Eleições e Inteligência Artificial: saiba como identificar fake news
Entenda como diferenciar o real do sintético e como a Inteligência Artificial pode ser empregada para espalhar desinformação
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 20/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma promessa futurista da ficção científica e se consolidou como uma realidade que permeia até mesmo as tarefas mais cotidianas. A face mais popular e, ao mesmo tempo, a mais desafiadora dessa revolução é a IA generativa. Ferramentas como ChatGPT, Gemini e inúmeros outros modelos são capazes de criar novos conteúdos – sejam eles textos, imagens ou vídeos – a partir de simples comandos, utilizando dados massivos previamente inseridos em seu desenvolvimento.
Com um potencial disruptivo para aumentar a produtividade e expandir a criatividade humana, a crescente popularização da IA generativa também acende um sinal de alerta global. A facilidade e a rapidez com que a tecnologia produz conteúdo hiper-realista simplificam a criação de material falso com propósitos lesivos, tornando a desinformação um problema mais sofisticado e onipresente.
Imagine receber, em um grupo de aplicativo de mensagens, um áudio de alta qualidade com uma fala comprometedora de uma figura pública. A voz é idêntica, o contexto é plausível, e o remetente é um contato de confiança. Você acreditaria? Compartilharia? Essa situação é o cenário perfeito para um deepfake, vídeos e sons que simulam pessoas reais, criados por Inteligência Artificial Generativa sem qualquer participação da pessoa representada.

Como a IA Generativa transforma a produção de conteúdo falso

Antes da popularização dessas ferramentas, criar montagens ou textos falsos exigia tempo, esforço e recursos técnicos avançados. Hoje, qualquer pessoa pode produzir um conteúdo digitalmente manipulado em questão de minutos. Essa democratização da criação, infelizmente, impulsiona a produção de desinformação em escala.
Para o cidadão que navega diariamente no mar digital, é crucial desenvolver um olhar crítico e aprender a identificar os sinais que denunciam a origem artificial de um material.
1. Sinais de Alerta em Textos Gerados por IA
Embora as ferramentas de detecção de textos escritos por máquina ainda apresentem baixa confiabilidade, o próprio conteúdo do texto costuma entregar sua origem sintética. Um texto gerado por Inteligência Artificial Generativa geralmente apresenta padrões que merecem desconfiança:
- Incoerências e “Alucinações”: Desconfie de textos que, apesar de bem escritos, apresentem informações incorretas com extrema confiança. A “alucinação” – termo técnico para a invenção de dados pela IA – é um sinal clássico.
- Abuso de Clichês e Generalizações: Muitas IAs ainda tendem a abusar de clichês e a evitar expressões de sentido figurado ou metáforas, tratando-as incorretamente. O desenvolvimento falho de ideias, as generalizações constantes e as conclusões imprecisas são também indícios comuns.
- Repetição e Padrões Robóticos: Um texto visualmente impecável, sem erros gramaticais grosseiros, mas com repetições desnecessárias ou um tom excessivamente formal e padronizado pode ser fruto de IA.
2. As Pistas Visuais em Imagens Manipuladas
No universo das artes visuais e fotografias, a Inteligência Artificial Generativa evoluiu rapidamente, mas ainda deixa rastros perceptíveis.
- A Falha nas Mãos: O sinal mais óbvio ainda reside nas mãos. A presença de seis dedos, posições anormais, ou uma anatomia bizarra frequentemente denuncia a manipulação digital. Embora as ferramentas estejam aprimorando essa reprodução, o detalhe anatômico continua sendo um forte ponto fraco.
- Textura de Pele e Textos Distorcidos: A pele excessivamente lisa, como se tivesse sido aplicada uma camada de filtro, é outro indicativo. Além disso, observe com atenção qualquer texto inserido na imagem (placas, jornais, logos). Quase sempre, eles aparecerão como caracteres ilegíveis e distorcidos, assim como logos de marcas embaralhados.
3. Reconhecendo Deepfakes em Vídeos e Áudios
Para vídeos e áudios sintéticos, a identificação une as dicas visuais das imagens a falhas específicas do movimento e da voz.
- Microexpressões Não Naturais: Procure por sincronia labial imperfeita, falhas no acompanhamento da voz com o movimento dos lábios, e microexpressões faciais pouco naturais ou robóticas.
- Quebras na Física e no Cenário: Objetos que desaparecem e reaparecem, ou ações que quebram as leis da física são fatores cruciais.
- Linguagem Alarmista e Ausência de Fontes: Vídeos com narrações de IA costumam ter vozes robóticas, títulos sensacionalistas e um conteúdo que utiliza linguagem alarmista, mas sem citar fontes precisas e checáveis.
O uso da busca reversa para imagens e frames de vídeos é uma prática recomendada ao duvidar da veracidade. Ao inserir a imagem em uma ferramenta de busca (como o Google Imagens), é possível rastrear outras publicações do mesmo material, expondo sua origem ou contexto real.
4. Esforços Coletivos e Individuais no Combate à Desinformação
A luta contra a desinformação gerada por IA exige ações em múltiplas frentes. A Justiça Eleitoral, por exemplo, agiu de forma pioneira ao disciplinar o uso de IA em propagandas eleitorais com a Resolução nº 23.732/2024. A norma proíbe deepfakes e torna obrigatória a sinalização do emprego de IA em peças de campanha.
A legislação não apenas pune o abuso, mas também estabelece a responsabilização solidária de provedores que não retirem do ar, imediatamente, materiais com desinformação, discurso de ódio ou conteúdo antidemocrático. Para auxiliar o cidadão, a Justiça Eleitoral ainda disponibiliza o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (SIADE), ferramenta que permite a qualquer pessoa denunciar conteúdos falsos.
No entanto, o mais importante reside na esfera individual: a educação midiática e informacional. É necessário desenvolver a capacidade de lidar criticamente com as produções digitais e de avaliar a credibilidade da informação. O ceticismo saudável e a atenção aos detalhes são as defesas mais eficazes contra a manipulação na era da Inteligência Artificial Generativa.