Eleições 2026 indicam liderança de Lula e disputa na direita
Pesquisa Ipsos-Ipec aponta petista com 38% e vantagem de Michelle Bolsonaro entre conservadores.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 10/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
O cenário político brasileiro começa a se desenhar com os primeiros levantamentos de intenção de voto para as eleições 2026. Uma pesquisa nacional realizada pela Ipsos-Ipec, entre os dias 4 e 8 de dezembro, testou quatro simulações distintas para a disputa presidencial. O estudo revela que o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), lidera a preferência do eleitorado em todos os cenários apresentados.
O petista demonstra um piso eleitoral sólido, alcançando 38% das menções invariavelmente, independentemente de quem seja o adversário. No campo da oposição, os nomes mais ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro oscilam entre 17% e 23%, variando conforme o porta-voz apresentado aos entrevistados.
O desempenho da oposição
Ao analisar os nomes testados para enfrentar Lula nas eleições 2026, nota-se um desempenho similar entre os aliados do antigo governo, embora com algumas vantagens numéricas específicas. Michelle Bolsonaro (PL) registra o maior percentual, atingindo 23% das intenções de voto.
Os outros potenciais candidatos do campo conservador aparecem logo em seguida:
- Flávio Bolsonaro (PL): 19%
- Eduardo Bolsonaro (PL): 18%
- Tarcísio de Freitas (Republicanos): 17%

Candidatos de outras esferas da direita e centro-direita pontuam em um patamar inferior. Ratinho Junior (PSD) varia entre 8% e 9%; Ronaldo Caiado (União) aparece com 5% a 7%; e Romeu Zema (Novo) oscila de 3% a 5%.
Os eleitores que afirmam votar em branco ou nulo somam entre 16% e 19%, enquanto os indecisos representam de 5% a 8%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
A estabilidade dos números sugere uma cristalização dos votos, conforme analisa Márcia Cavallari, diretora da Ipsos-Ipec:
“Lula aparece com um piso consistente de 38% independentemente do adversário. Os nomes da direita próximos ao ex-presidente performam em patamar similar, o que sugere que a definição do candidato tende a reorganizar votos dentro do mesmo campo, mais do que ampliar o alcance atual. Há espaço para movimentos, mas o ponto de partida da disputa não se altera.”
Segmentação do eleitorado
A pesquisa detalha onde está a força de cada pré-candidato para as eleições 2026. As intenções de voto em Lula são significativamente mais expressivas entre eleitores com ensino fundamental, residentes da região Nordeste, pessoas com renda familiar de até um salário-mínimo e aqueles que votaram no petista no segundo turno de 2022.
Um dado relevante é o desempenho de Lula entre os jovens de 16 a 24 anos. Nas simulações contra Tarcísio de Freitas e Eduardo Bolsonaro, o atual presidente atinge 47% e 48% nesse segmento, respectivamente.
Do lado da oposição, a transferência de votos do ex-presidente é nítida. Flávio Bolsonaro herda 43% dos eleitores do pai. Michelle Bolsonaro se destaca entre os evangélicos (32%) e entre quem votou em Jair no segundo turno de 2022 (50%). Já o governador Tarcísio de Freitas performa melhor entre quem possui renda familiar superior a cinco salários mínimos (30%).
Cenário espontâneo e rejeição
Quando os nomes não são apresentados aos entrevistados (pesquisa espontânea), o cenário para as eleições 2026 mostra Lula com 29%, seguido por Jair Bolsonaro com 18%. No entanto, três em cada dez eleitores (30%) não citam nenhum nome espontaneamente, indicando um campo aberto para conquista de votos.

A rejeição, contudo, é um obstáculo para todos. Cerca de 44% do eleitorado afirma que não votaria em Lula “de jeito nenhum”. Entre os opositores, os índices também são altos:
- Flávio Bolsonaro: 35% de rejeição.
- Eduardo Bolsonaro: 32% de rejeição.
- Michelle Bolsonaro: 30% de rejeição.
- Tarcísio de Freitas: 11% de rejeição (o menor índice entre os principais nomes).

Opinião sobre reeleição e influência de Bolsonaro
Apesar da liderança numérica, o desejo de renovação é alto. A maioria dos entrevistados (57%) acredita que Lula não deveria se candidatar novamente nas eleições 2026, e 56% dizem que ele não merece ser reeleito. Essa resistência é maior entre evangélicos (69%), pessoas com ensino superior (67%) e moradores da região Sul (67%).

Sobre a influência de Jair Bolsonaro, sua ausência na disputa é vista como negativa por 49% dos brasileiros. O apoio dele a um candidato aumentaria a vontade de votar para 27% dos eleitores, mas diminuiria para 30%.

Perfil ideológico desejado
Quanto ao perfil ideal para o próximo mandatário nas eleições 2026, 38% dos brasileiros não têm preferência ideológica definida, priorizando apenas a “capacidade de governar”. Outros 27% desejam um presidente de direita, 18% preferem alguém alinhado à esquerda e 10% buscam um nome de centro.

Cavallari finaliza sua análise reforçando o paradoxo do eleitorado atual:
“Os dados mostram um eleitorado cansado da polarização, mas ainda preso a ela. A maioria quer um presidente capaz de governar, independentemente do campo ideológico, mas na hora de escolher, acaba voltando aos polos conhecidos. Lula enfrenta resistência à sua permanência no poder e a direita ainda busca um nome que unifique o campo sem depender exclusivamente do capital político de Bolsonaro”