SP mantém 3,9 mil ônibus nas garagens no 2º turno das Eleições 2026
Neste segundo turno, levantamento identificou 3.898 ônibus nas garagens da capital, apesar de decisão judicial que exigia operação equivalente à de dias úteis
- Publicado: 25/10/2026 14:50
- Alterado: 25/10/2026 14:50
- Autor: Edvaldo Barone
A oferta de ônibus municipais em São Paulo durante o segundo turno das eleições 2026 tornou-se alvo de questionamentos após um levantamento identificar 3.898 veículos nas garagens às 13h20 deste domingo (25). O número corresponde a 28,3% da frota cadastrada no sistema municipal e foi registrado um dia depois de a Justiça Eleitoral determinar que a Prefeitura de São Paulo garantisse uma operação equivalente à dos dias úteis para atender os eleitores.
Os dados foram publicados pelo Metrópoles, com base no monitoramento do Infobus, ferramenta que acompanha a localização dos coletivos. Dos 13.790 ônibus considerados no levantamento, 9.892 estavam classificados como em circulação, o equivalente a 71,7%. Essa contagem também incluía veículos parados nos pontos iniciais e finais das linhas, não apenas aqueles efetivamente em deslocamento.
A diferença entre a frota total e a quantidade de veículos disponíveis durante a votação do segundo turno das eleições 2026 reacendeu a discussão sobre o cumprimento da determinação judicial. O levantamento oferece um retrato da operação naquele horário, mas não permite concluir, isoladamente, quantos veículos estavam indisponíveis por manutenção nem se a frequência exigida pela Justiça foi cumprida ao longo de todo o dia.
Decisão judicial exigia operação de dia útil
A controvérsia começou antes da abertura das urnas. Na quinta-feira (22), a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) havia informado que pretendia repetir no segundo turno o esquema de transporte adotado na primeira votação, com uma programação semelhante à dos sábados.
Segundo a SPTrans, o planejamento previa aproximadamente 6,9 mil ônibus e atendimento em 1.137 linhas para o segundo turno das eleições 2026. A administração municipal sustentava que essa estrutura seria suficiente para a demanda, citando a capacidade de transporte e o número de passageiros registrados no primeiro turno. A gratuidade das passagens estava assegurada pelo programa Domingão Tarifa Zero.
No sábado (24), entretanto, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) determinou que a capital disponibilizasse 100% da frota operacional durante o segundo turno das eleições 2026 , com frequência equivalente à praticada nos dias úteis. A decisão foi tomada após uma ação apresentada por parlamentares do PSol e estabeleceu multa de R$ 100 mil para o prefeito e para o presidente da SPTrans em caso de descumprimento.
A ordem também apontou a possibilidade de responsabilização eleitoral, conforme as circunstâncias de eventual desobediência. A existência da determinação e os dados do monitoramento, porém, não significam que a Justiça já tenha reconhecido formalmente seu descumprimento ou aplicado penalidades.
Linhas apresentam diferenças na oferta de veículos

A distribuição dos ônibus também chamou atenção. Na linha Vila Carrão–Praça da Sé, apenas um dos 17 veículos cadastrados aparecia em circulação no início da tarde. Já na ligação entre o Shopping Center Norte e o Jardim Fontális, na zona norte, havia 11 ônibus em operação e sete nas garagens.
Em duas linhas que partem do Terminal Santana em direção aos terminais Ana Rosa e Jabaquara, o levantamento identificou 24 veículos em circulação e 33 estacionados. Os números indicam diferenças relevantes na disponibilidade de coletivos entre os itinerários analisados, embora não informem o número de passageiros que aguardavam atendimento ou os intervalos efetivamente praticados.
O diretor executivo do Instituto Pólis, Rodrigo Faria G. Iacovini, integrante do Conselho Municipal de Trânsito e Transporte, explicou ao Metrópoles que a operação simultânea de todos os veículos é incomum devido às necessidades de manutenção. Na avaliação dele, entretanto, o percentual em circulação deveria superar 85%, preferencialmente chegando a 90%.
Iacovini também relatou que, segundo informações recebidas pelo instituto, alguns motoristas teriam sido convocados para trabalhar no domingo somente depois das 18h de sábado. A informação foi apresentada como relato de trabalhadores, sem confirmação independente sobre o alcance dos possíveis atrasos na convocação.
Instituto havia solicitado reforço nas periferias

Antes da decisão judicial, o Instituto Pólis já havia encaminhado um pedido à prefeitura e à SPTrans para que a operação de domingo seguisse os horários e a frequência dos dias úteis. O documento defendia atenção especial às linhas que atendem regiões periféricas e locais de votação com grande concentração de eleitores.
A entidade também solicitou acompanhamento em tempo real e reforço imediato dos itinerários que apresentassem demanda superior à capacidade disponível. Segundo a reportagem, o ofício enviado na sexta-feira (23) não havia recebido resposta.
A discussão envolve não apenas a quantidade de veículos, mas a capacidade de assegurar o deslocamento dos eleitores até as seções eleitorais e seu retorno após a votação. A oferta gratuita de transporte, embora elimine o custo da passagem, não resolve eventuais dificuldades provocadas por intervalos prolongados ou redução da frequência.
Os dados divulgados até o início da tarde indicavam que quase três em cada dez ônibus cadastrados permaneciam nas garagens. Para determinar o cumprimento integral da ordem judicial, contudo, seria necessário confrontar a programação exigida pelo TRE-SP com os registros operacionais da SPTrans durante todo o período eleitoral.