financeira e à manutenção das operações durante períodos de receita reduzida. Embora o crédito também possa ser utilizado como um vetor para crescimento, seu impacto tende a ser maior em cenários com taxas de juros mais baixas.
No setor serviços, a procura por empréstimos cresceu 3,3%, seguida pela indústria com um aumento de 2,9%. Entretanto, o comércio apresentou uma queda na busca por crédito da ordem de 2,5%.
Esses resultados foram obtidos através da análise de uma amostra abrangente envolvendo cerca de 1,2 milhão de CNPJs.