Eleições 2026: 18 governadores não disputarão novo mandato

Maioria dos chefes estaduais não pode buscar reeleição. Cenário político muda com corridas ao Senado e à Presidência da República.

Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado

As Eleições 2026 trazem uma certeza matemática antes mesmo da abertura das urnas: a renovação nos governos estaduais será massiva. Dos 27 governadores em exercício, 18 estão impedidos pela legislação de disputar um novo mandato consecutivo. A regra brasileira veta a permanência no cargo por mais de dois períodos seguidos, o que força a maior parte dos líderes estaduais a buscar novos rumos políticos ou eleger sucessores.

Com oito anos de gestão acumulados, esses políticos movimentam o tabuleiro nacional. Quatro nomes já manifestaram desejo de concorrer à Presidência da República, enquanto ao menos seis articulam disputas por vagas no Senado. A Câmara Alta, inclusive, renovará 54 de suas 81 cadeiras neste pleito, tornando-se um destino cobiçado.

Regras das Eleições 2026 exigem renúncia em abril

O calendário eleitoral impõe prazos rígidos para quem deseja trocar de cargo. O governador que pretende disputar a presidência, o Senado ou uma vaga de deputado precisa renunciar ao mandato seis meses antes do pleito. Esse processo, conhecido como desincompatibilização, deve ocorrer obrigatoriamente em abril.

A medida visa impedir o uso da máquina pública para obter vantagem eleitoral. Quando o titular sai, o vice-governador assume a cadeira e ganha o direito de disputar a reeleição. No entanto, o Rio de Janeiro vive um impasse jurídico peculiar para as Eleições 2026.

O governador Cláudio Castro (PL), impedido de se reeleger, sinaliza uma candidatura ao Senado. O problema é a vacância do cargo de vice, já que Thiago Pampolha deixou a função em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado. Caso Castro confirme a renúncia em abril, o Rio de Janeiro terá uma eleição indireta. Caberá aos deputados estaduais escolher um governador-tampão para conduzir o estado até o fim do ano.

Panorama das disputas estaduais e federais

O cenário atual desenha um mapa de forças dividido entre a manutenção de poder e a busca por cargos federais. A configuração política para as Eleições 2026 apresenta os seguintes números:

  • 9 governadores poderão tentar a reeleição;
  • 4 pré-candidatos visam a Presidência da República;
  • 6 governadores (no mínimo) miram o Senado;
  • 5 nomes seguem com futuro indefinido;
  • 3 gestores indicam aposentadoria ou cumprimento do mandato até o final.

O governador detém o cargo mais elevado nas unidades federativas, sendo responsável direto pela execução do orçamento, segurança pública e infraestrutura. A saída desses gestores altera a dinâmica de poder regional.

O que a legislação define sobre reeleição

A Constituição permite apenas uma recondução consecutiva para cargos do Executivo. Quem cumpre dois mandatos precisa aguardar o intervalo de quatro anos para retornar. Esse mecanismo molda as estratégias das Eleições 2026, assim como ocorreu na trajetória do presidente Lula (PT). Após governar entre 2003 e 2010, ele apoiou Dilma Rousseff e só retornou ao cargo em 2023, buscando agora seu quarto mandato.

Governadores aptos e novas candidaturas

Apenas nove gestores estaduais têm o direito legal de defender seus cargos nas urnas este ano. A lista inclui nomes de peso em colégios eleitorais importantes:

  • São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos);
  • Bahia: Jerônimo Rodrigues (PT);
  • Pernambuco: Raquel Lyra (PSD);
  • Ceará: Elmano de Freitas (PT);
  • Santa Catarina: Jorginho Mello (PL);
  • Piauí: Rafael Fonteles (PT);
  • Mato Grosso do Sul: Eduardo Riedel (PP);
  • Sergipe: Fábio Mitidieri (PSD);
  • Amapá: Clécio Luís (Solidariedade).

Embora possa se reeleger, Tarcísio de Freitas é frequentemente citado em pesquisas presidenciais, mas reafirma o apoio a um candidato do PL. Já na corrida pelo Palácio do Planalto, três governadores do PSD tentam viabilizar seus nomes: Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PR) e Ronaldo Caiado (GO). Romeu Zema (Novo-MG) também aparece como pré-candidato.

Para o Senado, a disputa nas Eleições 2026 deve contar com governadores como Helder Barbalho (MDB-PA), Ibaneis Rocha (MDB-DF), Fátima Bezerra (PT-RN), João Azevêdo (PSB-PB) e Antonio Denarium (PP-RR).

Peso da transferência de votos na sucessão

Com tantos titulares fora do páreo estadual, a capacidade de transferir votos será decisiva. Paulo Niccoli Ramirez, cientista político da ESPM, destaca que a aprovação do governo vigente é o principal termômetro para os sucessores.

“A primeira coisa que a gente tem que observar é o índice de aprovação desses governos. Em Goiás, por exemplo, o apoio a Ronaldo Caiado girava em torno de 80%. Há uma tendência de transferência de votos quando há apoio local de governadores com alta popularidade”, analisa Ramirez.

A confiança depositada pelo eleitor no gestor que sai costuma migrar para o candidato indicado, especialmente em administrações bem avaliadas. Com a obrigatoriedade de renovação em 18 estados, a configuração do poder no Brasil passará por uma transformação profunda e inevitável nas Eleições 2026.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 08/02/2026
  • Fonte: Pocah